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Carnaval deve movimentar 12,4 bilhões na Bahia e impulsionar comércio e turismo

No turismo, a movimentação financeira estimada é menor em termos absolutos, mas apresenta crescimento mais expressivo.

11/02/2026 08h40 Atualizada há 2 horas
Por: Karoliny Dias Fonte: Tribuna da Bahia
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

O Carnaval deve movimentar R$ 12,4 bilhões na economia baiana em fevereiro, segundo a mais recente projeção da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA). O volume representa um crescimento real de 6% em relação ao mesmo período do ano passado e considera o desempenho dos setores de comércio e turismo diretamente relacionados aos festejos, que ocorrem neste mês.

De acordo com a entidade, o comércio deve liderar a movimentação financeira no período, com estimativa de R$ 11,7 bilhões, o que corresponde a um incremento anual de 5,4%. O cálculo considera apenas atividades que têm relação direta com o Carnaval, como supermercados, vestuário, combustíveis e cosméticos; desconsiderando setores sem correlação com a festa, a exemplo da venda de veículos.

O consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, explicou que os supermercados concentram a maior parte do volume financeiro movimentado durante o período, não só relacionado ao consumo de alimentos e bebidas para casa, mas também para empresas, como hotéis, pousadas e restaurantes. “Outro que ganha bastante é o setor de vestuário, com as pessoas comprando camisas, adereços, fantasias para pular o carnaval de rua, no evento privado, qualquer que seja a finalidade. Tem também cosméticos, as pessoas comprando artigos de maquiagem, até protetor solar, por causa do verão”, detalhou, citando ainda o impacto indireto do Carnaval sobre o consumo de combustíveis. 

No turismo, a movimentação financeira estimada é menor em termos absolutos, mas apresenta crescimento mais expressivo. A Fecomércio-BA projeta R$ 730 milhões em fevereiro, com alta de 12,3% na comparação anual e, caso o resultado se confirme, será o melhor mês de fevereiro da história do setor no estado.

Segundo o especialista, a Bahia segue entre os destinos mais procurados do país durante o período. “A gente vê a Bahia como um dos principais destinos de turismo nessa época do ano para o carnaval, como Salvador e Porto Seguro sendo destaques nos mais procurados. E aí o turismo tem tido um resultado bastante positivo de crescimento de dois dígitos no estado”, afirmou.

Ele acrescenta que o avanço envolve toda a cadeia do turismo. “Isso mostra essa pujança do segmento de hotelaria, transporte rodoviário, de locação de veículos, alojamento, alimentação, enfim, todo o segmento do turismo que não depende somente da economia interna da Bahia, mas da vinda de turistas de outros lugares para gastar, para colocarem seus recursos aqui na economia do estado”, disse.

Como reforçou a entidade, além dos próprios baianos aproveitando o período para gastar em outras localidades do estado, fora de sua cidade de domicílio, os turistas que vêm de todo o País, principalmente de São Paulo, contribuem significativamente para a movimentação econômica da região. “O cenário é favorável para o comércio e o turismo na Bahia no mês de fevereiro, pois as famílias apresentam o maior nível de renda já observado, em um contexto de inflação mais baixa, mercado de trabalho aquecido e maior disponibilidade de crédito. Esse conjunto de fatores eleva o otimismo dos empresários baianos para aproveitar esse período tão importante para a economia do Estado”, conclui o presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes.

A realização do Carnaval também impulsiona a geração de empregos temporários, principalmente em atividades ligadas ao turismo e a grandes eventos. “Emprego temporário sempre tem, não é como um Natal, por exemplo, mas no segmento de turismo o impacto é muito grande. Imagina o Carnaval da Cidade de Salvador, o tamanho que é, a demanda que é, então tem que ter um público de fato para atender essa demanda”, analisou Dietze.

Para o consultor, o crescimento observado não se resume a um efeito pontual do calendário. “A gente não está vendo um pico de consumo por conta do carnaval. A gente está vendo uma base estrutural de consumo crescente, não somente no Estado, mas no Brasil todo, isso tem permitido um avanço sustentável dos segmentos da economia”, disse, destacando que esse cenário contribui para maior estabilidade no emprego e na renda.

Para a vendedora ambulante Larissa Silva, trabalhar no Carnaval já é uma tradição, que passa de geração para geração. “Comecei a trabalhar no circuito com cinco anos, junto com minha mãe. Hoje, já é certo esse dinheiro extra. Vale muito a pena trabalhar nesses dias, porque a gente ganha muito mais do que faz no mês normal”, contou. 

Apesar da expectativa de aumento do faturamento, Dietze ressalta que o resultado financeiro final depende dos custos de cada segmento. “Quando a gente fala de expectativa de faturamento, não quer dizer lucro. Cada segmento tem um perfil de custo, que pode gastar mais com um determinado produto, outro menos. Então vai depender muito de cada segmento para poder ter um resultado financeiro mais positivo”, explicou o especialista.

E para obter sucesso ao final do período de folia momesca, o economista destacou a importância do planejamento empresarial. “É importante que o empresário pense, calcule, renegocie com o seu financiador para ter eficiência no resultado. Com isso, o aumento da receita pode vir acompanhado de lucro e de um negócio cada vez mais sustentável”, disse.

E o cenário é favorável, pois na avaliação da Fecomércio-BA, o consumidor está mais disposto a gastar neste Carnaval, especialmente com viagens e itens de consumo básico. Conforme Dietze, o custo elevado de bens duráveis tem direcionado parte da renda das famílias para experiências e lazer.

Assim, o crescimento de 6% para os dois setores pode ser explicado por um conjunto de favores. O consultor da Fecomércio-BA aponta que o turismo tem se beneficiado dessa conjuntura de mais crédito, já que as pessoas precisam de crédito para consumir pacotes turísticos, para comprar sua viagem aérea; e que, no caso do comércio, o crescimento permanece concentrado em setores essenciais, como os mercados e farmácias, enquanto a taxa de juros elevada tem dificultado em alguns outros segmentos.

Além disso, o economista apontou um movimento que já vem desde o ano passado de crescimento nas vendas e aumento do turismo, especialmente impulsionado pela maior renda do brasileiro, mais acesso a crédito e inflação em baixa. “Isso permite com que as famílias consigam gastar mais recursos nesse cenário de lazer e no comércio. A gente está vendo uma base estrutural de consumo crescente, não somente no Estado, mas no Brasil todo, e isso tem permitido um avanço sustentável dos segmentos da economia. Então, esse crescimento não é somente em fevereiro, deve acontecer em março, em abril.

Ou seja, esse recorde, por exemplo, do turismo deve continuar acontecendo no Estado, não é uma questão pontual, mas conjuntural”, previu Dietze. 

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