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Cultura Opinião

Vamos aprender com a tragédia do Sul

Por João Paulo Just Peixoto

11/05/2024 21h20 Atualizada há 7 dias
Por: Karoliny Dias Fonte: João Paulo Just Peixoto
Enchentes no Rio Grande do Sul - Foto: UOL Reset
Enchentes no Rio Grande do Sul - Foto: UOL Reset

O que aconteceu nesta última semana no Rio Grande do Sul deixou todo o Brasil comovido. Gente de todas as regiões e até de fora do país estão se mobilizando para ajudar as pessoas afetadas, enviando doações em dinheiro e materiais. E, ao final de toda esta catástrofe, precisamos aprender algumas lições para minimizar os efeitos da próxima emergência climática.

Isso mesmo, minimizar os efeitos  da  próxima  emergência  climática. Destaco isto porque as mudanças   climáticas   são   reais   e,   como   disse   o   Prof.   Dr.  Carlos  Alberto   Cioce   Sampaio   da Universidade de Blumenau, “não precisamos mais explicar o que são as mudanças climáticas, pois  ela está aí pra todos verem”. De fato, sempre que alguém perguntar o que são mudanças climáticas ou aquecimento global, basta responder: “Olhe para o Rio Grande do Sul”.

É comum ouvirmos algumas pessoas dizerem: “Ah, aquecimento global não existe, olha aí quantas  cidades registraram invernos recordes”. Vale então uma explicação do termo e por que ele não é mais utilizado. O aquecimento global é o fenômeno do aquecimento da atmosfera terrestre de uma forma global causado pela atividade humana. A queima de combustíveis fósseis das indústrias, máquinas e até nossos carros poluem a atmosfera com gás carbônico, o que acaba aumentando o efeito estufa e retendo o calor do Sol na atmosfera.

Porém, esse aumento global da temperatura causa um desequilíbrio no clima, aumentando os níveis de chuva em algumas regiões, reduzindo em outras e até causando invernos mais rigorosos que o normal. Ou seja, o aquecimento global tem outros efeitos além do aumento da temperatura no verão. Por causa disso, o termo mais utilizado hoje é “mudanças climáticas”.

E quais lições podemos tirar da tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul? Primeiro: emergências vão acontecer, não há como evitar. Se elas já aconteciam antes das mudanças climáticas, agora vão acontecer com maior intensidade e frequência. Portanto, não dá pra continuar nossas vidas achando que não vai haver outra inundação ou outra seca, outro inverno extremo, etc. Inclusive, no caso do Rio Grande do Sul, já houve uma enchente como essa em 1941 e outras semelhantes em alguns anos. Ou seja, esta não foi a primeira e, infelizmente, não será a última.

E o que podemos fazer então? Em se tratando de emergências climáticas, a cidade deve estar preparada para enfrentá-las e mitigar seus efeitos. Essa tragédia, inclusive, acabou trazendo à tona o programa Brasil 2040, que havia sido iniciado em 2013. Este programa tinha como propósito projetar os impactos das mudanças climáticas no país. Pesquisadores de várias universidades e institutos de pesquisa desenvolveram modelos matemáticos que justamente previam o que está acontecendo agora: chuvas intensas no Sul. Porém, o programa foi engavetado dois anos depois.

Para piorar a situação, o governador do Rio Grande do Sul tem sido acusado por alguns deputados de ter destinado apenas R$ 100 mil para Defesa Civil em 2023 [1] e apenas R$ 50 mil em 2024 [2]. Disse e repito: emergências vão acontecer! É preciso estar preparado para enfrentá-las.

Ainda em 2022, o Prof. Marcelo Dutra da FURG (Universidade Federal do Rio Grande), já havia alertado na Câmara de Pelotas sobre os eventos climáticos no Rio Grande do Sul [3]. Inclusive, há um vídeo dele no YouTube alertando sobre isso [4]. Como dizem por aí: “sempre há um cientista ou um professor sendo ignorado em todo filme de tragédia climática”.

E quanto a Feira de Santana? Será que nossa cidade está preparada para as mudanças climáticas? Acho que não.

Basta recordarmos as recentes chuvas que têm caído por aqui e suas consequências. Feira está alagando cada vez mais. O volume de chuvas pode vir a aumentar com o passar do ano justamente por causa das mudanças climáticas e não vemos nada sendo feito para lidar com isso. E além das chuvas, temos que enfrentar também o calor extremo, notado por muitos feirenses neste verão de 2024. E pensar que já foi proposta a retirada das árvores da Av. Getúlio Vargas. Imaginem!

As eleições estão vindo aí. Vamos aproveitar e refletir sobre nosso passado político, lembrando do futuro climático que nos espera. O que foi feito neste sentido nas últimas duas décadas em Feira de Santana?

Por João Paulo Just Peixoto

[1] https://www.brasildefato.com.br/2023/09/13/verba-do-governo-leite-para-equipar-defesa-civil-do-rs-neste-ano-e-de-r-100-mil-diz-deputado

[2] https://oglobo.globo.com/blogs/sonar-a-escuta-das-redes/post/2024/05/em-meio-a-tragedia-no-rs-leite-e-deputado-do-psol-discutem-por-orcamento-destinado-a-defesa-civil.ghtml

[3] https://sul21.com.br/noticias/geral/2024/05/nos-precisamos-entender-que-isso-nao-foi-obra-do-acaso-alerta-professor-da-furg-sobre-enchente/

[4] https://www.youtube.com/watch?v=hPF4TGy1-W4

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