Feira de Santana ainda não é uma cidade inteligente – espero que seja e que isso não demore. Mas e seus cidadãos? Somos cidadãos inteligentes?
Precisamos refletir nossas ações e isso não é nenhuma novidade. Quantas vezes alguém já falou ou escreveu sobre pessoas que jogam lixo na rua – mesmo com uma lixeira por perto –, gente atravessando fora da faixa, motoristas ignorando a sinalização… Novamente, isso não é nenhuma novidade. Mas novidade – pelo menos para mim – é o que estou presenciando em relação aos pedestres e ciclistas feirenses.
Com a reforma da Av. Noide Cerqueira foi feita uma ciclovia no canteiro central, dando aos cilistas duas vias para tráfego na avenida – contando com a ciclofaixa que foi feita anteriormente, quando a avenida foi asfaltada. A Av. Fraga Maia também foi revitalizada – ainda faltam alguns elementos de sinalização, mas falo disto em outra oportunidade – e a prefeitura construiu uma ciclovia também no canteiro central. Nos dois casos há, ao lado da ciclovia, um caminho para pedestres. A ciclovia tem um terreno liso facilitando a rolagem dos pneus da bicicleta e o caminho para pedestres é feito com um calçamento de pedra. Olha só! Espaços seguros para pedestres e ciclistas, que não precisarão mais disputar com os veículos no meio da rua. Porém, esta não é a realidade.
De fato, muita gente tem usado os dois espaços, mas quem trafega nestas avenidas já deve ter percebido algo curioso: ciclistas continuam pedalando na rua, pedestres caminham pela ciclovia ou também na rua e o trânsito continua um caos. É isto mesmo que você leu! Ciclistas preferem pedalar entre os carros em vez de usar a ciclovia! É por isso que eu digo: o feirense precisa ser estudado.
Quem, em condições mentais normais, prefere correr risco em vez de usar a via apropriada e mais segura? Eu não consigo imaginar uma situação sequer em que este comportamento seja favorável. Um dia destes eu presenciei uma turma de ciclistas, com crianças pequenas, pedalando no lado da avenida em vez de usar a ciclovia. Desde cedo dando um mau exemplo às crianças.
Eu fico imaginando às vezes que, mesmo que Feira fosse uma cidade inteligente e com vias adequadas para todos os modais, ainda assim viveríamos na bagunça.
João Paulo Just Peixoto
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