"Não existe confronto quando só um lado atira”. Com essa frase escrita em um cartaz e com joelhos dobrados ao chão, uma mãe chorava, compulsivamente, clamando por justiça no início da tarde desta segunda-feira (23), exatamente no lugar onde teve seu filho morto pela Polícia na noite do dia primeiro de abril deste ano.
Daniela Guerra, ao lado de sua família, acompanhava um ato público pedindo justiça e correta apuração dos fatos envolvendo a morte de seu filho Marcelo Felipe Guerra dos Santos Rocha, organizado por amigos e admiradores do jovem que, se vivo estivesse, completaria 19 anos, no sábado passado (21/05).
A manifestação começou em frente ao Ministério Público. De lá, a marcha por justiça seguiu pela Avenida Presidente Dutra, sentindo centro de Feira de Santana, mas quando chegou nas proximidades de uma revendedora de veículo, local onde ocorreu a morte, tornou-se impossível continuar. A mãe do jovem dobrou os joelhos e rogou a Deus que honrasse a memória do filho dela trazendo justiça.
“Meu filho nunca teve arma nem de brinquedo. Marcelo Felipe era trabalhador, honesto, nunca repetiu de ano, estagiou no Banco do Brasil por 2 anos e nunca teve nada que desabonasse a conduta dele. Meu filho era empreendedor e hoje eu só sou empreendedora porque ele me motivou a ser. Meu filho não é bandido, não. Sei que não terei a vida dele de volta, mas vou transformar meu luto em luta até que a justiça seja feita”, afirmou a mãe inconsolável.
Entenda o caso
Marcelo Felipe tinha 18 anos e conduzia um veículo sem CNH, no inicio da noite do dia primeiro de abril.
Quando avistou uma blitz na avenida Maria Quitéria, parou seu veículo em um estacionamento e lá ficou por mais de 2 horas esperando blitz terminar.
Em um dado momento, Marcelo sai do estacionamento e a guarnição o persegue. De acordo com a ocorrência, o jovem saiu do local e não parou o veículo após uma ordem policial. A perseguição terminou na Avenida Presidente Dutra, com o jovem morto em decorrência da intervenção policial.
A polícia afirma que o jovem tentou empreender fuga a pé e atirou contra a guarnição. Esta, por sua vez, fez o revide e o jovem veio a falecer. Entretanto, essa versão é contestada pela família ao afirma que Marcelo nunca teve arma “nem sequer de brinquedo”, razão pela qual fizeram o protesto hoje pedindo que a justiça seja feita.
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