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Feira de Santana Racismo

Jornalista denuncia que foi vítima de racismo em uma loja de eletrodomésticos do centro da cidade

Ferreira Junior estava ao celular na loja quando foi abordado por uma guarnição da PM chamada por prepostos da loja.

16/05/2022 12h46
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Denivaldo Costa
Foto: Denivaldo Costa

O jornalista Ferreira Junior denunciou que foi vítima de racismo dentro de uma loja de eletrodomésticos de Feira de Santana. Segundo Ferreira, ele entrou na loja do centro de cidade para pesquisar os preços de uma televisão e um aparelho celular e nesse meio tempo recebeu ligações em seu celular.

“Sou jornalista preto, com muito orgulho e sofri um crime de preconceito racial. No tempo em que estive na loja fiquei em meu celular recebendo ligações de trabalho. Comecei a falar com meu irmão que edita alguns vídeos para um veículo de comunicação do qual faço parte. Fiquei 15 minutos ao telefone no interior da loja enviando alguns vídeos. Fui abordado por um vendedor de maneira não tão educada porque provavelmente já desconfiava que eu fosse ladrão. Falei que estava ao celular e que em pouco tempo procuraria atendimento. Foi quando após três minutos vi uma guarnição da Polícia Militar falando com uma das gestoras da loja e o fiscal de segurança que autorizaram vistoriar para ver se se tratava de um bandido ou não. Foi uma humilhação”, conta.

Ferreira conta que nunca foi abordado dessa forma em sua vida pela PM dentro de uma loja e sentiu na pele o preconceito. Os policiais lhe trataram com educação, pediram sua documentação, mas ele ficou assustado por nunca imaginar viver isso dentro de uma loja em público. “Foi um constrangimento absurdo e uma vergonha muito grande que eu senti. Trabalhei, estudei, sempre fui trabalhador, sempre prezei por nunca pegar o que é de ninguém, nunca fui leviano ou imoral a ponto de cometer um crime como esse e nesse dia fui confundido com um bandido”.

Ele solicitou aos policiais que lhe permitissem gravar um vídeo porque é o meu trabalho, apresentou a sua documentação e as pessoas da loja não me pediram desculpas. “Recebi até um pedido de desculpas dos policiais e a pessoa que solicitou a guarnição não me pediu desculpas pelo ocorrido. Me senti invadido. Eu, que já lidei com tantas matérias de racismo, quando está do outro lado é ainda pior. Sentir a dor de um irmão preto é forte, mas você sentir na pele como eu senti é ainda pior”, lamentou.

O jornalista tem provas do crime e na última sexta-feira (13), em que se comemora os 134 anos da Abolição da Escravatura, foi chamado a Delegacia para esclarecer os fatos. “A Polícia Civil está investigando e estou aberto a Justiça”.  

Palavra do advogado

O advogado do jornalista, Tiago Glicério, afirmou que esse é um tema que causa muita tristeza. Ele está acompanhando o caso. De imediato, segundo o advogado, foi lavrado o Boletim de Ocorrência. “Na semana passada estivemos na 1ª Delegacia de Polícia Civil onde Ferreira deu o seu depoimento e começou o processo de apresentação de provas. São áudios e vídeos”.

Tiago disse que agora o inquérito policial terá prosseguimento aos cuidados da delegada Ludmilla Vilas Boas, titular da 1ª DT. É ela que entrará contato com os representantes da empresa e seus prepostos, respeitando os princípios constitucionais do contraditório, para que prestem seus esclarecimentos para elucidar a situação. “Posteriormente o inquérito será encaminhado a Justiça e seguirá os tramites judiciais. Infelizmente, estamos no século XXI e mesmo passados 134 anos da Abolição da Escravatura, é triste vivermos situações semelhantes no nosso dia a dia. O cidadão de bem não pode se calar. A única forma de combatermos o racismo, preconceito racial, é buscando tomar as medidas legais plausíveis”, finalizou.

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