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Feira de Santana Caso Marcelo Felipe

Jovem morto em decorrência da intervenção da polícia militar em Feira de Santana não tinha histórico de envolvimento com crime

A investigação segue em segredo de Justiça

14/04/2022 14h50
Por: Reginaldo Junior Fonte: Redação
Jovem morto em decorrência da intervenção da polícia militar em Feira de Santana não tinha histórico de envolvimento com crime

Dados da Secretaria de Segurança Pública - SSP/BA -  emitidos pelo Centro de Documentação e Estatística Policial - CEDEP - da Polícia Civil, dão conta de que Marcelo Felipe Guerra dos Santos Rocha, morto a tiros, em decorrência da intervenção policial, em Feira de Santana, na noite de 1° de abril, não possui antecedentes criminais. 

Isso significa dizer que Marcelinho, como era popularmente conhecido, tinha ficha limpa e que nunca houve, ao longo dos 18 anos que viveu, um registro sequer de crime cometido em seu nome no banco de dados da Polícia Civil da Bahia. 

Marcelo Felipe foi morto sob a acusação de ter efetuado  disparos de arma de fogo  contra uma guarnição da polícia militar, mais precisamente do pelotão Asa Branca, na Avenida Presidente Dutra, em Feira de Santana. 

INVESTIGAÇÃO

O caso, que chocou  amigos, familiares, conhecidos  e clientes  da vítima, tanto pela forma que Marcelo Felipe  foi morto quanto pelo crime que a Polícia o acusa de ter cometido, está em fase de investigação pela Delegacia de Homicídios, que tem como titular o delegado Rodolfo Faro. 

Na segunda-feira seguinte ao fato (04/04) o delegado afirmou, à imprensa, que "após tomar conhecimento desta ocorrência com oitiva específica dos policiais militares envolvidos nesta ação que culminou na morte desta vítima, a delegacia irá realizar as diligências necessárias à apuração e verificação da veracidade de como ocorreu essa ação policial. As primeiras providências já estão sendo tomadas". 

A OITIVA DOS POLICIAIS ENVOLVIDOS NO DIA DO FATO

De acordo com o delegado, "foi registrado que ocorreu uma blitz na avenida Maria Quitéria e de que um veículo teria furado essa blitz e apreendido fuga. Teria acontecido uma perseguição, inclusive com colisão do veículo em outros veículos que se encontravam estacionados na via e, com a parada desse veículo, após danos acarretados nestas colisões, o condutor deste veículo teria desembarcado efetuando disparos contra os agentes públicos que revidaram essa suposta ação criminosa e que alvejou essa vítima que foi socorrida ao hospital Clériston Andrade e morreu em decorrência desses ferimentos".

Dra. Yasmim Carvalho, especialista na área criminal, advogada contratada pela família da vítima, afirmou que irá  recorrer de todas as formas admitidas por lei. "Serei  o braço direito nas investigações a fim de elucidar o fato e trazer justiça e limpar a imagem da vítima que foi devidamente manchada pelas acusações dos policiais condutores envolvidos, os quais agiram de forma arbitrária, sem preparo, como ficará provado no curso do inquérito", afirmou a advogada.

O corpo de Marcelo Felipe foi enterrado sob forte comoção e clamor por justiça na manhã do dia 03/04, no cemitério Jardim Celestial. A mãe e demais familiares estavam inconsoláveis e não conseguiram conceder entrevista. 

A trajetória de Marcelinho no ramo do empreendedorismo, apesar de curta, foi aplaudida por centenas de pessoas que acompanharam o sepultamento. "Era um menino promissor", afirmavam uns. "Tinha um futuro brilhante pela frente, infelizmente mataram um inocente trabalhador", comentavam outros em tom de lamento e revolta. 

Somente em uma de suas redes sociais, Marcelo Felipe era admirado por mais de 18 mil seguidores que acreditavam no trabalho que desenvolvia comercializando Iphone na Felipe Celulares, nome de sua loja virtual no Instagram com a qual estava reescrevendo a sua própria história de superação, já que, ano passado, foi diagnosticado com um transtorno psicótico. 

A investigação segue em segredo de Justiça.

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