No mês passado, as exportações baianas atingiram US$ 734,2 milhões (valor recorde para o mês desde 2012) e alta de 18,9% sobre janeiro de 2021. Mesmo assim, a balança comercial do estado teve déficit de US$ 787,7 milhões, devido ao incremento significativo das importações, que permanecem em alta, chegando a US$ 1,5 bilhão em janeiro, crescimento de 123,1% comparadas a igual mês de 2021. As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento (Seplan).
As compras externas permanecem turbinadas e concentradas em itens de energia, fertilizantes e medicamentos, em uma dinâmica parecida com a dos últimos meses de 2021. Somente o Gás Natural Liquefeito (GNL), usado para abastecer as usinas termoelétricas, teve aumento nas compras de 15.492% no mês, enquanto que os combustíveis como um todo registraram alta de 262,5% e corresponderam a 75,2% das importações baianas em janeiro. Isso reflete fatores estruturais que poderão manter as importações em ritmo de crescimento acima da demanda doméstica, ainda que a tendência dos desembarques seja de arrefecimento, dada a expectativa de baixo crescimento em 2022.
Nas exportações, o principal destaque foi a alta expressiva dos embarques de soja e derivados (235%), cuja safra teve colheita mais tardia no ano passado. Como resultado, as exportações agropecuárias totais aumentaram 62,5% no mês.
Já as exportações da indústria extrativa recuaram 58,5%, abaladas por reduções das vendas de magnesita e metais preciosas. Já a indústria de transformação acusou crescimento de 21%, sempre comparando-se ao mesmo mês de 2021.
Apesar de continuar a liderar como destino, as exportações para a China em janeiro tiveram redução de 24,1%, com perda de fôlego nos embarques de celulose, algodão, minerais e carnes de animais das espécies cavalar (em cumprimento à decisão da Justiça Federal, que decidiu suspender o abate de jumentos no Brasil para exportação à China).
Nenhum dos resultados de janeiro devem ser considerados como tendência. O ano de 2022 terá exportações ainda beneficiadas por preços de commodities relativamente altos, mesmo com acomodações, e por importações impactadas por demanda doméstica baixa, ainda que pressionada por inflação global e demanda por itens do grupo da energia.
A explosão nas importações deve arrefecer ao longo do primeiro semestre, tanto pelo lado da demanda doméstica, já que a disseminação da ômicron é fator de preocupação, como também pelo aperto monetário em curso e o panorama de incertezas, diante dos riscos fiscais e políticos, que devem se materializar em baixo dinamismo econômico, e que deve restringir as importações.
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