Questionado pelo presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, senador Omar Aziz (PSD-AM), se o presidente Jair Bolsonaro foi comunicado sobre o processo de investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco, o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel disse que falaria apenas em sessão sigilosa.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) pediu então o depoimento reservado de Witzel, mas o ex-governador disse que os “fatos são graves” e pediu que seja feito em outra data.
Um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, onde morava o policial reformado Ronie Lessa, afirmou, em depoimento, que o então deputado federal Jair Bolsonaro teria autorizado a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz. Jair Bolsonaro também tem residência no local.
Ronie Lessa e Élcio de Queiroz são apontados pelo Ministério Público como algozes de Marielle e do motorista Anderson Gomes
Depois, o porteiro voltou atrás na declaração.
Perseguição política
O ex-governador do Rio de Janeiro alegou ser vítima de "perseguição política", o que, segundo ele, teria começado após a prisão dos assassinos da vereadora Marielle Franco.
"Tudo começou porque mandei investigar sem parcialidade o caso Marielle. Quando foram presos os dois executores, a perseguição contra mim foi inexorável", afirmou.
Wilson Witzel disse que, após ser acusado pelo presidente de interferir na investigação da morte da vereadora Marielle para atingi-lo, não foi mais recebido pelo governo federal.
"A partir caso Marielle que o governo federal começou a retaliar. Nós tínhamos dificuldade de falar com os ministros e ser atendidos. Encontrei o ministro [Paulo] Guedes [da Economia]. Ele virou a cara e saiu correndo: "não posso falar com você", afirmou o ex-governador.
Witzel contou também que, em um encontro do ex-ministro Sergio Moro, ele não quis tirar foto, e disse que não poderia dar publicidade ao encontro.
"Moro me disse: ‘Witzel o chefe falou para você parar de falar que você quer ser presidente. E, se você não parar de falar que ser presidente, infelizmente, ele não vai te atender em nada’, disse o ex-governador, que teria respondido, "Moro, eu acho que você está no caminho errado. Se quer ser ministro do Supremo, não tem que fazer isso".
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