Mais de 1,5 milhão de pessoas trabalham por conta própria na Bahia sem possuir registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). O número faz parte dos novos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (23), e ajuda a dimensionar o tamanho do trabalho autônomo no estado.
Em 2025, a Bahia tinha 1,857 milhão de trabalhadores por conta própria. Desse total, 257 mil possuíam CNPJ, enquanto aproximadamente 1,6 milhão não tinham o registro. Com isso, a taxa de formalização chegou a 13,8%.
Apesar de ainda representar uma parcela pequena do total, o indicador apresentou crescimento em relação a 2024. Naquele ano, eram 1,606 milhão de trabalhadores por conta própria, dos quais 195 mil tinham CNPJ. A taxa de formalização era de 12,2%.
Avanço
O avanço significa que a quantidade de trabalhadores por conta própria formalizados cresceu em cerca de 62 mil pessoas em apenas um ano. A taxa aumentou 1,6 ponto percentual.
O movimento ocorre em um mercado de trabalho no qual o trabalho por conta própria tem peso significativo. São profissionais que atuam de forma independente em diferentes áreas, como comércio, alimentação, transporte, construção, beleza, manutenção e prestação de serviços.
A existência do CNPJ não significa que o trabalhador tenha carteira assinada. O registro está relacionado à formalização da atividade econômica desenvolvida por ele. Na prática, pode facilitar a emissão de nota fiscal, a prestação de serviços para empresas, o relacionamento com fornecedores e o acesso a determinadas operações financeiras e comerciais.
A diferença entre os trabalhadores formalizados e não formalizados também mostra que o desafio vai além da abertura de um registro. O universo dos autônomos reúne atividades de diferentes tamanhos e níveis de estrutura, desde pequenos negócios até profissionais que trabalham individualmente e têm a própria atividade como principal fonte de renda.
Distância da média nacional
A taxa baiana ficou em 13,8%, praticamente metade da registrada no Brasil, que chegou a 27,1% em 2025. O levantamento aponta que 19 das 27 unidades da Federação tiveram aumento na taxa de formalização entre 2024 e 2025.
Na Bahia, porém, o resultado de 2025 ainda ficou abaixo dos índices registrados nos dois anos anteriores. Em 2022, a taxa havia chegado a 15,7%. Em 2023, ficou em 14,2%, antes de recuar para 12,2% em 2024.
Entre os estados, Santa Catarina apresentou 41,4% de formalização, enquanto São Paulo registrou 39,4% e o Distrito Federal, 36,8%. A Bahia ficou com 13,8%.
O levantamento também revela diferenças entre homens e mulheres. Entre as trabalhadoras baianas por conta própria, 15,3% tinham CNPJ em 2025, enquanto entre os homens a taxa era de 13,1%. Em números absolutos, 95 mil mulheres e 161 mil homens estavam formalizados.
Dados
Os dados fazem parte do módulo Características Adicionais do Mercado de Trabalho, que também investiga a existência de CNPJ entre empregadores e trabalhadores por conta própria, local de trabalho, associação a sindicatos e participação em cooperativas.
O resultado de 2025 mostra, portanto, um cenário de crescimento da formalização, mas também a dimensão do trabalho autônomo ainda sem CNPJ na Bahia: de cada dez trabalhadores por conta própria no estado, aproximadamente nove permanecem sem registro empresarial.
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