A Bahia reduziu de forma expressiva o analfabetismo nas últimas três décadas, mas ainda convive com um contingente superior a 1,1 milhão de pessoas que não sabem ler nem escrever. Em 2025, o estado tinha 1,145 milhão de pessoas analfabetas com 15 anos ou mais, o maior número absoluto entre as unidades da Federação, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A taxa baiana chegou a 9,5% no ano passado, quase o dobro da média nacional, de 4,9%. No Brasil, 8,384 milhões de pessoas permaneciam nessa condição. A Bahia apresentava a oitava maior taxa de analfabetismo do país.
Os números são divulgados às vésperas do Dia Mundial da Alfabetização, celebrado na próxima terça-feira (8). A data busca reforçar, junto a governos e à sociedade, a necessidade de garantir o direito à leitura e à escrita como base para a cidadania.
“Em 1991, pouco mais de um terço da população baiana de 15 anos ou mais de idade (35,3%) não era alfabetizada. O índice caiu para 23,1% em 2000, 16,6% em 2010 e 12,6% em 2022, chegando a 9,5% em 2025”, aponta o instituto.
A trajetória mostra uma queda contínua ao longo das últimas décadas, mas ainda deixa a Bahia em uma posição desfavorável no cenário nacional. Mesmo com a redução da taxa, o estado permanece com o maior contingente absoluto de pessoas não alfabetizadas do país.
“Os desafios para a erradicação do analfabetismo se mostram bastante disseminados pela Bahia, onde 9 em cada 10 municípios (356 de um total de 417, ou 85,4% do total) tinham, em 2022, taxas de analfabetismo maiores do que a do estado como um todo (12,6%)”, destaca o IBGE.
Os maiores percentuais estavam concentrados no semiárido. Pedro Alexandre liderava o levantamento, com taxa de 31,9%, seguido de Coronel João Sá, com 31,7%, e Ribeira do Amparo, com 30,7%.
Na outra ponta, os menores índices se concentravam principalmente na Região Metropolitana de Salvador. Entre os dez municípios com menor taxa, oito estavam na região. Salvador apresentava o menor percentual do estado, de 3,5%, seguida por Lauro de Freitas, com 3,7%, e Madre de Deus, com 4,4%.
Luís Eduardo Magalhães, com 4,7%, e Feira de Santana, com 6,6%, eram as únicas cidades fora da Região Metropolitana entre os dez municípios com menores taxas de analfabetismo no estado.
Desafio maior entre idosos
O recorte por idade ajuda a explicar parte da permanência do analfabetismo na Bahia. Em 2025, seis em cada dez pessoas não alfabetizadas no estado tinham 60 anos ou mais. Eram 718 mil idosos, o equivalente a 62,7% de todos os baianos que não sabiam ler nem escrever.
Entre a população idosa, a taxa de analfabetismo chegava a 28,5%. Isso significa que quase três em cada dez baianos com 60 anos ou mais não conseguiam ler ou escrever um bilhete simples, critério utilizado pelo IBGE para identificar a condição de alfabetização.
Os dados também revelam diferenças por sexo. Embora representassem 47,5% da população com 15 anos ou mais, os homens correspondiam a 51,4% das pessoas não alfabetizadas, ou 588 mil indivíduos. A taxa de analfabetismo masculina era de 10,3%, contra 8,8% entre as mulheres.
Também há diferença por cor ou raça. Na Bahia, a taxa de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas era de 9,8%, acima dos 8,3% registrados entre pessoas brancas.
Os números mostram que, embora o estado tenha reduzido de forma consistente a proporção de pessoas que não sabem ler e escrever, o desafio ainda se mantém elevado e distribuído de maneira desigual pelo território. A concentração entre idosos, municípios do interior, homens e população preta ou parda reforça que a erradicação do analfabetismo ainda depende de políticas direcionadas a grupos e regiões mais vulneráveis.
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