A cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, volta a ser palco de uma das mais emblemáticas celebrações da cultura afro-brasileira com a realização da Festa de Nossa Senhora da Boa Morte. Entre os dias 12 e 17 de agosto, a Irmandade da Boa Morte promove uma programação que une devoção, memória ancestral e manifestações culturais, atraindo moradores, pesquisadores, turistas e fiéis de diversas regiões do país.
As atividades tiveram início na quarta-feira (12) com a tradicional romaria que conduz a imagem de Nossa Senhora da Boa Morte da residência da provedora até a sede da Irmandade. No mesmo dia, foi reinaugurado o Memorial da Irmandade, espaço dedicado à preservação da história da confraria, que passa a receber a exposição "Senhoras da Liberdade", composta por fotografias de Pierre Verger e documentos históricos que retratam a trajetória das irmãs.
Na quinta-feira (13), a programação é marcada pelo traslado da esquife de Nossa Senhora da Boa Morte da Capela D'Ajuda para a Capela da Irmandade. À noite, acontece a Missa de Réquiem em homenagem às irmãs falecidas, com tributo especial à Irmã Jorlanda Freitas (Delessi), seguida da tradicional Ceia Branca, um dos momentos mais simbólicos da celebração.
O ponto alto da festa religiosa será na sexta-feira (14), Dia de Nossa Senhora da Boa Morte. A Missa Solene, celebrada à noite, antecede a tradicional Procissão do Enterro, cerimônia que representa a passagem de Maria e reúne centenas de pessoas pelas ruas do Centro Histórico de Cachoeira.
No sábado (15), dedicado a Nossa Senhora da Glória, as comemorações começam ainda ao amanhecer com a Alvorada Festiva. Em seguida, a Irmandade realiza um cortejo até a Igreja Matriz, onde será celebrada a missa festiva e empossada a comissão organizadora da edição de 2027. Após a celebração, os fiéis participam da procissão pelas principais ruas da cidade.
Além da programação religiosa, o sábado concentra diversas atividades culturais e gastronômicas. A tradicional Valsa das Irmãs abre as celebrações do dia, seguida da distribuição da famosa feijoada oferecida pela Irmandade. Durante a tarde e a noite, grupos de samba de roda e manifestações da cultura afro-baiana animam a programação, com apresentações do Samba de Roda Esmola Cantada, Samba de Roda de Dona Dalva e Grupo Afro Barroco Jeje Nagô.
A celebração prossegue no domingo (16), quando será servido o tradicional cozido na sede da Irmandade, acompanhado por apresentações do Samba de Roda da Rua da Feira e do grupo Filhos do Caquende.
O encerramento acontece na segunda-feira (17), com a distribuição do tradicional caruru e apresentação do Samba de Roda Filhos da Barragem, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e reafirma a importância da cultura afro-brasileira para a identidade de Cachoeira e de todo o Recôncavo Baiano.
Reconhecida nacional e internacionalmente, a Festa de Nossa Senhora da Boa Morte é considerada um dos mais importantes patrimônios culturais da Bahia. A celebração preserva costumes seculares, valoriza a memória das mulheres negras que fundaram a Irmandade e reafirma o papel da fé e da ancestralidade como elementos fundamentais da história e da resistência cultural brasileira.
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