Desde a consolidação da emenda da reeleição no fim dos anos 1990, apenas três nomes conseguiram governar o Estado por dois mandatos. A história política recente da Bahia carrega uma marca de estabilidade e hegemonia nas urnas.
Desde que a reeleição para cargos executivos no Brasil foi permitida, no final dos anos 1990, o Palácio de Ondina testemunhou momentos em que o eleitorado baiano optou por dar continuidade direta a projetos de governo.
Apenas três lideranças políticas conquistaram a façanha de governar a Bahia em mandatos consecutivos: César Borges, Jaques Wagner e Rui Costa.
A trajetória de César Borges no comando do Executivo estadual começou por um movimento de transição. Vice-governador na chapa de Paulo Souto, ele assumiu o Palácio Ondina em abril de 1998, após a renúncia do titular para a disputa ao Senado.
No mesmo ano, aproveitando o momento de visibilidade e a força da base aliada, disputou a eleição direta e foi eleito para o mandato completo subsequente (1999–2002), tornando-se o primeiro gestor no estado a se beneficiar da regra da reeleição e cumprir um ciclo contínuo.
Engenheiro civil formado pela UFBA, Borges iniciou a trajetória na gestão pública como presidente da JUCEB e secretário de Recursos Hídricos nos anos 1990. Já no exercício do cargo, venceu as eleições estaduais de 1998 em primeiro turno pelo PFL. O governo priorizou o equilíbrio fiscal, atração de indústrias e infraestrutura viária. Renunciou em abril de 2002 para disputar o Senado Federal, cargo para o qual foi eleito (2003–2011). Anos mais tarde, rompeu com a base carlista tradicional, migrou para o PR e chegou a ser Ministro dos Transportes e dos Portos no governo Dilma Rousseff.
Em 2006, Jaques Wagner protagonizou um dos capítulos mais marcantes da política baiana ao vencer as eleições no primeiro turno, encerrando décadas de domínio do carlismo.
A gestão (2007–2010) garantiu alta aprovação popular, o que se converteu em uma reeleição tranquila em 2010 (2011–2014), novamente liquidada no primeiro turno. Wagner não apenas se reelegeu, mas fincou as bases do grupo político que passaria a dominar o estado pelas décadas seguintes.
Carioca radicado na Bahia, iniciou a trajetória na liderança sindical do Polo Petroquímico de Camaçari e na fundação do PT na Bahia. Foi deputado federal por três mandatos e ministro do Trabalho e das Relações Institucionais no primeiro governo Lula.
Em 2006, contrariando as pesquisas, venceu o então governador Paulo Souto no 1º turno com 52,89% dos votos. O resultado encerrou mais de 16 anos de hegemonia direta do carlismo no estado. Apoiado por alta aprovação popular e pela aliança nacional com o governo federal, foi reeleito em 1º turno com 63,83% dos votos válidos, derrotando Paulo Souto e Geddel Vieira Lima.
O mandato consolidou a expansão de programas sociais e de infraestrutura regional. Desdobramentos: Tornou-se Ministro da Defesa e Chefe da Casa Civil no governo Dilma Rousseff. Em 2018, foi eleito senador pela Bahia e assumiu posteriormente a liderança do governo Lula no Senado Federal.
Sucessor político de Jaques Wagner, Rui Costa assumiu o governo em 2015 após vencer o pleito de 2014. Com um perfil fortemente voltado para a gestão de obras e infraestrutura, Rui construiu um patamar de popularidade expressivo.
O resultado veio nas urnas em 2018, quando foi reeleito para o período 2019–2022 com uma votação histórica: mais de 75% dos votos válidos no primeiro turno, uma das maiores margens de vitória da história política da Bahia.
Economista formado pela UFBA e ex-sindicalista, Rui iniciou na política comunitária na Enseada do Cabrito, em Salvador. Foi vereador de Salvador, deputado federal e secretário-chefe da Casa Civil durante o segundo mandato de Jaques Wagner.
Lançado como sucessor de Wagner em 2014, venceu a disputa no primeiro turno contra Paulo Souto. Marcado pelo estilo de gestão focado em obras públicas, como expansão do metrô, construção de hospitais regionais e policlínicas, foi reeleito em 2018 no 1º turno com 75,50% dos votos válidos, o maior percentual de votação para governador na história do estado.
Ao encerrar o mandato com alta aprovação em 2022, ajudou a eleger seu sucessor, Jerônimo Rodrigues (PT). Em janeiro de 2023, assumiu o cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil do governo federal.
Se a reeleição direta é um fenômeno relativamente recente, o desejo do eleitorado baiano por lideranças conhecidas é antigo. Antes da liberação constitucional para mandatos em sequência — ou por dinâmicas de revezamento do próprio grupo político —, grandes nomes da história baiana governaram o estado em períodos alternados:
J. J. Seabra (1912–1916 | 1920–1924) - figura central da Primeira República na Bahia, responsável por grandes reformas urbanas na capital.
Juracy Magalhães (1931–1937 | 1959–1963) - governou primeiro como interventor/eleito na Era Vargas e retornou quase três décadas depois pelo voto direto.
Antônio Carlos Magalhães (ACM) (1971–1975 | 1979–1983 | 1991–1994) - o único a governar a Bahia por três vezes em décadas distintas, marcando o ciclo conhecido como "Carlismo".
Paulo Souto (1995–1998 | 2003–2006) - liderança do PFL que governou em dois momentos, interrompido justamente pelo período de César Borges.
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