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Política Eleições 2026

Federações e fusões redesenham arco de alianças de Jerônimo e ACM Neto

Site realizou análise do arco de alianças dos candidatos na Bahia neste ano.

25/07/2026 08h08
Por: Karoliny Dias Fonte: A Tarde
Foto: Reprodução / A Tarde
Foto: Reprodução / A Tarde

A “sopa de letrinhas” composta pelas coligações partidárias segue desempenhando um papel fundamental no processo eleitoral brasileiro e ganhou novos contornos após a legislação aplicada a partir de 2022. Nos últimos quatro anos, siglas se fundiram — criando e extinguindo partidos —, federações foram consolidadas e posicionamentos políticos foram recalculados, influenciando diretamente o arco de alianças dos candidatos para as eleições deste ano.

Uma sigla a mais na coligação não garante vitória por si só, mas funciona como um claro indicativo da musculatura política do respectivo postulante. Prova disso é que, na Bahia, os dois principais nomes na disputa pelo Governo do Estado, Jerônimo Rodrigues (PT), em busca da reeleição, e ACM Neto (União Brasil), reúnem a esmagadora maioria das legendas estruturadas em suas bases aliadas.

O atual governador conseguiu manter e até ampliar sua sustentação política desde a última eleição. O PDT, por exemplo, deixou o grupo de ACM Neto para integrar a aliança com Jerônimo neste ano. Em contrapartida, o ex-prefeito de Salvador fortaleceu os laços com o Progressistas — que hoje forma uma federação com o seu partido — e se alinhou politicamente ao PL no cenário estadual.

Para organizar essa engenharia partidária, a reportagem do portal A TARDE realizou uma análise detalhada do arco de alianças dos principais candidatos ao Palácio de Ondina e montou um apanhado das composições governistas e oposicionistas. Confira:

O governo

A base aliada de Jerônimo

O governador preservou o núcleo de legendas que o apoiou e ampliou seu arco de alianças em comparação com 2022. Neste ano, Jerônimo conta com o PDT e o DC como novidades entre os seus partidos aliados. Assim, a gestão petista saiu de sete siglas aliadas nas eleições realizadas há quatro anos para nove legendas na disputa de 2026.

Confira as legendas que atualmente compõem a coligação:

  • Federação Brasil da Esperança (PT - PCdoB - PV)
  • MDB
  • Avante
  • PSD
  • PSB
  • PDT
  • DC

O cenário de 2022 era composto por:

  • Federação Brasil da Esperança (PT - PCdoB - PV)
  • MDB
  • Avante
  • PSD
  • PSB

A chegada do PDT

Novidade no arco de Jerônimo, o PDT ingressou na base aliada após uma relação conturbada com o grupo de ACM Neto. Segundo o presidente estadual da sigla, o deputado federal Félix Mendonça Júnior, a mudança foi motivada por solicitações dos próprios prefeitos filiados.

Contudo, outro fator determinante foi a insatisfação da direção partidária com a desfiliação da prefeita de Lauro de Freitas, Débora Régis (União Brasil), durante as articulações das eleições municipais de 2024. A gestora era filiada ao PDT, mas migrou para a legenda de ACM Neto na reta final das filiações.

Agora, fortalecido na estrutura do Governo do Estado, o PDT projeta expandir sua presença na Bahia. De acordo com a direção estadual, a meta é eleger até seis deputados na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) nas eleições deste ano.

Para atingir o objetivo, o partido estruturou uma chapa proporcional competitiva, composta por nomes conhecidos e por lideranças egressas da antiga Federação PRD-Solidariedade. Entre os pré-candidatos do PDT figuram o deputado Marcinho Oliveira (ex-União Brasil), influente na região do Sisal; o deputado Pancadinha (ex-Solidariedade), ex-vereador de Itabuna; e o Pastor Tom (ex-Solidariedade), ex-deputado estadual com reduto em Feira de Santana.

A composição do PDT demonstra a expansão da base governista por diferentes regiões do interior baiano, elemento que traz impacto direto à disputa majoritária, dado o efeito multiplicador de uma chapa proporcional forte. Representantes de municípios como Euclides da Cunha, Teixeira de Freitas, São Sebastião do Passé e Cairu também integram a nominata pedetista neste ano.

PSD dominante e Avante incrementado

Falando sobre o interior, além do reforço do PDT, Jerônimo conta com os dois partidos que mais elegeram prefeitos nas eleições municipais de 2024. Apenas o PSD (115) e o Avante (60) comandam quase metade das prefeituras da Bahia, liderando 42% das cidades, principalmente no interior do estado.

Líder de prefeituras, o PSD, comandado pelo senador Otto Alencar, é considerado a principal legenda aliadas ao governo. Além da estrutura fortificada nos Executivos municipais, o partido não deixa a desejar com sua representação no Legislativo, elegendo 20% do total de vereadores da Bahia em 2024, além de ter a maior bancada da Assembleia Legislativa (Alba), junto do PT, com 10 deputados.

O outro destaque fica para o Avante, liderado pelo ex-deputado federal, Ronaldo Carletto, que será primeiro suplente do pré-candidato ao Senado, Rui Costa. Após a chegada de egressos do Progressistas, a legenda foi incrementada com o apoio do Governo do Estado e se encontra mais fortalecida em relação a 2022. O partido tem a segunda maior quantidade de vereadores da Bahia, com cerca de 10%, além da quarta maior bancada de deputados na Alba, com sete parlamentares.

O papel da federação

Pensado para a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) se consolidou na base de sustentação do governo de Jerônimo Rodrigues. Em reuniões do conselho político, dirigentes e lideranças dos partidos costumam colaborar estrategicamente no alinhamento eleitoral para a reeleição do petista.

Além disso, a composição comanda pastas estratégicas dentro da gestão, como a Secretaria do Emprego, Trabalho, Renda e Esporte (Setre), do ex-vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB), e a Secretaria de Turismo (Setur), comandada por Maurício Bacelar, irmão do deputado federal João Carlos Bacelar (PV).

Lideranças de partidos da base do governoLideranças de partidos da base do governo - Foto: Divulgação

A oposição

Quebra de hegemonia

Formando uma coalizão da direita baiana, ACM Neto vem para 2026 na tentativa de encerrar o ciclo de 20 anos do PT no comando do governo da Bahia. Para este ano, o ex-prefeito de Salvador tem apostado em um discurso de união das forças de oposição e ampliação da participação do interior para desbancar a reeleição de Jerônimo Rodrigues.

Apesar das perdas de PDT e DC, com a desistência da candidatura do Partido Novo e a aliança com o PL, Neto conseguiu novas alianças para sua coligação e, até o momento, unir as legendas de oposição na Bahia. Desde 2022, ele também fortaleceu os laços com o Republicanos e Progressistas, este que formou uma federação com o União Brasil em agosto de 2025.

Confira como está o cenário atualmente:

  • Federação União Progressista (União Brasil - Progressistas)
  • Federação Renovação Solidária (PRD - Solidariedade)
  • Federação PSDB Cidadania (PSDB - Cidadania)
  • PL
  • Podemos
  • Republicanos
  • PRTB
  • Novo
  • Mobiliza

O cenário de 2022 era composto por:

  • União Brasil
  • Federação PSDB Cidadania (PSDB/Cidadania)
  • Republicanos
  • PP
  • Solidariedade
  • Podemos
  • PMN - Extinto e se tornou o Mobiliza
  • PTB - Extinto e se tornou o PRD
  • PSC - Extinto e se incorporou ao Podemos
  • DC - Migrou para a base de Jerônimo
  • PDT - Migrou para a base de Jerônimo

O peso do PL de João Roma na polarização do palanque baiano

A relação entre João Roma e ACM Neto, até então abalada após os debates de 2022, foi pacificada e se tornou um dos pilares da campanha deste ano. O presidente do PL tem a missão de trazer os votos bolsonaristas, os quais são necessários para uma possível vitória, ao ex-prefeito de Salvador, mas sem o vincular diretamente à imagem do pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Em razão das discussões durante a campanha de 2022, ACM Neto não recebeu um apoio formal do PL no segundo turno. Além da relação abalada, Roma realizou cobranças para que o ex-prefeito de Salvador saísse de “cima do muro” em relação a eleição nacional e declarasse apoio à candidatura de Jair Bolsonaro (PL), algo que Neto não atendeu.

No primeiro turno, João Roma, que era candidato a governador, recebeu 738.311 votos. A ausência dessa transferência direta fez falta a Neto na etapa final, visto que a diferença entre os dois postulantes ao Palácio de Ondina no segundo turno girou em torno de 463 mil votos.

Agora, o cenário mudou. Não há uma cobrança pública de apoio ao bolsonarismo e Neto se agarrou à candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) como seu palanque nacional. Afinal, há o entendimento de que, para vencer Jerônimo, Neto precisa equilibrar a balança e conquistar votos dos lulistas, — maioria absoluta da Bahia —, da direita equilibrada, mas também dos bolsonaristas do estado.

Lideranças atuais e figuras históricas

Formada a partir de um arranjo nacional, a União Progressista se tornou uma das principais forças políticas na Bahia. O PP perdeu dois deputados federais e quatro estaduais em razão da aliança, mas se mantém como um partido tradicional com extrema influência no interior do estado e é uma das potências da campanha de ACM Neto.

Fora da chapa, como destaque, há o prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Júnior Marabá (PP), atual principal figura política do oeste baiano. Apesar da decisão inicial de permanecer “isento” nas eleições estaduais, o gestor voltou atrás e aderiu à campanha de ACM Neto este ano e pode ser um diferencial na disputa.

Outro reforço decisivo do PP, dessa vez na chapa majoritária, é o pré-candidato a vice-governador e ex-prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), que é uma liderança no Médio Rio de Contas e do Vale do Jiquiriçá. Ademais, o Progressistas conta com a figura histórica de João Leão, um dos símbolos políticos de Lauro de Freitas, chegando a ser prefeito da cidade, e foi ex-vice-governador durante os dois mandatos do governador Rui Costa (2014-2023).

Por fim, vale destacar também que a União Progressista formou um bloco de 80 prefeitos filiados às duas legendas, o que também pode ser um diferencial para a disputa.

Reforços de peso e a Universal

Em relação ao Republicanos, o partido ganhou reforços de peso para a disputa deste ano. Os destaques ficam para as filiações do senador Angelo Coronel (ex-PSD) e do deputado federal Leo Prates (ex-PDT). Enquanto Coronel representa uma força municipalista e tem influência com lideranças políticas no interior, Prates foi, disparado, o parlamentar mais bem votado em Salvador, com mais de 88 mil votos.

Ademais, a legenda possui o incremento com lideranças religiosas da Igreja Universal do Reino de Deus. Inclusive, o presidente estadual do partido, deputado federal Márcio Marinho, é bispo da instituição religiosa. Válido ressaltar, concordando com a movimentação ou não, que há um crescimento constante no foco de campanhas políticas em adentrar o universo religioso como uma forma de aproximação da população e, consequentemente, angariação de votos.

Chapa majoritária de ACM NetoChapa majoritária de ACM Neto - Foto: Divulgação
Terceira via

Demais candidaturas

Em um cenário de extrema polarização nacional, mas também local, a Bahia deve ter o menor número de candidatos ao governo neste século. Além de Jerônimo e Neto, até o momento, há apenas mais duas candidaturas previstas para a disputa pela gestão estadual. Um detalhe é que ambas representam movimentos mais à esquerda em relação ao PT.

O principal nome da terceira via é o do presidente estadual do PSOL, Ronaldo Mansur. A legenda forma uma federação com o Rede Sustentabilidade. A outra candidatura é do professor Aroldo Félix, pelo Unidade Popular pelo Socialismo (UP).

Impacto Nacional

Arranjos nacionais e força de Lula

A formação de federações, como o caso da União Progressista e Brasil da Esperança, são arranjos pensados no plano nacional, mas que impactam na formação das chapas e nos apoios das eleições estaduais. O PP, por exemplo, que chegou a ensaiar um retorno à base governista, ficou sem saída após a nova composição e ingressou de vez na oposição.

Contudo, o embate nacional vai além das federações, visto que a disputa pelo Palácio de Ondina tem sido cada vez mais vinculada ao embate presidencial. A nacionalização do Lulismo x Bolsonarismo deve ser explorado, principalmente, pela campanha de Jerônimo Rodrigues, aliado do presidente Lula na Bahia, assim como foi feito em 2022.

O estado é considerado uma região estratégica para os petistas, tendo sido fundamental para a vitória do presidente durante a campanha contra Jair Bolsonaro há quatro anos. Prova disso é que Lula superou o então presidente em 415 das 417 cidades baianas, somando mais de 72% dos votos válidos da Bahia.

Lula é "trunfo" de Jerônimo na eleiçãoLula é "trunfo" de Jerônimo na eleição - Foto: Uendel Galter | Ag A TARDE

A vinda de Lula para a convenção de Jerônimo no dia 1º de agosto, inclusive, faz parte da estratégia de fazer o eleitor relacionar as imagens (e os votos) dos dois candidatos. O movimento também visa afastar o voto Neto-Lula, que deve ser explorado também pela oposição. Conforme informações obtidas pelo A TARDE com membros da campanha, Neto deve “deixar” rolar os votos casados com o presidente petista.

Para além de Neto-Lula, o candidato da oposição tem apoios explícitos de presidenciáveis ao seu nome. Flávio Bolsonaro e Caiado já declararam que apoiam o ex-prefeito de Salvador. Contudo, os dois não possuem uma estrutura política consolidada na Bahia e, na verdade, no caso do apoio público de Flávio, pode ocasionar no afastamento dos votos estratégicos do eleitorado lulista por uma possível relação de Neto com o campo bolsonarista.

Neto evita palanque com Flávio BolsonaroNeto evita palanque com Flávio Bolsonaro - Foto: Raul Spinassé | Ag A TARDE

Em suma, a nacionalização da eleição desfavorece a candidatura da oposição. ACM Neto pode ficar refém e encurralado por depender de votos de espectros políticos opostos, que não dialogam. Ademais, apesar de ter um palanque nacional com Caiado, há a dificuldade em competir com um candidato que se ancora em um presidente votado por 72% dos baianos na última eleição.

Qual é o impacto das coligações partidárias nas eleições para governador da Bahia?

As coligações, como a recente aliança entre partidos, podem reforçar a base aliada de um candidato, tornando-o mais competitivo. Elas influenciam diretamente a musculatura política dos postulantes e suas chances de vitória.

Como a nova legislação eleitoral afetou as alianças políticas na Bahia?

A legislação de 2022 levou à formação de federações e fusões de partidos, que redefiniram as alianças políticas. Isso resultou em um cenário mais dinâmico, com novos arranjos entre candidatos.

Quais partidos compõem a coligação de Jerônimo Rodrigues para as próximas eleições?

A coligação de Jerônimo Rodrigues conta com nove partidos, incluindo a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV), além de MDB, Avante, PSD, PSB, PDT e DC.

Quem são os principais adversários de Jerônimo Rodrigues na eleição estadual?

Os principais opositores de Jerônimo são ACM Neto, do União Brasil, e outras candidaturas da esquerda, como Ronaldo Mansur do PSOL. A disputa está polarizada entre candidatos com diferentes visões políticas.

O que caracteriza a federação entre o União Brasil e os Progressistas?

Essa federação, composta pelo União Brasil e Progressistas, representa uma coalização da direita baiana. O objetivo é unir forças políticas para derrotar o PT, que tem domínio há 20 anos no estado.

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