As ligações clandestinas de água, popularmente conhecidas como "gato de água", continuam representando um dos principais desafios para o sistema de abastecimento na Bahia. Além de configurar crime previsto na legislação brasileira, a prática provoca desperdício de água tratada, aumenta as perdas operacionais, compromete o fornecimento para consumidores regulares e pode colocar em risco a qualidade da água distribuída à população.
Levantamento da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) aponta que, em 2025, foram identificadas cerca de 36,5 mil irregularidades em ligações de água em situação ativa, inativa e clandestina em todo o estado. Somente neste ano, até o momento, já foram registradas mais de 25 mil ocorrências.
Os números são resultado das ações permanentes de fiscalização realizadas pela concessionária para combater fraudes e reduzir as perdas de água nos sistemas de abastecimento operados pela empresa. As inspeções buscam identificar ligações clandestinas, adulterações em hidrômetros e outras intervenções irregulares na rede de distribuição.
Embora, nos últimos anos, muitas famílias tenham enfrentado dificuldades financeiras e acumulado contas de água em atraso, levando inclusive à suspensão do fornecimento em alguns casos, a Embasa ressalta que recorrer a ligações clandestinas não é uma alternativa. Além de ilegal, a prática gera impactos que atingem toda a coletividade.
Desvio
Segundo a empresa, o desvio irregular de água reduz o volume disponível para os imóveis abastecidos regularmente e pode provocar queda na pressão da rede, comprometendo o fornecimento principalmente em áreas mais altas ou localizadas nas extremidades do sistema de distribuição.
Outro prejuízo está relacionado à própria infraestrutura do abastecimento. Intervenções realizadas sem critérios técnicos podem causar vazamentos, rompimentos de tubulações e aumento das perdas de água tratada. Além disso, alterações clandestinas favorecem a entrada de terra, resíduos e outros materiais na rede, elevando o risco de contaminação da água distribuída.
A concessionária alerta que qualquer intervenção no hidrômetro ou na rede pública com o objetivo de furtar água caracteriza crime. A conduta está sujeita às penalidades previstas no artigo 155 do Código Penal Brasileiro, que enquadra o furto de água como crime contra o patrimônio, podendo resultar em pena de reclusão, além da aplicação de multa.
Para reduzir esse tipo de ocorrência, a Embasa mantém equipes de fiscalização em diversas regiões do estado, realizando inspeções periódicas e apurando denúncias feitas pela população. O objetivo é identificar fraudes, regularizar ligações e minimizar os prejuízos provocados pelos desvios de água.
Paralelamente às ações de fiscalização, a empresa afirma disponibilizar alternativas para que consumidores em situação de inadimplência regularizem seus débitos sem recorrer à ilegalidade. Entre as opções estão modalidades de negociação e parcelamento das contas, inclusive com condições específicas destinadas a famílias de baixa renda.
Orientação
A orientação é que clientes com dificuldades para quitar as faturas procurem os canais oficiais de atendimento antes que o abastecimento seja interrompido. O serviço está disponível pelo Atendimento Virtual da Embasa, pelo telefone 0800 055 195 e nas unidades presenciais distribuídas pelo estado.
Especialistas em saneamento destacam que combater as ligações clandestinas é uma medida essencial para garantir a eficiência dos sistemas de abastecimento e preservar um recurso cada vez mais estratégico. Quando parte da água tratada é desviada de forma irregular, toda a operação é impactada, exigindo investimentos adicionais em manutenção, fiscalização e reposição da infraestrutura danificada.
Além dos prejuízos financeiros, as perdas comprometem a sustentabilidade dos sistemas públicos de abastecimento e afetam diretamente consumidores que utilizam o serviço de forma regular. A conscientização da população e a denúncia de irregularidades são apontadas como medidas importantes para reduzir esse tipo de prática e garantir uma distribuição mais segura e equilibrada da água tratada
A Tribuna da Bahia solicitou à Embasa informações sobre os municípios baianos com maior número de ligações clandestinas, a situação específica de Salvador, os bairros da capital com mais ocorrências, além da quantidade de pessoas notificadas ou presas em decorrência da prática. No entanto, até o fechamento desta edição, a empresa encaminhou apenas os dados consolidados para todo o estado e não disponibilizou o detalhamento das informações solicitadas.
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