A permanência do senador Jaques Wagner (PT) na liderança do governo no Senado parece ter chegado ao limite. Após dias de resistência e diante da escalada da crise provocada pela Operação Compliance Zero, aliados próximos do parlamentar passaram a defender que a saída do cargo o quanto antes seria a alternativa menos danosa para o governo e para a campanha de reeleição do presidente Lula (PT). A expectativa é de que Wagner comunique a saída aos dirigentes do partido e converse com o presidente, nos próximos dias, para formalizar a decisão.
Nos bastidores do Planalto, a avaliação é de que a manutenção do senador no posto transformou uma investigação individual em um problema político para o governo. Interlocutores do presidente afirmam que Lula acompanhou de perto os desdobramentos da operação e foi informado no fim de semana de que Wagner já havia se convencido da necessidade de deixar a liderança. A interpretação no entorno presidencial é de que o gesto pode ajudar a conter a crise e evitar que o caso continue monopolizando a agenda política.
Outro fator que pesou na mudança de cenário foi a repercussão das imagens da investigação divulgadas pela Polícia Federal e das suspeitas relacionadas a um apartamento de alto padrão em Salvador. Auxiliares palacianos relatam que o presidente teria se sentido surpreendido pelas revelações. Segundo interlocutores, Wagner havia assegurado em conversas reservadas que não havia elementos que justificassem uma ação da PF contra ele. A percepção no governo é de que os fatos tiveram impacto maior do que o inicialmente imaginado.
A entrevista concedida pelo senador à BandNews poucas horas após a ação da PF para rebater as acusações também foi alvo de críticas reservadas. Integrantes do entorno de Lula classificaram a estratégia de comunicação como equivocada e consideraram que a manifestação pública acabou ampliando o desgaste político. Embora Wagner sustente que os recursos apreendidos são provenientes de diárias de missões oficiais e negue qualquer irregularidade envolvendo o imóvel citado nas investigações, a avaliação predominante no Planalto é de que as explicações não conseguiram conter a repercussão negativa.
No PT, dirigentes e lideranças da Bahia atuaram nos últimos dias para convencer o ex-governador a deixar a função. A leitura é que o afastamento pode preservar a relação histórica entre Lula e um de seus principais aliados, além de impedir que a oposição continue explorando o caso no Congresso. Parlamentares próximos ao chefe do Executivo admitem, reservadamente, que a crise tem potencial para contaminar as articulações do governo no Senado e prejudicar a agenda legislativa no segundo semestre.
Nos corredores do Congresso, já começou a disputa pela sucessão. Entre governistas, há quem defenda a escolha de um nome de perfil mais técnico e menos identificado com as correntes internas do PT, enquanto outra ala considera essencial manter um aliado político de confiança do presidente no comando da articulação com os senadores.
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