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Pix entra no centro da mira dos EUA em novo capítulo de tensão

A crise diplomática ganhou novos contornos com a edição de uma medida anunciada pelo Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

15/06/2026 07h57
Por: Karoliny Dias Fonte: Correio Braziliense
Foto: Alan Santos/PR
Foto: Alan Santos/PR

A relação entre Brasil e Estados Unidos é marcada por momentos de acusações e tentativas de aproximação desde o início do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, em janeiro do ano passado. A crise diplomática ganhou novos contornos com a edição de uma medida anunciada pelo Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. 

Apesar de não ser a primeira taxação aplicada pelo governo Trump desde o início de seu mandato aos produtos brasileiros, ela evidencia a insatisfação dos norte-americanos em relação ao uso do Pix no país e 'compra a briga' das empresas que operam com cartões de crédito, como Visa e MasterCard. O USTR acusa o governo brasileiro e o Banco Central de colocar essas empresas em "desvantagem injusta" em relação ao sistema de pagamentos instantâneo que opera no país. 

"O papel duplo do Banco Central brasileiro como regulador e proprietário/operador do Pix cria um conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas. O banco tem atuado como regulador de forma a prejudicar prestadores norte-americanos de serviços de pagamentos eletrônicos e favorecer o Pix", destacou, na decisão proferida no último dia 1º, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

O governo dos EUA também destaca, no documento, que o BC determina o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas e exige que ele seja exibido na tela principal dos aplicativos desses bancos, como uma das justificativas para editar a medida de retaliação. Vale destacar que a tarifa de 25% ainda não está em vigor e que deve passar por um processo de consulta pública e análise pelo governo norte-americano até a primeira quinzena de julho.

Em resposta ao USTR, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alfinetou os Estados Unidos e disse que "o Pix assusta eles", quando participava de um evento no interior de Goiás, logo após a edição da medida. O chefe do Executivo também comprou a ideia de uma "rixa" entre as empresas de cartão de crédito e o sistema de pagamentos instantâneos.

"A preocupação dos norte-americanos é de que o Pix pode abalar muito as empresas do cartão de crédito deles que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso; e o Pix vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça, é público e ninguém paga nada. É só clicar no Pix e está resolvido o nosso problema", disse Lula, na ocasião.

Em qualquer loja ou estabelecimento comercial do Brasil, é possível fazer uma transação sem a necessidade de intermediação de bandeiras de cartão ou de papel. Apesar de já ser considerado um hábito utilizar o Pix para fazer pagamentos no país, essa é uma realidade muito recente e que ainda está presente em poucos países ao redor do mundo. Desenvolvida pelo Banco Central e lançado em 2020, a ferramenta virou o meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros em menos de um ano de existência. 

Sem a cobrança de taxa e sem limite de horário, é possível afirmar que o Pix revolucionou a forma como os brasileiros lidam com as despesas do dia a dia. Dados do próprio Banco Central mostram que 175 milhões de pessoas já utilizaram alguma vez esse sistema, o que revela uma presença massiva do Pix em todas as classes sociais e econômicas do Brasil. Somente no mês passado, foram registradas 7,1 bilhões de transações em todo o país, com um valor movimentado que chega a quase R$ 3 trilhões.

O uso do Pix também reflete uma mudança de comportamento do consumidor, não apenas no Brasil, mas também em todo o mundo. De acordo com a pesquisa Global Payment Report 2026, publicada no último mês de maio pela Global Payments, o Pix também consolidou sua liderança no varejo, representando 42% do valor transacionado no e-commerce e 34% do valor transacionado nos pontos de venda físicos (PDVs) no ano passado. Para 2030, o mesmo levantamento prevê que o uso da ferramenta chegue a 44% no comércio digital e a 46% no físico.

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