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Carbono Oculto: operação mira esquema do PCC no setor de combustíveis

São cumpridos 59 mandados de busca e apreensão.

28/05/2026 08h32 Atualizada há 50 minutos atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: A Tarde
Operação Carbono Oculto - Foto: Freepik
Operação Carbono Oculto - Foto: Freepik

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagrou nesta quinta-feira, 28, a segunda fase da Operação Carbono Oculto, batizada de “Operação Fluxo Oculto”. A ação investiga um novo esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis, com envolvimento de fintechs e adulteração de combustível por meio do uso de nafta.

Ao todo, são cumpridos 59 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. A operação conta com apoio da Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil.

Segundo o Ministério Público, a nova fase busca aprofundar as investigações sobre fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro envolvendo distribuidoras e postos de combustíveis.

Como esquema funciona

As apurações apontam que fintechs investigadas atuavam como “bancos paralelos” da organização criminosa. Conforme o Gaeco, essas empresas eram usadas para realizar compensações financeiras internas entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas e fundos de investimentos ligados ao grupo criminoso, além de pagamentos de colaboradores e despesas pessoais dos operadores do esquema.

Outro foco da investigação é o desvio de nafta petroquímica para terminais e postos de combustíveis. O trabalho conjunto com a ANP identificou uma estrutura baseada em falsidade documental e venda simulada de solventes para empresas-fantasma.

De acordo com a denúncia, havia uma rede voltada à abertura em série de empresas em diversos estados do país. As investigações indicam que os envolvidos utilizavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para registrar empresas que, oficialmente, compravam solventes. Na prática, o material era desviado para a Grande São Paulo.

O Ministério Público afirma ainda que o esquema utilizava mecanismos de ocultação patrimonial semelhantes aos identificados na primeira fase da Operação Carbono Oculto. Além das fintechs, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento usados para esconder os reais beneficiários dos negócios.

Quatro fundos investigados possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões. Segundo o MP, em pouco mais de um ano houve aumento superior a 200% no patrimônio dessas estruturas financeiras.

Entre as empresas citadas como alvos da operação estão Ceopag Instituição de Pagamento, Fundopay S.A., America Payment S.A., Sispay Instituição de Pagamento, Smart Solutions Instituição de Pagamento, YAW Instituição de Pagamento S.A. e Ello Gestora de Recursos Ltda.

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