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Bahia Redução

Bahia reduz homicídios em 9,8% em dez anos, mas mantém segunda maior taxa do país

Entre as unidades da federação, 18 estados apresentaram taxa de homicídios acima da média nacional em 2024.

27/05/2026 08h28
Por: Karoliny Dias Fonte: Tribuna da Bahia
Foto: ASCOM/PCBA
Foto: ASCOM/PCBA

A Bahia registrou queda de 9,8% no número estimado de homicídios entre 2014 e 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgados nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo aponta que o estado saiu de uma taxa estimada de 45,3 mortes por 100 mil habitantes, em 2014, para 40,9 em 2024, mantendo, no entanto, o segundo maior índice de violência letal do país, atrás apenas do Amapá.

O levantamento foi elaborado a partir de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde. A publicação reúne uma década de monitoramento da violência letal no Brasil e considera tanto os homicídios oficialmente registrados quanto os chamados “homicídios ocultos”, calculados por metodologia de reclassificação de mortes violentas com causa indeterminada.

De acordo com o relatório, a Bahia contabilizou 6.061 homicídios registrados em 2024, contra 6.616 no ano anterior, redução de 8,4% em números absolutos. O estado teve a segunda maior diminuição nominal de homicídios do país em 2024, atrás apenas do Rio de Janeiro, que registrou queda de 772 casos.

Apesar da redução, a taxa baiana de homicídios registrados permaneceu acima da média nacional. Enquanto o Brasil encerrou 2024 com taxa de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes, a Bahia registrou 40,9 mortes por 100 mil habitantes, mais que o dobro do índice nacional.

O Atlas mostra que a trajetória de redução da violência letal no Brasil se consolidou nos últimos anos. Em 2024, o país registrou 42.590 homicídios e uma taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes, menor patamar da série histórica iniciada em 1998. Na comparação com 2023, houve redução de 7,4% na taxa nacional de homicídios registrados.

Os pesquisadores alertam, porém, para a deterioração da qualidade dos registros oficiais de violência letal no país. Segundo o estudo, o número de mortes violentas com causa indeterminada cresceu 23,8% em 2024, o que impacta diretamente a contabilização de homicídios e exige o uso de modelos estatísticos para estimar parte dessas ocorrências.

A publicação aponta que, considerando os homicídios estimados, a redução nacional da violência letal entre 2023 e 2024 foi de apenas 0,4%. Em números absolutos, o Brasil registrou 49.673 homicídios estimados em 2024, praticamente o mesmo volume do ano anterior.

Entre as unidades da federação, 18 estados apresentaram taxa de homicídios acima da média nacional em 2024. Além da Bahia, os maiores indicadores foram registrados no Amapá, Pernambuco, Alagoas e Ceará. Na outra ponta, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal apresentaram os menores índices do país.

O relatório também destaca desigualdades regionais persistentes na distribuição da violência letal. Segundo os autores, estados do Norte e do Nordeste seguem concentrando os maiores níveis de homicídios, enquanto unidades do Sul, Sudeste e Distrito Federal apresentam os menores indicadores nacionais.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) afirmou que as mortes violentas apresentaram “reduções consecutivas nos últimos três anos (2023, 2024 e 2025)” no estado. A pasta informou que, em 2024, a polícia contabilizou queda de 8,7% nos registros de crimes graves contra a vida, categoria que reúne homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte.

A SSP também atribuiu os resultados aos investimentos realizados pelo Governo do Estado na área de segurança pública. Segundo a secretaria, mais de 9.500 policiais, peritos e bombeiros foram contratados nos últimos três anos, além da ampliação de estruturas físicas, aquisição de viaturas, armamentos e softwares de investigação.

A pasta declarou ainda que as ações de combate à criminalidade continuarão “norteadas pela inteligência” e serão intensificadas em todo o território baiano. O Atlas da Violência, por sua vez, aponta que a redução dos homicídios no Brasil ocorre em paralelo à ampliação da percepção de insegurança da população e ao fortalecimento de organizações criminosas em diferentes regiões do país.

Segundo o estudo, as facções criminosas ampliaram sua atuação para além do tráfico de drogas e passaram a atuar em mercados ilegais ligados a combustíveis, ouro, cigarros, bebidas e crimes virtuais. Os pesquisadores afirmam que a diversificação das atividades criminosas e a expansão territorial dessas organizações contribuíram para o aumento da sensação de insegurança, mesmo diante da queda nos indicadores de homicídios. 

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