Pagar o aluguel em dia continua sendo um desafio para milhares de famílias baianas. Mesmo com leve redução em março, a inadimplência locatícia na Bahia segue entre as mais altas do país e permanece acima da média nacional, refletindo um cenário de orçamento apertado, juros elevados e pressão crescente sobre os gastos essenciais.
Dados do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica, mostram que a taxa baiana ficou em 6,46% no terceiro mês do ano. Apesar da queda em relação a fevereiro, quando o índice alcançou 6,84%, o percentual ainda supera com folga a média brasileira, de 3,21%, e também o índice registrado na região Nordeste, de 4,77%.
Na comparação com março de 2025, quando a Bahia registrava inadimplência de 4,21%, o cenário também piorou. O avanço mostra que, embora tenha havido um alívio pontual no curto prazo, o custo da moradia segue pressionando o orçamento das famílias no estado.
O levantamento revela que os imóveis populares concentram os maiores atrasos no país. Entre os contratos residenciais de até R$ 1 mil, a inadimplência nacional chegou a 5,98% em março, o maior percentual entre todas as faixas analisadas. Já os imóveis com aluguel entre R$ 2 mil e R$ 5 mil apresentaram os menores índices, próximos de 1,9%.
“A baixa no estado pode mostrar um alívio pontual no orçamento das famílias. Entretanto, inflação e juros continuam pressionando os gastos fixos, e qualquer mudança nesses indicadores pode voltar a impactar a capacidade de pagamento dos locatários nos próximos meses”, afirmou o diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, Manoel Gonçalves.
No recorte entre os estados, o Nordeste liderou o ranking nacional de inadimplência locatícia em março. Depois da região aparecem Norte, com 4,29%; Centro-Oeste, com 3,17%; Sudeste, com 3,14%; e Sul, com o menor índice do país, de 2,77%.
Os dados também apontam dificuldades no segmento comercial. No Nordeste, os imóveis comerciais registraram inadimplência de 7,65% em março, mesmo após queda em relação aos 7,93% do mês anterior. Em seguida aparecem as casas, com 4,90%, enquanto os apartamentos tiveram aumento nos atrasos, passando de 2,53% para 3,14%. No cenário nacional, os imóveis comerciais de até R$ 1 mil seguem liderando os atrasos, com taxa de 7,41%. Já entre os imóveis acima de R$ 13 mil, a inadimplência ficou em 5,19%.
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