Preso na Bahia por envolvimento no estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, disse durante interrogatório que o crime teria sido “zoeira” e “uma brincadeira”.
A informação foi repassada ao Uol pelo delegado Júlio Geraldo, do 63º Distrito Policial (Vila Jacuí), em São Paulo, cidade onde o crime ocorreu. O único adulto entre os investigados, Alessandro foi preso após fugir para a cidade de Brejões, no interior da Bahia.
Versão repetida entre os investigados
No interrogatório, o relato do adulto não destoou do que já havia sido dito pelos quatro adolescentes apreendidos. Todos, segundo a Polícia Civil, admitiram envolvimento e repetiram a ideia de que o crime teria começado como uma “brincadeira que tomou o rumo errado”.
A linha, porém, não convence a investigação. O delegado Júlio Geraldo afirmou que não identificou qualquer sinal de arrependimento nos depoimentos colhidos até aqui.
“Nós não sentimos qualquer espécie de remorso. Realmente, o que incomoda eles é o risco de ser punido, o medo das consequências. Mas nós não percebemos, em momento nenhum, arrependimento. Na verdade, o que a gente percebe é outra coisa: é uma insensibilidade diante do sofrimento. Eles falam com muita tranquilidade, o maior também fala em 'zoeira'”, disse.
Crime dentro da mesma comunidade
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido uma ação de oportunidade. Vítimas e suspeitos conviviam na mesma comunidade, na região do Jardim Pantanal, zona leste da capital paulista.
A versão apresentada pelos adolescentes indica que uma das crianças teria sido chamada sob o pretexto de buscar uma linha de pipa e depois tomar banho. A partir disso, os abusos teriam ocorrido em uma casa do bairro.
A investigação, no entanto, ainda não considera o caso fechado e mantém outras possibilidades em análise.
Gravação e circulação dos vídeos
A gravação do abuso virou peça central do inquérito. A polícia aponta que Alessandro iniciou as filmagens com o próprio celular e, em seguida, teria pedido que outro adolescente continuasse registrando.
Depois disso, os vídeos foram parar em grupos de WhatsApp e acabaram circulando entre moradores da região. Foi esse movimento que, na prática, desencadeou a denúncia formal à Polícia Civil.
Em um dos registros, de cerca de 63 segundos, as vítimas aparecem chorando e pedindo para que o abuso pare, enquanto os agressores seguem rindo e insistindo na ação.
Denúncia partiu da família após identificação nas redes
O crime aconteceu em 21 de abril, mas só foi registrado pela polícia três dias depois, em 24 de abril, após as imagens começarem a circular nas redes sociais.
Quem reconheceu uma das vítimas foi uma irmã adulta, que não vivia mais na comunidade. Ao identificar o menino nos vídeos, ela procurou a Polícia Civil e registrou boletim de ocorrência.
A família, segundo relato da investigação, enfrentou resistência dentro da própria comunidade para formalizar a denúncia.
“Eles queriam resolver entre eles e não queriam que a polícia tomasse conhecimento”, disse a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk.
Indiciamentos e encaminhamentos
Alessandro foi indiciado por estupro de vulnerável, divulgação de conteúdo de pedofilia e corrupção de menores. Os adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, permanecem apreendidos e terão as condutas analisadas pela Vara da Infância e Juventude.
As crianças foram localizadas com apoio do Conselho Tutelar, passaram por atendimento médico e já receberam alta. Em seguida, foram encaminhadas a abrigo e a familiares em outra cidade.
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