Foto: Internet
Entre janeiro e esta segunda-feira (6), 2.137 crianças e adolescentes de 9 a 14 anos foram vacinados contra o HPV em Feira de Santana, sendo 1.111 meninas e 1.026 meninos. A faixa etária segue a recomendação do Programa Nacional de Imunização (PNI), que estabelece esse público como prioridade para a proteção contra o Papilomavírus Humano.
Apesar dos avanços, a cobertura vacinal ainda está abaixo da meta ideal, que é de pelo menos 90%. Diante disso, a Secretaria Municipal de Saúde tem intensificado estratégias para ampliar o acesso e conscientizar a população sobre a importância da imunização.
Rodrigo Matos - Foto: Arquivo Pessoal
O secretário de Saúde, Rodrigo Matos, destacou que a vacinação contra o HPV vai além da prevenção de uma infecção viral, sendo uma medida essencial no combate a diversos tipos de câncer. “Estamos falando de uma vacina que reduz significativamente a chance de uma pessoa desenvolver câncer ao longo da vida, como o de colo do útero, garganta e reto. É algo extremamente relevante para a saúde pública”, afirmou.
Segundo ele, estudos indicam que a vacinação pode reduzir em mais de 60% os casos de câncer de colo do útero, um dos mais comuns entre as mulheres. Por isso, o secretário reforça a responsabilidade de pais e responsáveis em garantir a imunização de crianças e adolescentes.
Para alcançar a meta, a pasta tem adotado uma série de estratégias, como busca ativa em escolas, ações itinerantes e orientação nas unidades básicas de saúde. Atualmente, o município conta com 103 salas de vacinação distribuídas na rede municipal.
Além do público prioritário, desde abril de 2024 a vacina também passou a ser ofertada para jovens de 15 a 19 anos que ainda não foram imunizados. Neste ano, já foram aplicadas 103 doses em meninas e 114 em meninos nessa faixa etária. A ampliação segue como uma estratégia temporária para recuperar a cobertura vacinal. “Nós não estamos falando apenas de evitar um vírus, mas de prevenir câncer. Isso precisa ser compreendido pela população. Quando as pessoas entendem a importância, elas buscam a vacina”, ressaltou Rodrigo Matos.
Márcia Damaral - Foto: Arquivo Pessoal
A ginecologista Márcia Damaral também reforça que a vacinação é uma das ferramentas mais eficazes na prevenção de cânceres relacionados ao HPV. Segundo ela, o vírus está diretamente associado a doenças como câncer de colo do útero, pênis, ânus, boca e garganta.
A médica explica que a imunização deve ser feita preferencialmente ainda na infância e adolescência, antes do início da vida sexual, período em que há maior resposta do sistema imunológico. “Estamos protegendo antes do primeiro contato com o vírus, garantindo uma resposta mais forte e duradoura”, destacou.
Márcia também alerta para a importância de combater a desinformação, que ainda afasta muitos pais da vacinação. Um dos mitos mais comuns, segundo ela, é a falsa ideia de que a vacina poderia incentivar o início precoce da vida sexual. “Isso não tem qualquer respaldo científico. A vacina é sobre proteção, não tem relação com comportamento”, explicou.
Outro ponto ressaltado pela especialista é a segurança do imunizante, que já foi amplamente estudado e é utilizado em diversos países. Ela reforça ainda que a vacina não trata o vírus, mas previne a infecção, sendo mais eficaz quando aplicada precocemente.
Além da vacinação, a ginecologista destaca que a prevenção deve incluir outras medidas, como o uso de preservativos e a realização de exames preventivos, como o Papanicolau, que permite identificar lesões antes que evoluam para quadros mais graves. “É uma combinação de cuidados. Informação, prevenção e acompanhamento médico são fundamentais. Temos hoje a chance de reduzir drasticamente a incidência do câncer de colo do útero, e não podemos desperdiçar essa oportunidade”, afirmou.
A Secretaria de Saúde orienta que pais e responsáveis procurem a unidade de saúde mais próxima para garantir a vacinação de crianças e adolescentes. A imunização é gratuita e aplicada em dose única, sendo considerada uma das principais estratégias de saúde pública para a prevenção de câncer no país.
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