Na manhã desta sexta-feira (27), Feira de Santana sediou a XIV Reunião Ordinária do Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) do Lago de Pedra do Cavalo. O encontro, realizado no auditório da Secretaria Municipal de Educação, reuniu gestores públicos, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir o plano de ação de 2026 e a conservação dos recursos hídricos que abastecem a região.
A programação contou com apresentações institucionais e, no turno da tarde, uma visita técnica a pontos estratégicos, como o encontro do Rio Jacuípe com o Rio Cavaco e nascentes locais, para demonstrar as práticas de educação ambiental aplicadas na cidade.
A secretária de Meio Ambiente, Jaciara Costa, destacou que a participação de Feira no conselho é estratégica para a segurança hídrica da população. Durante a reunião, a SEMMAM apresentou balanços de fiscalização que incluíram a apreensão de máquinas em Áreas de Preservação Permanente (APP) e o combate a passivos ambientais em carvoarias na região da APA.
"É um momento histórico. Como membros, trazemos inovações e experiências exitosas que temos realizado, como a requalificação das nossas lagoas e a conservação dos corpos hídricos. Nosso foco é a água potável que abastece a cidade", afirmou a secretária.
Descoberta Científica
O debate científico trouxe dados alarmantes e descobertas relevantes para a bacia do Rio Paraguaçu. O professor de biologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Alexandre Clistenes, revelou a descoberta de uma nova espécie de peixe na região de Utinga. Entretanto, o pesquisador alertou que a espécie já foi identificada em estado de ameaça devido à redução do volume dos rios por retirada excessiva de água.
"Se algo não for feito, teremos espécies de peixes e outros organismos extintos antes mesmo de serem conhecidos pela ciência. Isso é uma tragédia sem tamanho", pontuou o professor.
Além da preservação da fauna, a UEFS realiza estudos sobre a contaminação do pescado no Lago de Pedra do Cavalo, visando garantir a segurança alimentar da população e a manutenção da renda dos pescadores locais.
Requalificação dos "Olhos d’Água"
A vocação hídrica de Feira de Santana, historicamente reconhecida como "Santana dos Olhos d’Água", foi um dos pilares reforçados durante o evento. A cidade possui 36 lagoas apenas na zona urbana, que atuam como bolsões naturais essenciais para o equilíbrio ambiental.
Fazendo jus à sua origem, a Prefeitura de Feira de Santana vem executando uma série de obras de requalificação em nascentes e espelhos d’água por todo o município. Essas intervenções buscam preservar o patrimônio natural e reforçar a identidade hídrica da Princesa do Sertão, garantindo a proteção das fontes que deram nome e vida à cidade.
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