As grandes operações realizadas no Rio de Janeiro em 2025 escancararam um fenômeno que preocupa autoridades: o aumento da presença de criminosos vindos de outros estados e até do exterior. Só a Polícia Militar fluminense prendeu 209 forasteiros no ano passado, número superior ao de 2024. Entre eles, 11 eram da Bahia, o que reforça a ligação das facções cariocas com quadrilhas que atuam em território baiano. As informações são de O Globo.
Expansão do Comando Vermelho
Segundo a PM do Rio, integrantes do Comando Vermelho (CV) vindos de fora desembolsam valores para se estabelecer nas comunidades cariocas. A “taxa” garante proteção, acesso à estrutura local e proximidade com lideranças da facção, que seguem ditando ordens a partir dos complexos do Alemão e da Penha.
O coronel Marcelo Menezes, secretário da PM, afirma que essa movimentação não é pontual, mas parte de uma estratégia de expansão. “Muitos vêm para se aproximar das lideranças e levar o know-how para seus estados de origem”, explicou.
Bahia no radar das facções
Entre os nordestinos capturados, a Bahia lidera com 11 presos, superando inclusive estados como Pernambuco e Maranhão. Para investigadores, esse número reforça a conexão direta entre quadrilhas baianas e facções cariocas, especialmente o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro (TCP). Mesmo escondidos no Rio, líderes continuam a dar ordens para execuções e disputas territoriais em solo baiano, ampliando a influência das organizações criminosas sobre o estado.
Nordeste em destaque
Embora o Sudeste concentre a maior parte dos criminosos presos no Rio em 2025 — foram 99 dos 209 forasteiros, o Nordeste aparece com números expressivos. O Ceará registrou 8 presos, a Bahia 11, a Paraíba 7, Pernambuco 5, Maranhão 3 e o Rio Grande do Norte 1. Esses dados mostram que a migração de facções não se limita às regiões vizinhas, mas alcança estados nordestinos de forma consistente.
Estrangeiros também na mira
As operações de 2025 ainda capturaram 39 estrangeiros, com destaque para colombianos, 23 presos em flagrante. Houve também registros de criminosos vindos do Chile, Venezuela, Argentina, Uruguai, Alemanha e Angola.
Prisões emblemáticas
Entre os casos recentes está a captura de Cássio Dumont Martins Tavares, o Cascão, chefe do tráfico em Goiás, preso em Santa Teresa. Outro exemplo é Rafael Amorim de Brito, o Rafão, considerado o mais procurado do Mato Grosso, detido em Itaboraí após deixar o Alemão para cometer um assalto.
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