O pedido inesperado de uma pizza ao 190 evitou que mais uma mulher entrasse para as estatísticas de violência de gênero na Bahia, na última semana. O acolhimento à denúncia pelo Centro Integrado de Comunicações (Cicom) de Vitória da Conquista deu visibilidade ao trabalho de capacitação do Governo do Estado à rede de proteção. “Foi a sensibilidade e o treinamento do atendente, ao buscar mais respostas da solicitante, que levou ao entendimento de que a situação poderia ser real”, explicou o major Valmari Júnior, coordenador do Cicom.
O caso, ocorrido na última quarta-feira (30), resultou na prisão do agressor, que resistiu à abordagem e precisou ser contido com balas de borracha, ainda no imóvel da vítima. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), uma medida protetiva foi solicitada pela Polícia Civil e concedida pela Justiça à mulher, que estava sofrendo ameaças do ex-companheiro por não aceitar o fim do relacionamento.
Outras 1.754 denúncias de violência contra a mulher foram feitas através do canal do Disque Denúncia, desde janeiro deste ano. A Polícia Civil também registrou 12.441 ocorrências de ameaça contra mulheres, 7.202 casos de lesão corporal dolosa, 208 episódios de importunação sexual e 51 feminicídios. Titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Periperi, a delegada Iola Nolasco diz que os registros são feitos de forma anônima para garantir a segurança da vítima e das pessoas ao seu entorno.
“Muitas vezes é a própria mulher quem faz a denúncia. Em algumas unidades da Polícia Civil, como a do SAC Salvador Shopping, a vítima tem total privacidade por estar em um centro comercial. Além de termos policiais treinados para isso”. Ela acrescenta que as denúncias também podem ser realizadas pelos e-mails: deam.brotas@pcivil.ba.gov.br, deam.periperi@pcivil.ba.gov.br, deam.candeias@pcivil.ba.gov.br e deam.camacari@pcivil.ba.gov.br e pelas centrais do 190, 181 e 180.
Para a comunicadora Alexandra Souza, de 29 anos, a rede de amparo do Estado e o anonimato dão a segurança para que mais pessoas denunciem as violências de gênero na Bahia. “Expor esses casos, como o que aconteceu [em Vitória da Conquista], faz a gente se sentir mais encorajada a falar sobre. Já é um começo, faz a gente se mobilizar mais diante de crimes como esse”, avalia.
Parte integrante da rede de atenção, a Casa da Mulher Brasileira também tem coordenado o amparo às violências de gênero, desde dezembro de 2023, em Salvador. Entre janeiro e julho deste ano, mais de 6,5 mil atendimentos foram realizados e mais de 5,2 mil mulheres foram acolhidas. “Com esse equipamento, a gente conhece mais o contexto da vítima, fazendo a política pública chegar de forma mais efetiva, com toda a estrutura, toda essa rede que facilita o acesso dessas mulheres, diminuindo também os números de violência na Bahia”, contextualiza a coordenadora estadual da Casa da Mulher Brasileira, Ana Clara Auto.
Desde 2023, 22,6 mil mulheres já passaram pelo equipamento, que reúne acolhimento psicológico, assessoria jurídica, delegacia especializada, juizado, Defensoria Pública e alojamento de passagem em um único lugar. Na Bahia, outras unidades da Casa da Mulher Brasileira estão previstas para os municípios de Feira de Santana, Irecê e Itabuna.
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