O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) completa cem dias sob críticas de aliados, que reclamam de entraves para deslanchar projetos e da falta de uma nova marca ao terceiro mandato do petista, conforme apurou o jornal Folha de S. Paulo.
Além disso, outras propostas centrais de Lula na campanha e na transição de governo estão em suspenso. Na lista de grandes projetos, o governo abriu mão de encaminhar uma nova reforma tributária, proposta que será encabeçada pelos parlamentares a partir dos textos que já estão no Congresso e que ainda não tem apoio para ser aprovada.
De acordo com ministros e parlamentares que apoiam Lula, até então o governo reciclou programas antigos e foi palco de embates entre expoentes da equipe ministerial, que se desentenderam publicamente sobre o lançamento de propostas do governo.
Auxiliares do presidente afirmam, em conversa com o jornal Folha de S. Paulo, que o slogan do governo é “União e Reconstrução”, o que justifica o relançamento de iniciativas de gestões anteriores, como o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família, retomado no lugar do Auxílio Brasil, e que eles voltaram turbinados.
Eles alegam, ainda, que houve retrocesso no governo Jair Bolsonaro (PL) e que a fome recrudesceu no país. Esses colaboradores de Lula dizem que os últimos meses foram para “arrumar a casa” e que novos projetos serão lançados depois dos cem dias.
Segundo integrantes do núcleo de governo, nesta segunda-feira (10), por exemplo, Lula terá reunião com ministros em que reforçará o que já foi anunciado, mas não deve ser apresentada nenhuma novidade.
Parlamentares e até ministros, porém, apontam uma demora excessiva para colocar a máquina federal para trabalhar. A reclamação é que ainda há cargos vagos a preencher e que pouca verba foi desembolsada. Essa morosidade é apontada por integrantes do Congresso Nacional como elemento da dificuldade do governo para formar uma base de apoio.
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