O registro observado no último levantamento do Instituto Paraná Pesquisas mostra que ACM Neto (União) tem pouco espaço para aumentar suas intenções de voto, enquanto os adversários, Jerônimo Rodrigues (PT) e João Roma (PL), apresentam a possibilidade de melhorar os índices. É um padrão verificado em outras pesquisas, ainda que não dê para compará-las exatamente. E é fruto da ampla liderança que, até o momento, vem sendo mantida.
Essa padronização aparece também nas análises de levantamentos nacionais. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera, com certo nível de consolidação e com quase nenhuma oscilação, e Jair Bolsonaro (PL) cresce, gradualmente, amparado nas ações de governo, que começam a aparecer nas intenções de voto. O ponto crucial a ser observado nas duas situações é o fator tempo, que pode ser decisivo para os favoritos até aqui.
Faltando 41 dias para as urnas, há um curto espaço de tempo para que os candidatos que estão atrás consigam as viradas históricas prometidas - sim, nesse sentido o PT baiano e o entorno de Bolsonaro se parecem. Como a campanha no rádio e na televisão começa apenas no dia 26, os postulantes a mandatos vão ter que fazer malabarismos para conseguir atingir o eleitor. No Brasil, a mídia será fundamental. Na Bahia, cada lado escolhe um argumento diferente para analisar a própria condição.
O PT de Jerônimo vai endossar o legado dos governos de Jaques Wagner e Rui Costa e repetir, reiteradas vezes, que Jerônimo é o time de Lula na Bahia. Com uma campanha curta, já que o nome do candidato foi definido apenas em março, essa é o principal investimento a ser feito. Tornar o petista conhecido ao mesmo tempo em que o associa a grandes eleitores. A estratégia está delineada há tempos, inclusive. Resta saber se vai dar o resultado esperado até 2 de outubro.
Já ACM Neto começou sua jornada como candidato ao governo da Bahia ainda quando prefeito de Salvador. A construção discursiva de competência da gestão vem de lá e, sem as amarras da prefeitura, ele foi ao interior para iniciar a pré-campanha. Até lançamento do período extraoficial aconteceu, em dezembro do ano passado, mostrando o nível de profissionalização da estratégia. Nessa posição confortável, ela assistiu o bate-cabeças dos adversários que respingou na chegada do Progressistas ao grupo político liderado por ele. Ou seja, ele aparece à frente das pesquisas porque construiu esse retrato.
João Roma vai usar o tempo disponível para se associar ainda mais a Bolsonaro. Porém a chance de sucesso nas urnas dele é baixa. A candidatura dele é, no fundo no fundo, palco apenas para que o presidente tenha alguém defendendo-o na Bahia. Então, ele pode crescer, mas dentro do teto do bolsonarismo local, algo bem menor que a influência de Lula, por exemplo.
De um jeito ou de outro, é importante acompanhar a evolução das intenções de voto entre os candidatos. Por enquanto, é inegável a tendência de que as posições dos postulantes na corrida não devem mudar. Mas é claro que tudo pode mudar, principalmente caso haja algum tipo de terremoto político. Afinal, os baianos tendem a gostar de um efeito surpresa.
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