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Cultura Crônica

Feira de Santana: cidade grande, mentalidade pequena

Por Alberto Peixoto

06/08/2022 09h15
Por: Karoliny Dias Fonte: Alberto Peixoto
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Não se pode exigir que Feira de Santana, a “Princesa do Sertão”, tenha grandes avenidas e parques inspirados no Hyde Park de Londres ou como Paris do século XIX após a reforma em 1853 de Gerges Eugène Haussmann, o artista demolidor que transformou a Cidade Luz em uma metrópole francesa mais salubre. Também não podemos aceitar uma cidade de ruelas mal pavimentadas como as dos tempos medievais, como é o caso da Rua Arthêmia Pires, mal projetada e que em pouco tempo virou uma “travessa mal acabada”. 

A Avenida Getúlio Vargas, apesar de ser relativamente larga, já não comporta mais o intenso trânsito responsável pelo transtorno vivido por motoristas e pedestres que usam esta artéria, principalmente nos momentos de pico. Sobretudo porque além da atitude irresponsável dos condutores de veículos que por ali transitam, há a permissividade ou falta de fiscalização pelo órgão que regula o fluxo de veículos nas diversas ruas da cidade. 

Os condutores de veículos, conhecedores da impunidade generalizada, cometem todo tipo de infração possível. Invadem sinais, trafegam em sentido contrário à mão de direção permitida, praticam “roubadinhas”, estacionam nas calçadas, etc. 

Quando o assunto é “mobilidade urbana”, Feira de Santana fica abaixo das expectativas. Não existe, que se conheça, projetos e programas para melhorar a qualidade de vida e a acessibilidade dos que vivem na Cidade Princesa. 

Como se não bastasse, os administradores municipais, com a intenção de implantar o sistema BRT que não funciona satisfatoriamente, estreitou as vias de duas das principais artérias do centro da cidade. 

Para piorar esta situação inusitada, os condutores de veículos insistem em estacionar em filas duplas, congestionando de vez o transito, tornando-o em um verdadeiro “balaio de gatos”. Ou seja: irresponsabilidade mais permissividade. Se o trânsito de Feira de Santana é caótico, os pedestres também contribuem muito para isso. Não respeitam as sinalizações. 

Foram criados pelos órgãos competentes federais as leis de trânsito, sinais de identificação como faixa de pedestres, semáforos, placas indicativas de velocidade, etc. Porém pouco respeitadas pelos motoristas e até mesmo pelos pedestres, como é o caso das faixas a eles destinadas, que são em sua maioria com pouca visibilidade (precisando avivar a pintura) ou não existem, principalmente em pontos de grande demanda de transeuntes. 

Em meio a todos estes desmandos o pedestre é o maior prejudicado. A permissividade, a falta de uma fiscalização mais efetiva pelos órgãos competentes, passa a sensação para a população de que a qualquer momento é ele quem vai se sentir na obrigação de usar capacete com a possibilidade de ser atropelado por um ciclista ou um motociclista. Em algumas situações, por um automóvel ao ser estacionado sobre as calçadas. 

As avenidas da Cidade Princesa não possuem ciclovias e as poucas que existem são mal projetadas. Na Av. Noide Cerqueira, os ciclistas utilizam o canteiro central, que é destinado para as pessoas transitarem ou fazerem caminhadas, colocando a integridade física destes em riscos. 

A pavimentação das ruas e das calçadas são uma lástima! Inclusive as inseridas nestas pseudos reformas que estão tentando fazer no centro da cidade, a passos de tartarugas, e que está piorando o que já era uma coisa ruim, transformando o trânsito em uma coisa absurda, horrível. 

Por todo o centro da cidade, principalmente na Rua Marechal Deodoro, o espaço público foi privatizado e transformado em um verdadeiro Shopping Center a céu aberto, onde funcionam lanchonetes improvisadas, pontos de camelôs, estacionamento para carros e todo tipo de veículos, lixões e oficinas improvisadas. Este espaço que deveria ser destinado ao pedestre serve para tudo menos para a mobilidade dos transeuntes. 

A calçada é parte da via, não destinada a circulação de veículos reservada ao trânsito de pedestre e não para ciclistas, muito menos para a comercialização de produtos.

Cabe ao poder público a fiscalização e conservação das vias públicas e, principalmente, da mobilidade urbana e infraestrutura. O profissional responsável a organizar o trânsito de Feira de Santana, ou nunca trafegou pelas artérias da cidade, ou aqui nunca esteve. Devem lhe entregar o mapa da cidade e, sem viver o dia a dia da Metrópole Feirense, projeta esta aberração que aí está instalada.

 

Alberto Peixoto

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