A duplicação do Anel de Contorno de Feira de Santana deve entrar em uma nova etapa a partir de 2027, com a conclusão dos serviços de drenagem ainda em 2026 e o início da pavimentação das vias marginais nos primeiros meses do próximo ano. A previsão foi apresentada pelo superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Roberto Alcântara, em entrevista ao Portal Boca de Forno News.
Segundo o superintendente, o ano de 2027 será decisivo para o andamento da obra, já que a conclusão das marginais permitirá o desvio do tráfego da pista principal e, posteriormente, a execução dos três viadutos previstos no projeto para Feira de Santana. Além da duplicação do Anel de Contorno, Roberto Alcântara também falou sobre a nova erosão registrada na BR-324, nas proximidades de São Sebastião do Passé, os problemas relacionados à drenagem da rodovia, a manutenção do trecho entre Feira de Santana e Salvador, a concessão das BRs 324 e 116 pela chamada Rota 2 de Julho e os recursos destinados à continuidade das obras.
Roberto Alcântara explicou que uma parte principal dos serviços de drenagem do Anel de Contorno já está em fase de conclusão. De acordo com ele, também estão sendo executados serviços de terraplenagem em alguns segmentos. “Já estamos chegando à conclusão da parte principal do serviço de drenagem. Nós devemos concluir isso este ano. Temos outros tipos de drenagem que precisam caminhar junto com a terraplenagem, e isso já está sendo feito. Temos cerca de três quilômetros de terraplenagem em alguns segmentos, com sub-base”, explicou.
O superintendente destacou que a drenagem é uma etapa fundamental para o avanço da obra, principalmente nos pontos onde serão construídos os viadutos e onde será necessário utilizar as vias marginais para desviar o tráfego. “Já estamos finalizando essa etapa. A drenagem é extremamente importante, especialmente nos pontos onde vamos construir os viadutos, porque precisamos que as marginais já estejam finalizadas para que, no momento em que formos executar os viadutos, possamos fazer a interrupção do tráfego na rodovia”, afirmou.
Segundo Roberto, o projeto prevê três viadutos em Feira de Santana e, para a execução dessas estruturas, será necessário transferir o fluxo da pista principal para as marginais.
O superintendente afirmou ainda que 2027 deverá ser um período de avanço mais visível da duplicação. Segundo ele, em 2026 os trabalhos ficaram concentrados principalmente na drenagem e na terraplenagem, etapas que são fundamentais, mas que ficam pouco visíveis para a população por serem executadas em grande parte abaixo do nível da pista. “Para essa ideia de quando as marginais efetivamente estiverem finalizadas, a gente possa desviar o tráfego da pista principal para essas marginais e, assim, seguir com a execução dos três viadutos que são propostos para Feira de Santana. Então, o ano de 2027 será, de fato, um ano extremamente importante, decisivo, em que a população irá visualizar o avanço das obras”, declarou.
Ele ressaltou que o trabalho realizado em 2026 foi essencial para criar as condições necessárias para a continuidade da duplicação. “Esse ano de 2026 foi muito focado, até porque é condição para o avanço das obras que a drenagem seja executada. É uma obra importante. Nós já investimos mais de R$ 30 milhões nesse serviço de drenagem e na terraplenagem que já foi executada este ano”, informou.
Roberto Alcântara também explicou que, a partir do início de janeiro de 2027, a população deverá perceber uma mudança no ritmo e na aparência da obra. “Embora os organismos vão avançando, como é obra de drenagem, você trabalha muito, executa serviço, mas é tudo enterrado. A partir do início de janeiro de 2027, o cidadão, a população de Feira, já vai enxergar a obra em outro nível, porque a gente já começa a fazer essa parte de pavimentação”, afirmou.
Recursos assegurados
Questionado sobre a existência de recursos para a continuidade da obra em 2027, o superintendente afirmou que o DNIT já possui recursos para garantir os pagamentos e a continuidade dos trabalhos no início do próximo ano. “Hoje nós temos recursos para dar continuidade. Nós já temos recursos para pagar a medição de novembro, pagar a medição de dezembro e pagar a medição do início do ano de 2027, independentemente da aprovação da LOA. Então, esses recursos já estão assegurados”, afirmou.
Segundo ele, para a continuidade de todo o cronograma de 2027 será necessário o orçamento do próximo ano. Ainda assim, destacou que o Ministério dos Transportes já encaminhou a proposta orçamentária com recursos considerados significativos para evitar a paralisação da obra. “Naturalmente, para a continuidade de 2027 nós vamos precisar do orçamento do ano que vem. E o Ministério dos Transportes, do Governo Federal, ao encaminhar o projeto orçamentário do ano que vem, já disponibilizou recursos significativos para que a gente não, em momento algum, pare a obra”, declarou.
Roberto classificou a duplicação do Anel de Contorno de Feira de Santana como uma das principais obras de infraestrutura rodoviária do país e afirmou que não deverá faltar recurso para sua conclusão. “A obra de Feira de Santana é disparado a principal obra do DNIT na Bahia e, sem dúvida alguma, uma das principais obras do Brasil. É obra prioridade zero, enfim, a máxima. A principal prioridade do nosso entendimento de estrutura rodoviária para o Estado da Bahia é, sem dúvida alguma, essa obra de Feira de Santana”, afirmou.
Ele destacou ainda a importância estratégica do município. “Feira é importante para o Nordeste e para a Bahia. Nós temos aí um dos principais entroncamentos do Brasil, uma cidade estratégica para o Governo do Estado e para o Governo Federal. Então, sem dúvida alguma, é uma obra importante e não faltarão recursos e entendimento para que a gente conclua essa obra”, disse.
Buraco na BR-324
Outro assunto abordado na entrevista foi a nova erosão registrada na BR-324, nas proximidades de São Sebastião do Passé, que provocou alterações no tráfego e levantou questionamentos sobre as condições de drenagem e conservação da rodovia. Roberto Alcântara explicou que a proximidade com Salvador e o volume de chuvas na região tornam mais complexos os problemas relacionados à drenagem, especialmente nos trechos urbanos.
“Quanto mais a gente se aproxima de Salvador, mais considerável é a chuva na região. É extremamente complexo quando temos travessias urbanas. Nós temos Feira de Santana, Amélia Rodrigues, São Sebastião do Passé e Salvador. São mais de 100 quilômetros e nós vamos ter mais de 50 quilômetros só de trechos urbanos”, explicou.
Segundo o superintendente, a presença de ocupações urbanas e o descarte de resíduos contribuem para a obstrução dos dispositivos de drenagem existentes na rodovia. “É uma complexidade maior em alguns trechos, especialmente por conta de ocupações, lixo urbano, enfim, que acaba obstruindo os dispositivos de drenagem que nós temos na rodovia”, afirmou.
Ele explicou que o DNIT realiza um trabalho permanente de limpeza desses dispositivos. “Nós temos feito um trabalho permanente, quase diário, de limpeza desses dispositivos, para que as águas da chuva, quando chegarem em intensidades mais volumosas, possam atender a toda essa demanda de água”, disse.
De acordo com Roberto Alcântara, no ponto onde ocorreu a erosão havia um bueiro completamente obstruído, o que impediu que a água seguisse o caminho projetado. “Nesse ponto, nós temos um bueiro que estava completamente obstruído, com muito risco, sacola, enfim, não tinha mais nada que esse bueiro. Apesar da limpeza ter sido feita alguns dias atrás, a água não conseguiu seguir o seu curso projetado”, explicou.
Segundo ele, a água não permanece parada quando encontra um obstáculo e acaba procurando outro caminho, o que pode provocar erosões. “A água não fica parada ali esperando que algum lugar do bueiro ela procure. Ela procura outro caminho, preferencial. O fato é que choveu bastante na semana passada, na terça, quarta e quinta-feira. Foram três dias de intensas chuvas na região, e isso ajudou na progressão dessa erosão”, afirmou.
O superintendente explicou ainda que esse tipo de problema pode ser difícil de identificar durante as inspeções de rotina porque a erosão ocorre abaixo da estrutura da rodovia. “É difícil a visualização nesse ponto urbano, porque as erosões acontecem por baixo da pista, por baixo de camadas de concreto. Então, nas manutenções rotineiras feitas no bueiro, é feita a limpeza da drenagem, mas não conseguimos visualizar o que está acontecendo por baixo dessa estrutura”, explicou.
Ele afirmou que a situação se tornou visível quando a erosão avançou e passou a ser identificada pela equipe de monitoramento. “Essa semana passada agravou e poderia, de fato, ter acontecido anteriormente, mas só conseguimos visualizar como acontece em alguns pontos da BR-324. Hoje a gente visualiza a erosão e atua de forma imediata, porque é algo que é visível pelo monitoramento”, disse.
Roberto Alcântara explicou que o problema provocou a abertura de um buraco e exigiu uma intervenção emergencial para garantir a segurança e o fluxo de veículos. “Essa erosão surgiu, esse buraco. Ela me chamou a atenção. A erosão é o material, a terra, que foi sendo retirado por baixo do viaduto”, explicou.
Segundo ele, inicialmente foi adotada uma alternativa para permitir a passagem dos veículos de carga. “Nós tivemos que fazer, no primeiro momento, uma alternativa para que, principalmente, os veículos de carga pudessem estar trafegando. Isso foi feito ainda na segunda-feira à tarde”, afirmou.
Na sequência, o DNIT encaminhou uma solução definitiva para o ponto afetado. “Já mandamos o material e era por onde a água estava saindo. Posteriormente, fizemos uma injeção de concreto, utilizando concreto autoadensável, utilizando resistência. Enfim, conseguimos, em tempo, liberar totalmente o tráfego da rodovia”, informou.
Rota 2 de Julho
Durante a entrevista, Roberto Alcântara também falou sobre a concessão das BRs 324 e 116, por meio da chamada Rota 2 de Julho. Segundo ele, o leilão está previsto para ocorrer no dia 18 de dezembro, na Bolsa de Valores, em São Paulo. “Em relação à Rota 2 de Julho, o leilão está previsto para acontecer no próximo dia 18 de dezembro, ou seja, daqui a pouco mais de 40 dias. A licitação vai acontecer na Bolsa de Valores, lá em São Paulo”, explicou.
A concessão envolve a BR-324 e a BR-116, no trecho entre Feira de Santana e a divisa com Minas Gerais. “É o leilão para a concessão da BR-324 e da BR-116, entre Feira de Santana e a divisa lá em Minas Gerais. Dia 18 de dezembro é o leilão”, afirmou.
A expectativa apresentada pelo superintendente é que, aproximadamente quatro ou cinco meses após o leilão, a empresa vencedora possa começar a administrar as rodovias. “A estimativa e a expectativa do cronograma é que, cerca de quatro a cinco meses após o leilão, a concessionária que vencer já possa estar administrando essas rodovias”, declarou.
Roberto ressaltou que a modelagem da concessão não foi feita pelo DNIT. “Essa modelagem não foi concedida pelo DNIT, mas pelo Ministério dos Transportes e pela ANTT. As maiores informações relativas a esse leilão, sobre o que está sendo proposto, ficariam a cargo da ANTT para responder com mais propriedade”, explicou.
BR-116
O superintendente também fez uma ressalva sobre outro processo de concessão, a Rota dos Sertões, cujo leilão ocorreu em maio. “Nós tivemos em maio o leilão para a Rota dos Sertões. Inclusive, a gente está separando onde nós estamos executando obra atualmente. Ela pertence a esse leilão que já houve, que é a Rota dos Sertões, que vai até Salgueiro, lá em Pernambuco, passando por Serrinha, Tucano, Ribeira do Pombal, Santa Bárbara”, explicou.
Segundo ele, o trecho de mais de 500 quilômetros deixou de ser administrado pelo DNIT no final de outubro e passou à responsabilidade da concessionária vencedora do leilão. “O leilão aconteceu em maio e, a partir do início de novembro, esse segmento de mais de 500 quilômetros, que até o final de outubro era administrado pelo DNIT, hoje não é mais administrado pelo DNIT. O DNIT já transferiu a responsabilidade da rodovia para a concessionária que venceu o leilão lá em maio”, afirmou.
Apesar da transferência, a conclusão das obras do Anel de Contorno de Feira de Santana continuará sob responsabilidade do DNIT. “As obras da conclusão de Feira de Santana, em que pese estar dentro do segmento que já foi transferido para uma concessão, permanecem sob responsabilidade do DNIT para que a gente possa concluir as obras”, esclareceu.
Entrega de mais 14 quilômetros na BR-116
Roberto Alcântara também informou que o DNIT está concluindo obras na BR-116, no trecho entre Santa Bárbara e Feira de Santana. “Da mesma forma, estaremos concluindo obras ali na BR-116, entre Santa Bárbara e Feira de Santana, onde nossa expectativa é que, nos próximos 45 dias, nós estejamos entregando à população 24 quilômetros de duplicação já finalizados”, afirmou.
Segundo ele, dez quilômetros já foram entregues e outros 14 quilômetros estão em fase de conclusão. “Já entregamos 10 quilômetros e estamos concluindo os outros 14”, informou.
Após a conclusão desse trecho, a manutenção da rodovia passará a ser responsabilidade da nova concessionária. “A partir daí, a parte de obra, a manutenção de toda a rodovia, desde Feira de Santana, passando por Santa Bárbara, Serrinha, Teofilândia, Araci, Tucano, enfim, até Pernambuco, a manutenção da pista hoje já é responsabilidade dessa nova concessionária que já assumiu”, explicou.
O superintendente voltou a destacar que, apesar da concessão, as obras do Anel de Contorno de Feira de Santana permanecem sob responsabilidade do DNIT. “Faço essa ressalva dada a importância da obra para Feira de Santana, que impacta diretamente a região”, afirmou.
Acesso pela Rua Tupinambá e entrada de Santo Antônio dos Prazeres
Durante a entrevista, um ouvinte questionou Roberto Alcântara sobre as condições do acesso pela Rua Tupinambá, embaixo do viaduto Ayrton Senna, e perguntou se seria possível o DNIT cobrar da empresa responsável pela manutenção a conservação diária do local e a colocação de material para amenizar a situação.
O superintendente afirmou que a demanda será encaminhada para avaliação da fiscalização. “Certamente essa reivindicação que o ouvinte traz, o nosso fiscal já ouviu aí e vai estar verificando com a empresa as intervenções. Eu não consigo me situar, vamos dizer assim, no espaço, mas vamos identificar se realmente está dentro da nossa malha federal. Se estiver, certamente as medidas serão adotadas”, declarou.
Outro ouvinte também relatou problemas na entrada de Santo Antônio dos Prazeres, na região do Motel Maturi. “Eu acho que o Roberto conhece aquela região. É problema, viu, superintendente? É problema”, relatou o ouvinte.
Roberto Alcântara reconheceu a existência dos problemas e afirmou que o DNIT seguirá trabalhando para enfrentá-los. “É verdade, é verdade. Mas vamos enfrentá-los todos com muita responsabilidade, com compromisso”, afirmou.
Recapeamento de mais de 350 quilômetros
Ao comentar as condições da BR-324 e da rodovia entre Feira de Santana e Salvador, o superintendente destacou a extensão da malha sob responsabilidade do DNIT. “E temos aí cerca de 540 quilômetros de faixa de Feira a Salvador, pouco mais de 100 quilômetros, mas nós temos aí majoritariamente quatro faixas de rolamento; em alguns pontos, seis e oito faixas”, explicou.
Segundo Roberto, desde que o DNIT assumiu a rodovia, foram executados serviços de recuperação do pavimento em mais de 350 quilômetros. “Desde que o DNIT assumiu, nós executamos o recapeamento, vamos assim dizer. Nós entramos com um novo pavimento em mais de 350 quilômetros”, afirmou.
Para ele, a mudança nas condições da rodovia pode ser percebida pelos usuários. “É uma mudança absolutamente visível. Então, o usuário da BR-324 é a maior testemunha de todo o trabalho que vem sendo feito. Quem está se deslocando agora para Salvador, quem está vindo de Salvador para Feira, é testemunha do quanto eu estou dizendo”, declarou.
O superintendente ainda comparou o período de atuação do DNIT na rodovia com os anos em que a administração esteve sob responsabilidade da ViaBahia.“Sem dúvida alguma, sem nenhum medo de errar, nesse pouco mais de um ano que estamos na rodovia, o DNIT trabalhou muito mais do que a ViaBahia nos 15 anos que teve aí”, afirmou.
Roberto Alcântara informou ainda que o DNIT mantém sete contratos permanentes de manutenção para as BRs 324 e 116, com cerca de R$ 50 milhões contratados. “Fizemos um investimento bastante significativo e o trabalho continua. Nós temos sete contratos de manutenção, dois na BR-324 e cinco na BR-116. São R$ 50 milhões contratados para esses sete contratos, que são permanentes”, explicou.
Segundo ele, os contratos não funcionam apenas para intervenções pontuais, mas garantem a presença contínua das empresas ao longo das rodovias. “A empresa não vem aqui, faz um serviço e vai embora. Não. Ela continua na rodovia fazendo tudo aquilo que é necessário: serviço de roçada, serviço de limpeza dos dispositivos de drenagem, que é permanente”, afirmou.
Ele citou a necessidade constante de limpeza e manutenção da rodovia. “Porque toda semana surge mato, precisa fazer a roçada, fazer a limpeza. Se abre um buraco, ela vai lá e corrige. Então, nós estamos permanentemente, estamos com os pés fincados na rodovia e só sairemos depois que a concessão for finalizada”, concluiu Roberto Alcântara.
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