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Economia Aumento

Alta da carne bovina faz consumidores de Feira de Santana mudarem hábitos de compra

Arroba do boi gordo chegou a R$ 370 na cidade, novo recorde de 2026; consumidores relatam aumento nos cortes e buscam alternativas para manter o consumo de proteínas.

08/10/2026 17h49
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News 

O aumento no preço da carne bovina já pesa no bolso dos consumidores de Feira de Santana. A arroba do boi gordo chegou a R$ 370 nesta semana, segundo cotação divulgada pela Cooperfeira, atingindo o maior valor registrado em 2026 no mercado regional. Diante da alta, consumidores ouvidos no Centro da cidade relatam mudanças nos hábitos de compra, com substituição de cortes e aumento do consumo de frango, ovos e outras opções mais acessíveis.

A nova cotação representa uma alta de R$ 30 por arroba desde o início de setembro, quando o preço estava em R$ 340. No fim daquele mês, o valor havia chegado a R$ 360. De acordo com informações divulgadas pelo presidente do Frifeira e diretor da Cooperfeira, Agenor Campos, a valorização está relacionada principalmente à redução da oferta de animais terminados com o avanço da entressafra.

O mercado ainda pode registrar novas altas. Segundo Agenor, existe possibilidade de a arroba chegar a R$ 380 até novembro, dependendo de fatores como a disponibilidade de animais para abate, os custos de produção, a demanda dos frigoríficos e o comportamento do mercado externo. Os valores da Cooperfeira são baseados em informações repassadas por compradores que realizam abates no Frifeira e servem como referência para o mercado regional.

Rosana Silva - Foto: Boca de Forno News

Para quem vai às compras, o aumento já é percebido diretamente nos preços dos cortes. A consumidora Rosana Ribeiro Silva conta que a carne de primeira, que fazia parte da rotina de compras, ficou muito mais cara. “Já percebo esse aumento há muito tempo. É um aumento exorbitante. Antes, a gente comprava carne de primeira por um valor e agora praticamente dobrou o preço". 

Segundo Rosana, um dos cortes que mais pesou no orçamento foi a alcatra. Ela lembra que costumava pagar cerca de R$ 30 pelo quilo e precisou mudar os hábitos diante da alta. “Eu comprava alcatra por R$ 30 e agora subiu bastante". 

Com o preço da carne vermelha mais elevado, a alternativa encontrada por ela é substituir os cortes por proteínas de menor custo. Frango, fígado e carne de segunda passaram a fazer parte da estratégia para equilibrar o orçamento. “A carne de segunda, a gente compra; o frango também está caro, mas a gente ainda prefere o frango. Estou optando também pelo fígado, porque dá para ter uma proteína mais em conta. A carne vermelha realmente está difícil de consumir todos os dias porque está muito alta". 

A consumidora explica que a redução no consumo da carne bovina não significa abrir mão das proteínas, mas fazer uma readequação das compras. “A gente não pode deixar de comer proteína, porque a proteína é importante para a gente. Então, a gente substitui, coloca uma mais em conta e vai levando". 

Rosana espera que os preços recuem nos próximos meses e defende medidas que possam contribuir para a redução dos valores. Com a aproximação do verão, período em que a demanda pode aumentar, ela afirma que o consumidor precisa continuar ajustando o orçamento. “A gente espera que esse preço caia, que haja algum tipo de política que faça cair esses preços. Infelizmente, nós não podemos deixar de consumir proteína. Então, a gente pega o ovo, pega o frango, vai fazendo o remanejamento, ajustando as contas e fazendo alguns malabarismos no que diz respeito ao consumo". 

Sidney Lima - Foto: Boca de Forno News

O consumidor Sidney Lima também considera os aumentos elevados e afirma que a alta não está restrita à carne bovina. Segundo ele, outros produtos também estão pesando no orçamento das famílias. “Os aumentos eu estou achando um absurdo, não só da carne, mas também de outros produtos. Está tudo caro. É um absurdo. O café está bem caro, o peixe também está com preço absurdo". 

Para Sidney, a alta dos alimentos obriga o consumidor a analisar constantemente os preços e procurar alternativas. No caso da carne, ele afirma que costuma trocar um corte por outro de acordo com o valor encontrado no momento da compra. “A gente tem que estar sempre se reinventando, sempre mudando. Quando a carne está cara, vai procurar uma semelhante, mas com preço bem mais baixo. Quando o frango está em um preço melhor, a gente deixa um pouquinho a carne e vai para o frango". 

Pequeno produtor rural, Sidney conta que a atividade também permite algumas alternativas para reduzir os gastos. Ele afirma que procura aproveitar a própria produção e acompanhar as oscilações dos preços para decidir o que comprar. “Como sou um pequeno produtor rural, isso facilita um pouco. A gente vai sempre analisando o preço e o que está mais barato para fazer essa balança, essa mediação entre uma coisa e outra". 

Entre os cortes que ele costuma observar estão chã de dentro e chã de fora. A estratégia, segundo Sidney, é adaptar a compra ao orçamento disponível. “A gente está sempre tendo que fazer essa análise. O salário continua o mesmo e o custo está cada vez mais alto. Então, é preciso analisar e fazer tudo certinho para conseguir ficar com algum dinheirinho no bolso, porque, senão, o dinheiro vai todo para as compras de casa". 

Diante do cenário, o planejamento financeiro passou a ser fundamental para os consumidores que desejam manter o consumo de carne e outras fontes de proteína. Para Sidney, a expectativa é de que os preços possam melhorar, embora ele avalie que fatores econômicos e tributários influenciam diretamente no valor final dos produtos. “A expectativa é que as coisas melhorem um pouquinho. Vamos pedir muito a Deus que isso aconteça. Tudo depende muito dos impostos. Se eles ficarem mais baixos ou mais altos, isso influencia muito. Então, a compra da gente depende muito disso". 

Enquanto a arroba do boi gordo permanece em patamar recorde no ano, consumidores de Feira de Santana seguem adaptando a lista de compras, alternando entre cortes, carnes de diferentes categorias, frango, ovos e outras fontes de proteína para tentar equilibrar alimentação e orçamento.

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