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Polícia PCC

Investigador-chefe, ex-policial e ex-estagiário do MP-SP são presos por suspeita de ajudar plano do PCC de matar promotor

Investigações apontam que trio também estaria envolvido em esquema de extorsão de investigados.

09/06/2026 10h01 Atualizada há 6 dias atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: O Globo
Fachada do MPSP — Foto: Divulgação
Fachada do MPSP — Foto: Divulgação

Um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo (MPSP) foram presos numa operação deflagrada nesta terça-feira por suspeita de serem infiltrados do Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações que baseiam a Operação Infiltrados apontam que os três estariam envolvidos num plano para matar um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MPSP, e num esquema de extorsão de investigados.

Agentes saíram às ruas para cumprir os três mandados de prisão, de natureza temporária, e outros dez de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista, incluindo uma ordem expedida contra um policial penal.

O investigador-chefe que foi preso trabalhava na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas na época de duas operações deflagradas para apurar o plano de assassinato de um promotor e um esquema de lavagem de dinheiro associado a dois traficantes. Já o ex-estagiário do MP-SP, hoje advogado, atuava numa promotoria criminal em Campinas e receberia ajuda do ex-policial civil alvo de mandado de prisão. A identidade dele não foi revelada.

A operação desta terça-feira é desdobramento de outras duas ações — a Operação Pronta Resposta, de 22 de agosto do ano passado, que apurou atuação de organização criminosa ligada ao PCC que estaria planejando matar o promotor de justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho; e a Operação Off White, realizada em 30 de outubro, para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligados a dois traficantes, incluindo Sérgio Luiz de Freitas. Mijão, como é conhecido, é apontado como integrante da sintonia final do PCC e figura na lista dos criminosos mais procurados do Brasil, elaborada pelo Ministério da Justiça.

As apurações do Gaeco apontaram que, uma semana antes da Operação Pronta Resposta, o responsável direto pela execução do plano para matar o promotor se reuniu com o chefe dos investigadores da Dise de Campinas. Vídeos registraram o encontro antes da deflagração da ação que acabaria frustrando os planos do suposto atentado. O Gaeco investiga informações privilegiadas e sensíveis que teriam sido repassadas ao criminoso pelo investigador-chefe.

Após as duas operações, o Gaeco também constatou que um membro da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão de uma pessoa que tinha informações privilegiadas. Os investigadores descobriram que o responsável direto pela extorsão seria um então estagiário do próprio MP-SP. Meses antes, ele teria se infiltrado de propósito numa das promotorias de Justiça Criminal de Campinas para fins criminosos.

O então estagiário teria acessado bancos de dados e sistemas de pesquisa e contado com a ajuda de outros agentes públicos — como um policial penal e um ex-policial civil, este expulso da Polícia Civil sob acusação de extorsão mediante sequestro — para identificar criminosos de alto poder econômico e extorquir dinheiro deles como contrapartida por suposta proteção. Outros dados da apuração indicam que os atos de extorsão também se valeram do uso de internet de um escritório de advocacia.

Participam da ação agentes do 1º BAEP, das Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal e a Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB — por conta das buscas em escritório de advocacia.

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