A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República recalculou a estratégia para o Nordeste após identificar dificuldades de aproximação com o eleitorado da região, tradicional reduto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Diante desse cenário, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu ampliar a presença e deve desembarcar novamente na Bahia no próximo dia 9, em uma agenda que terá peso político tanto nacional quanto estadual.
De acordo com a revista Veja, a visita ocorre depois de passagens recentes pelo Rio Grande do Norte e pela Paraíba, onde Flávio participou de eventos de filiação partidária e encontros com lideranças locais. A avaliação do núcleo bolsonarista é de que a campanha precisa reduzir a distância criada nos últimos meses em relação ao eleitorado nordestino, especialmente após o desgaste provocado pelas denúncias envolvendo ligações do senador para o banqueiro Daniel Vorcaro.
Inicialmente, a estratégia previa um retorno de Flávio ao Nordeste apenas durante o período dos festejos juninos, na semana do dia 20. O cronograma, porém, foi antecipado. Antes da passagem pela Bahia, o senador participa de agendas em São Paulo e no Pará.
Nos bastidores, porém, a agenda baiana é vista como uma movimentação com objetivo político mais amplo. Recebido pelo ex-ministro João Roma, aliado histórico do bolsonarismo no estado, Flávio deve pressionar o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo da Bahia, a explicitar de forma mais clara sua posição em relação ao projeto presidencial do PL.
Embora conte com apoio de setores ligados ao partido de Bolsonaro na Bahia, Neto tem evitado vincular publicamente sua imagem à candidatura de Flávio. A expectativa de integrantes do PL é de que a presença do senador no estado crie um constrangimento político e force o ex-prefeito a participar de agendas conjuntas ou sinalizar apoio mais direto ao presidenciável bolsonarista.
Ontem, esteve na Marcha para Jesus, na capital paulista, onde afirmou que compareceu ao evento para “orar pelo Brasil”. Na manifestação religiosa, o senador dividiu espaço com lideranças como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o advogado-geral da União, Jorge Messias. O senador também aproveitou a participação no ato para reforçar críticas ao governo Lula em meio ao desgaste diplomático envolvendo os Estados Unidos e declarações do presidente Donald Trump.
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