O cansaço excessivo, a falta de energia para realizar atividades simples do dia a dia, a irritação constante e até mesmo esquecimentos frequentes podem ser sinais de que algo não vai bem com a saúde. Ele pode indicar problemas de saúde física e mental, indo desde distúrbios do sono e estresse até anemia e alterações hormonais. Se o esgotamento durar mais de duas semanas e interferir na rotina diária, é essencial buscar avaliação médica para um diagnóstico correto
O alerta foi feito pelo clínico geral e cirurgião Tarcízio Pimenta durante o quadro “Palavra de Médico”, no programa Boca de Forno, da Rádio Sociedade News. Segundo o médico, muitas pessoas acreditam que viver cansado é algo normal diante da rotina corrida, mas a fadiga persistente merece atenção. “A pessoa vive dizendo que está cansada, quer dormir o tempo todo, dorme e acorda do mesmo jeito ou até pior. Isso não é normal e precisa ser investigado”, destacou.
Entre os sinais mais comuns estão a dificuldade de concentração, esquecimentos frequentes, irritação com situações simples do cotidiano, sensibilidade a barulhos e a sensação constante de exaustão. De acordo com Tarcízio Pimenta, quando esses sintomas passam a fazer parte da rotina, podem indicar um quadro de fadiga.
O médico explicou que existem dois tipos principais de fadiga: a aguda, que dura menos de três meses, e a crônica, caracterizada por sintomas persistentes por mais de seis meses. Neste último caso, a investigação médica torna-se ainda mais necessária.
Durante a entrevista, Tarcízio destacou que o cansaço pode se manifestar de diferentes formas. Entre elas está o cansaço mental, provocado pelo excesso de tarefas, pressão constante, necessidade de tomar decisões e até pelo consumo exagerado de café, especialmente durante a noite.
Há também o cansaço emocional, relacionado ao excesso de preocupações, conflitos pessoais e exposição constante a notícias negativas. Nesses casos, o médico recomenda acolhimento emocional, conversas com pessoas de confiança, demonstrações de afeto e momentos de reflexão.
Outro tipo citado foi o cansaço espiritual, que pode exigir momentos de oração, contemplação, silêncio e conexão interior. Já o cansaço sensorial está ligado ao excesso de estímulos, como o uso prolongado de telas, exposição a ruídos e ambientes muito iluminados.
O especialista também chamou atenção para o chamado cansaço social, que pode surgir em pessoas sobrecarregadas por compromissos, convivências desgastantes ou excesso de interações que acabam consumindo energia emocional.
Entre as causas mais frequentes da fadiga, Tarcízio Pimenta destacou hábitos inadequados de vida. Dormir menos de sete horas por noite, pular refeições, não beber água suficiente, consumir grandes quantidades de açúcar e carboidratos e levar uma vida sedentária estão entre os fatores que podem contribuir para o problema.
Deficiências nutricionais também aparecem entre as principais causas. A falta de ferro, vitamina D e vitamina B12 pode provocar cansaço intenso e comprometer a qualidade de vida. Além disso, condições como intestino inflamado e estresse crônico também merecem atenção.
Para identificar possíveis causas, o médico orienta que pacientes com sintomas persistentes procurem avaliação profissional e realizem exames básicos, incluindo dosagens de vitamina D, vitamina B12, ferro e ferritina, além da investigação da função da tireoide. “O hipotireoidismo é uma condição muito comum, especialmente entre as mulheres, e frequentemente causa fadiga, indisposição e sensação constante de cansaço”, explicou.
O uso de determinados medicamentos também pode estar associado ao problema. Entre eles estão remédios para doenças cardíacas, como atenolol, metoprolol e propranolol, além de medicamentos utilizados na saúde mental, como clonazepam, diazepam, quetiapina e amitriptilina.
Medicamentos como pregabalina, gabapentina, tramadol, codeína, morfina e até o uso prolongado de omeprazol também podem contribuir para a sensação de fraqueza e fadiga, segundo o especialista.
Tarcízio Pimenta ressaltou ainda que o cansaço pode ser um sintoma de doenças mais graves, como anemia, insuficiência cardíaca, fibromialgia, infecções, hipotireoidismo e apneia do sono. Em fumantes, a dificuldade respiratória causada pelo uso contínuo da nicotina também pode resultar em fadiga crônica.
Para o médico, o principal erro é tratar o problema como simples preguiça. “Muitas vezes não é falta de vontade. Existe uma doença de base ou alguma alteração de saúde que precisa ser diagnosticada, tratada e acompanhada”, alertou.
A recomendação é que pessoas que convivem com cansaço frequente, irritabilidade excessiva, dificuldade de concentração ou sono não reparador procurem atendimento médico para uma avaliação detalhada. O diagnóstico precoce pode ser fundamental para recuperar a qualidade de vida e evitar o agravamento de doenças que, muitas vezes, passam despercebidas.
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