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Política Santa Bárbara

Revogação de decreto de emergência em Santa Bárbara gera questionamentos sobre possível São João milionário

Após município decretar situação emergencial por causa das chuvas, decisão da Prefeitura de cancelar medida levanta debates sobre prioridades da gestão pública.

14/05/2026 08h37
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Bahia Notícia
Foto: Bahia Notícia

A cidade de Santa Bárbara, localizada na região sisaleira e próxima a Feira de Santana, vive dias de forte repercussão política após a revogação do Decreto nº 30/2026, que havia declarado situação de emergência no município devido às fortes chuvas registradas no início do ano.

A decisão assinada pelo prefeito Edifrancio de Jesus Oliveira passou a gerar questionamentos entre moradores e lideranças políticas após comentários sobre a possível realização de um São João antecipado de grande porte, com elevados investimentos públicos, começarem a circular nos bastidores da cidade.

A principal dúvida levantada pela população é direta: se o município enfrentava uma situação considerada grave a ponto de justificar um decreto de emergência, por qual motivo agora estaria discutindo a realização de uma festa milionária?

O Decreto nº 30/2026, publicado em 11 de março deste ano, afirmava oficialmente que o município enfrentava transtornos provocados por “fortes e intensas chuvas”, causando prejuízos em diversas localidades. No documento, a Prefeitura apontava danos em estradas vicinais, alagamentos, erosões e prejuízos à infraestrutura pública municipal, principalmente em comunidades rurais.

O texto também relatava prejuízos em residências, propriedades rurais, atividades produtivas e dificuldades de mobilidade enfrentadas por moradores da zona rural devido às condições das vias de acesso. Ainda segundo o decreto, relatórios técnicos da Defesa Civil municipal indicavam necessidade urgente de adoção de medidas emergenciais.

Com a publicação do decreto, a administração municipal autorizou a mobilização total dos órgãos públicos para ações de resposta aos danos causados pelas chuvas. O documento também permitia a adoção de medidas administrativas urgentes, utilização de propriedades em situações de risco e até dispensa de licitação para contratação de bens, serviços e obras destinadas à recuperação das áreas afetadas.

Na ocasião, a própria gestão municipal reconheceu oficialmente a gravidade da situação enfrentada pelo município. Porém, no último dia 11 de maio, a Prefeitura publicou o Decreto nº 46/2026, revogando integralmente a situação de emergência decretada anteriormente.

O novo documento cancela oficialmente o decreto emergencial de março, mas não detalha publicamente quais fatores técnicos motivaram a mudança de entendimento da administração municipal. A decisão chamou atenção principalmente de moradores da zona rural, que ainda relatam dificuldades estruturais e impactos provocados pelas chuvas registradas nos últimos meses.

Paralelamente à revogação do decreto, comentários sobre a possível realização de um São João antecipado de grande porte passaram a movimentar os bastidores políticos da cidade.

A situação aumentou a repercussão entre moradores, comerciantes e lideranças locais, principalmente diante do contraste entre o cenário emergencial apresentado pela própria Prefeitura há menos de dois meses e a possibilidade de elevados investimentos em festividades.

Nas ruas e nas redes sociais, moradores passaram a questionar se os recursos públicos não deveriam ser direcionados para recuperação de estradas vicinais, assistência às famílias afetadas e melhorias estruturais em comunidades rurais.

Ana Paula Cunha - Foto: Reprodução / Vídeo - Redes Sociais 

A presidente municipal do MDB em Santa Bárbara e integrante da oposição, Ana Paula Cunha, comentou o assunto nas redes sociais e questionou a decisão da Prefeitura de revogar o decreto emergencial.

Segundo ela, o município não teria sofrido impactos suficientes para justificar a decretação da emergência desde o início. “Dois meses exatamente depois, no dia 11 de maio, ele revogou este decreto. Agora ele não diz a justificativa porque revogou. Nós sabemos desde o primeiro decreto que houve fortes chuvas, mas que não teve impacto nenhum dentro do município, é sabido por todos”, afirmou.

Ana Paula também levantou questionamentos sobre os motivos da revogação da medida. “Por que será que dois meses depois o prefeito revoga um decreto que ele deu em março? Perguntar não ofende”, declarou.

Até o momento, a Prefeitura de Santa Bárbara não apresentou publicamente detalhes técnicos sobre a revogação do decreto emergencial nem confirmou oficialmente os rumores envolvendo possíveis investimentos milionários no tradicional São João do município.

Enquanto isso, o assunto segue repercutindo em Santa Bárbara e em cidades da região sisaleira, ampliando o debate sobre responsabilidade administrativa, prioridades públicas e transparência na aplicação dos recursos municipais.

Com informações do site Bahia Notícia

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