O senador Angelo Coronel (Republicanos) se posicionou contra a proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil e afirmou que a medida pode provocar aumento do desemprego. Em entrevista ao Repórter Hoje, o parlamentar disse que a mudança traria dificuldades práticas para setores que funcionam em horários ampliados, como comércio, lazer e alimentação.
“Isso vai gerar, na minha ótica, desemprego. Porque, por exemplo como é que vai funcionar os shoppings com que trabalha sábado e domingo. Como é que fica o cinema, como é que fica o restaurante? Eu acho que nós temos que ter a liberdade do empregado e do empregador discutirem qual é a sua carga de trabalho”, declarou.
Para o senador, o modelo ideal de relação trabalhista seria semelhante ao adotado nos Estados Unidos, onde, segundo ele, a remuneração está diretamente vinculada às horas trabalhadas. “Por que lá a pessoa trabalha por hora. Trabalhou ganhou, não trabalhou não ganhou, e pode trabalhar fim de semana e feriado”, afirmou.
Coronel também defendeu que as decisões sobre jornada e carga horária devem ser tratadas diretamente entre empregador e empregado, sem interferência do governo. Na avaliação dele, a liberdade de negociação deve prevalecer nas relações de trabalho. “Não é o governo que tem que impor ao empregador, nem ao empregado qual é o horário de trabalho, porque todo mundo é livre. Todo mundo sabe que de segunda a sexta é o trabalho normal, mas se o cara quer trabalhar sábado e domingo, qual é o problema? Quem que vai impedir isso? Isso é uma questão de patrão e empregado. Não é o governo que tem que se meter nisso”, pontuou.
O posicionamento ocorre em meio ao avanço de propostas sobre o tema no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou a tramitação de duas iniciativas que tratam da redução da jornada, incluindo a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e outra proposta do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A análise, no entanto, foi temporariamente interrompida após pedido de vista da oposição.
Paralelamente, o governo federal decidiu apostar em um projeto de lei com urgência constitucional para tratar do fim da escala 6x1, encaminhado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso. A estratégia busca acelerar o debate e medir o apoio político à mudança.
No Senado, a discussão também já avançou. A PEC 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e aguarda votação no plenário. Com isso, o Congresso analisa simultaneamente diferentes propostas sobre o tema, que variam em formato, prazos e possíveis impactos no mercado de trabalho.
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