Em meio às discussões sobre valores de cachês e uso de emendas parlamentares para contratação de atrações musicais no período junino, produtores culturais de Feira de Santana estão articulando a criação de uma associação para representar o setor. A iniciativa surge após críticas de profissionais da área sobre a definição de tetos de pagamento para shows e a forma como recursos públicos estariam sendo destinados às prefeituras.
O produtor musical Guto Serqueira confirmou que a entidade já concluiu os trâmites legais e deve iniciar as atividades nos próximos dias. Segundo ele, a proposta é oferecer suporte jurídico e contábil aos profissionais da música, além de acompanhar a aplicação de verbas destinadas a eventos, especialmente durante o São João.
De acordo com Guto, poderão se associar cantores, compositores, autores, músicos e produtores. A ideia, segundo ele, é criar um espaço de amparo institucional tanto para artistas iniciantes quanto para nomes já consolidados no mercado, inclusive aqueles que, na avaliação dele, não têm acesso aos grandes circuitos de shows.
Durante entrevista, o produtor também questionou o estabelecimento de cachês que podem chegar a R$ 700 mil para apresentações juninas. Na avaliação dele, poucas prefeituras teriam capacidade de arcar com esses valores com recursos próprios, o que indicaria forte dependência de emendas parlamentares. Ele levantou suspeitas de possível superfaturamento em alguns contratos e defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas pelos órgãos de controle.
Guto afirmou ainda que a rastreabilidade das transferências bancárias permitiria acompanhar o destino dos recursos e defendeu que denúncias, caso existam indícios de irregularidade, sejam formalizadas coletivamente por meio de associações ou grupos organizados.
Outro ponto abordado foi a suposta concentração do mercado de shows na Bahia nas mãos de poucos grupos empresariais, o que, segundo ele, dificultaria o acesso de novos artistas aos grandes palcos. Ele também criticou a diferença entre os altos valores pagos a atrações principais e os cachês recebidos por músicos integrantes das bandas.
Até o momento, não houve manifestação oficial de prefeituras, parlamentares ou produtores citados nas declarações. O espaço permanece aberto para posicionamentos das partes mencionadas.
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