A rodovia BR-101 foi interditada nesta quarta-feira (18), no trecho de Itamaraju, no extremo sul da Bahia, por produtores rurais que alegam estar sendo ameaçados e expulsos de pelo menos quatro fazendas nos últimos dias, na região de Prado.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o tráfego está interditado nos dois sentidos da rodovia. Os manifestantes, no entanto, têm liberado a passagem de veículos de forma alternada: a cada duas horas, são abertos 15 minutos para o sentido sul e 10 minutos para o sentido norte.
A orientação é que motoristas redobrem a atenção, principalmente quem retorna do feriado de Carnaval e segue pela BR-101 em direção a estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Esse mesmo trecho da rodovia já havia sido fechado pelos produtores rurais na terça-feira (17). A interdição durou cerca de sete horas e provocou um longo engarrafamento.
Segundo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a chamada “ação de retomada” foi retomada em fevereiro em quatro propriedades localizadas na região de Prado, com a participação de diversas comunidades indígenas.
Ainda conforme o órgão, a Terra Indígena Comexatibá, onde estão situadas as propriedades, teve a portaria declaratória assinada em novembro do ano passado pelo ministro da Justiça, reconhecendo a área como de posse permanente do povo Pataxó.
No entanto, as etapas necessárias para a efetivação da portaria ainda não foram concluídas. A Funai afirma que a indefinição no processo tem gerado insegurança e contribuído para um cenário de violência na região.
Outro ponto de interdição
A BR-101 também foi interditada em Ibirapitanga, no sul do estado. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, agricultores bloquearam a rodovia no quilômetro 403, no distrito de Itamarati.
Os manifestantes protestavam contra a importação e a queda no preço do cacau. Galhos e pneus foram utilizados para fechar a via. Segundo a PRF, a via foi totalmente liberada às 14h25.
Sobre a redução no valor do produto, a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) informou que a queda não é um fenômeno local, mas global. De acordo com a entidade, o movimento começou no ano passado, impulsionado pela redução no consumo de derivados do cacau.
Já a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) informou que solicitou ao Ministério da Agricultura e Pecuária a intensificação da fiscalização dos navios que importam cacau. A federação também pediu a revisão da Instrução Normativa 125, que estabelece regras para a importação do produto.
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