A violência no trânsito segue como uma das principais causas de atendimentos de urgência em Feira de Santana e preocupa autoridades da saúde e da segurança viária. O tema foi discutido em coletiva de imprensa realizada no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), reunindo representantes do hospital, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), do Corpo de Bombeiros e da sociedade civil.

A diretora do HGCA, Cristiana França, destacou que os acidentes de trânsito lideram os atendimentos graves da unidade. “Cerca de 80% dos pacientes politraumatizados atendidos no hospital são vítimas de acidentes”, afirmou. Apenas em 2025, foram registrados 3.339 atendimentos, um aumento de quase 7% em relação ao ano anterior. Segundo ela, além do impacto humano, os custos são elevados: um paciente politraumatizado na UTI pode custar quase R$ 5 mil por dia ao SUS.
A inspetora da PRF, Lívia Marcelino, ressaltou que o problema exige atuação integrada. “O Brasil gasta cerca de R$ 449 milhões por ano com acidentes de trânsito, recursos que poderiam ser investidos em outras áreas da saúde”, disse. Ela chamou atenção para o aumento da frota de motocicletas e para falhas de infraestrutura no Anel de Contorno, como iluminação precária e problemas na sinalização.

Já o superintendente da SMT, Ricardo da Cunha, afirmou que Feira de Santana não segue a tendência nacional de crescimento dos sinistros. “Temos conseguido reduzir proporcionalmente os acidentes, com foco na fiscalização, na Lei Seca e na educação para o trânsito”, explicou. Ele reforçou que o maior desafio ainda é a mudança de comportamento dos condutores.
Representando o Corpo de Bombeiros, o comandante Adriano Bertolino explicou que a corporação atua principalmente nos casos mais graves, como acidentes com múltiplas vítimas. “Além do resgate, investimos fortemente em prevenção, com palestras e campanhas educativas, principalmente nas escolas”, destacou. Segundo ele, no ano passado foram atendidas 69 vítimas, com maior concentração no Anel de Contorno.

Representando a Câmara da Mulher Leidiane Queiroz, afirmou que o fórum surgiu para dar visibilidade aos dados. “As pessoas sabem que existem acidentes, mas não têm dimensão dos números e do prejuízo para o poder público. Quando a sociedade entende, passa a dirigir com mais consciência”, disse. Ela anunciou um segundo fórum, aberto ao público, previsto para o dia 2 de março.

O presidente do CIFS, Geraldo Pires, defendeu ações educativas contínuas. “Quando mostramos os números, as pessoas se surpreendem. A conscientização é difícil, mas necessária, começando pelas crianças e chegando aos trabalhadores”, afirmou.
Com informações: Onildo Rodrigues
Por: Mayara Nailanne
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