Os deputados da Coreia do Sul aprovaram, neste sábado (14), o impeachment do presidente Yoon Suk Yeol, após uma votação que resultou em 204 votos a favor, 85 contra e três abstenções.
A decisão ocorre após uma série de eventos que enfraqueceram o líder político, incluindo a recente tentativa de implementar e revogar uma lei marcial que restringia direitos civis. O impeachment foi aprovado menos de uma semana após uma primeira tentativa frustrada, quando apenas dois deputados do partido governista haviam apoiado a medida.
A votação deste sábado foi acompanhada de perto pela oposição, que já negociava nos bastidores há uma semana para conseguir o número necessário de votos. A aprovação foi um reflexo do crescente descontentamento com a gestão de Yoon, especialmente após ele ter enfrentado acusações de "rebelião" e sua popularidade ter caído drasticamente para 11%, segundo pesquisas. O presidente havia prometido lutar "até o último minuto" para permanecer no cargo.
O que acontece?
Com o impeachment aprovado, Yoon perde imediatamente a presidência, sendo substituído interinamente pelo primeiro-ministro Han Duck Soo. O Tribunal Constitucional sul-coreano agora tem até seis meses para revisar o caso e decidir se confirma ou rejeita o impeachment. Caso o tribunal valide a decisão, uma nova eleição presidencial deverá ser convocada dentro de 60 dias.
O impeachment está diretamente relacionado a um decreto de lei marcial promulgado por Yoon em 3 de dezembro, que visava substituir a legislação civil por normas militares e restringir liberdades civis. A medida foi amplamente criticada, e milhares de sul-coreanos saíram às ruas em protesto. Mesmo com a Assembleia Nacional fechada, deputados conseguiram se reunir e anular a lei, forçando Yoon a revogá-la, o que enfraqueceu ainda mais seu governo.
Yoon, eleito presidente em 2022 por uma margem apertada, inicialmente ganhou notoriedade como promotor, investigando escândalos de corrupção no país. No entanto, seu governo foi marcado por uma série de crises, incluindo a alta do custo de vida, o aumento da desigualdade e uma queda substancial em seu apoio popular.
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