Os criminosos que executaram a Mãe Bernadete, morta há quase um mês, chegaram à porta da líder quilombola como se fossem visitas. Os netos da vítima, que presenciaram o crime, abriram a porta para um dos executores pensando se tratar de um tio.
A revelação foi feita por Wellington Gabriel, um dos netos de Mãe Bernadete, que estava no local do crime, e que concedeu uma entrevista ao Jusnews Podcast, da BNews TV, nesta terça-feira (12).
O jovem explicou que o restante da família estava em casa, conversando, enquanto ele estava no quarto. Nesse momento, os bandidos entraram no imóvel, pegaram os celulares de todos que estavam no local e, logo depois, efetuaram os disparos.
"Como a gente tinha um tio que estava em outra residência próxima a nossa, ele tinha o costume de transitar nas duas casas. As crianças abriram a porta, pensaram que era ele", contou o rapaz durante a entrevista.
Também foi entrevistada a advogada da família, Suzane Sales, que ressaltou o fato de que Mãe Bernadete estava no programa de proteção de defensores de direitos humanos desde 2017, quando o filho dela, Binho do Quilombo, foi assassinado. Para a defesa e os familiares, a falha no programa de proteção tem grande peso sob a morte da ialorixá
"Ela já estava inserida no programa de proteção e tudo ocorreu nessa perspectiva porque já estavam sendo questionados e denunciados fatos acerca de vários empreendimentos na localização, e o fato de ela estar num programa de proteção é o que nos levanta a nova discussão: quem mandou matar, não apenas os executores, e a essa sensação de vulnerabilidade desses programas de proteção", declarou a defesa.
Mãe Bernadete devia ter, com o programa de proteção, uma ronda policial 24 horas, o que, segundo investigações mostraram, não acontecia. Os policiais, na verdade, apareciam na casa de Bernadete apenas no final de tarde, perguntando se tudo ocorria bem no local. O governo da Bahia diz que, agora, está revisando todos os protocolos de proteção.
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