A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirmou, na noite de quinta-feira (11), a ocorrência de um incidente envolvendo material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado na Zona Oeste de São Paulo. Segundo o órgão, o episódio aconteceu durante a retirada de sensores biológicos de uma autoclave utilizada na fabricação de radiofármacos, quando foram identificados vestígios de tecnécio-99.
De acordo com o Relatório de Ocorrência Interna (ROI), dois profissionais que atuam em áreas com exposição ocupacional a materiais radioativos passaram por exames preventivos em um equipamento conhecido como Contador de Corpo Inteiro, utilizado para medir possíveis níveis de radioatividade no organismo. Os resultados apontaram índices baixos e descartaram qualquer contaminação interna dos trabalhadores.
O tecnécio-99 é um radioisótopo amplamente empregado em exames de diagnóstico por imagem. Na forma utilizada na medicina, possui meia-vida curta, de cerca de seis horas, o que reduz significativamente sua permanência no organismo.
O Ipen informou que a ocorrência ficou restrita a uma área controlada do Centro de Radiofarmácia. Em nota divulgada na madrugada desta sexta-feira (12), o instituto esclareceu que nenhum servidor foi contaminado e que apenas o vestuário de um dos profissionais apresentou traços de material radioativo. Como não houve riscos residuais ou consequências à saúde, nenhum funcionário precisou permanecer sob acompanhamento médico.
A CNEN destacou que as avaliações e medições foram realizadas por especialistas em proteção radiológica, garantindo que o material permanecesse confinado à área isolada. Os trabalhadores envolvidos receberam treinamento complementar, enquanto o caso continua sendo analisado internamente. O relatório completo foi encaminhado à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) para avaliação.
O episódio ganhou repercussão após uma denúncia anônima sobre um possível vazamento radioativo ocorrida em 29 de maio na unidade do instituto na Cidade Universitária. A situação veio a público depois que o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) solicitaram esclarecimentos formais à direção do instituto e à própria CNEN.
Antes da confirmação oficial, a ANSN informou que havia iniciado uma investigação técnica após receber a denúncia. O órgão ressaltou que todas as notificações relacionadas a instalações radiativas são analisadas com rigor e seguem protocolos específicos de apuração. Informações apresentadas pelas entidades apontavam que o caso exigiu procedimentos emergenciais de descontaminação, retenção de roupas utilizadas pelos trabalhadores e atuação da equipe de proteção radiológica para controle da situação.
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