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Neurocirurgia pediátrica e tratamento de distúrbios do movimento ganham reforço especializado em Feira de Santana
Com formação internacional e participação em cirurgias raras realizadas em Goiás, neurocirurgiã Ana Moura passa a atuar no Instituto do Cérebro e no Hospital Estadual da Criança.
06/11/2026 09h57
Por: Karoliny Dias Fonte: Assessoria de Imprensa | Agência Viver Mais
Foto: Divulgação

Feira de Santana amplia sua capacidade de atendimento em neurocirurgia pediátrica, doenças neurológicas raras e distúrbios do movimento com a chegada da médica Ana Maria Ribeiro de Moura. Com formação internacional e experiência em procedimentos de alta complexidade, a neurocirurgiã passa a atuar no Instituto do Cérebro e no Hospital Estadual da Criança (HEC), fortalecendo a assistência especializada oferecida à população de Feira de Santana e de municípios da região.

A chegada da profissional ao município chama a atenção por sua trajetória na neurocirurgia funcional e pediátrica, especialmente no tratamento de crianças com doenças neurológicas complexas. Entre os procedimentos de sua experiência profissional está a Estimulação Cerebral Profunda (DBS), técnica que utiliza eletrodos implantados em regiões específicas do cérebro para ajudar a controlar sintomas de determinados distúrbios do movimento.

Em 2024, a médica foi responsável por uma cirurgia de alta complexidade realizada em Goiás, em um menino baiano de 10 anos diagnosticado com neurodegeneração associada à pantotenato quinase (PKAN), também conhecida como Síndrome de Hallervorden-Spatz. O procedimento foi divulgado na época como o segundo desse tipo realizado no Brasil, ambos realizados em Goiás e pela Dra. Ana Moura.

A criança, natural de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, apresentava distonia generalizada, condição que provoca contrações musculares involuntárias, movimentos de torção e rigidez intensa, podendo comprometer atividades básicas e provocar dores importantes.

A cirurgia, realizada por uma equipe liderada pela Dra. Ana Moura, durou aproximadamente sete horas, envolveu 14 profissionais e consistiu na implantação de eletrodos cerebrais conectados a um dispositivo de estimulação elétrica. Segundo informações divulgadas na época, o paciente apresentou melhora inicial da rigidez muscular e do controle voluntário dos movimentos após a intervenção.

A experiência evidencia um dos principais desafios enfrentados por famílias de pacientes com doenças raras: encontrar profissionais e serviços especializados capazes de oferecer diagnóstico, acompanhamento e, quando indicado, tratamento cirúrgico. Em muitos casos, essa busca exige deslocamentos para outros estados.

Formação internacional e atuação em doenças raras

Graduada em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Ana Moura possui formação complementar em neurociências e neurocirurgia funcional pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos. Também realizou formação em neurocirurgia geral, pediátrica e funcional na Universidade de Montpellier, na França, além de aperfeiçoamento em radiocirurgia no Hospital Universitário La Timone, em Marselha.

Sua trajetória inclui atuação em instituições hospitalares de São Paulo e Goiás, com experiência em neurocirurgia pediátrica, epilepsia, espasticidade, doenças raras e distúrbios do movimento.

Em 2025, a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia anunciou sua nomeação como coordenadora de Doenças Raras em Neurocirurgia, área que reúne condições neurológicas de difícil diagnóstico e tratamento, algumas delas com possibilidade de abordagem cirúrgica.

Além das doenças raras, a especialista atua no tratamento de condições como hidrocefalia infantil, malformações do sistema nervoso, distonias e outras alterações neurológicas que podem exigir acompanhamento neurocirúrgico.

A hidrocefalia, por exemplo, é caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano no cérebro. Em bebês e crianças, pode provocar aumento do perímetro cefálico, vômitos, irritabilidade e alterações neurológicas, sendo fundamental o diagnóstico precoce para definir a melhor conduta terapêutica.

Assistência especializada mais perto das famílias

A atuação da neurocirurgiã em Feira de Santana representa uma oportunidade de ampliar o acesso regional a avaliações e tratamentos especializados, especialmente para pacientes pediátricos com condições neurológicas complexas.

No Instituto do Cérebro, a médica passa a integrar a assistência especializada oferecida no município. Já no Hospital Estadual da Criança, sua atuação estará inserida na rede pública de saúde, que atende crianças de Feira de Santana e de diferentes municípios baianos.

A presença de profissionais com experiência em procedimentos de alta complexidade também contribui para fortalecer a integração entre especialidades médicas e ampliar as possibilidades de acompanhamento dos pacientes no interior do estado.

Para Ana Moura, aproximar a neurocirurgia especializada das famílias é um passo importante na construção de uma assistência mais acessível e resolutiva.

“Quando uma família recebe o diagnóstico de uma doença neurológica complexa, especialmente em uma criança, começa uma jornada que muitas vezes envolve dificuldades para encontrar atendimento especializado. Nosso objetivo é contribuir para que esses pacientes tenham acesso a uma avaliação adequada e às possibilidades de tratamento, sem que o deslocamento para grandes centros seja sempre a única alternativa”, destaca a neurocirurgiã.