Feira de Santana Estiagem
Estiagem compromete produção agrícola e agrava dificuldades em sete distritos da zona rural de Feira de Santana
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Adriana Lima relata perdas de safras, falta de pastagem para os animais, lagoas sem água e dificuldades de abastecimento. Entidade cobra ações do poder público, distribuição de cisternas e fornecimento de ração animal.
29/10/2026 09h04
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Adriana Lima - Foto: Boca de Forno News

A longa estiagem que atinge Feira de Santana tem provocado prejuízos à produção agrícola, dificuldades para a manutenção dos animais e problemas no abastecimento de água para famílias da zona rural. Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Feira de Santana, Adriana Lima, a baixa quantidade de chuvas ao longo do ano comprometeu o preparo do solo, impediu o desenvolvimento de diversas plantações e agravou as condições de sobrevivência dos agricultores familiares. De acordo com a dirigente, sete dos oito distritos do município enfrentam grandes dificuldades em decorrência da falta de chuva.

Em entrevista ao Portal Boca de Forno News, Adriana afirmou que a situação começou a se agravar desde o início do ano, período marcado pela pouca ocorrência de precipitações. Ela relacionou o cenário às mudanças climáticas e ao fenômeno El Niño, apontando que a escassez de chuva prejudicou diretamente as atividades no campo. “Desde o início do ano, a quantidade de chuva em nosso município foi bem pequena. Em algumas comunidades, muitos agricultores não tiveram condições de preparar o solo para o plantio. Por conta da falta de chuva, aqueles que resolveram plantar perderam a safra, porque não houve condições de desenvolvimento das plantações”, relatou.

Segundo a presidente do sindicato, poucas famílias conseguiram obter algum resultado com a produção rural neste ano. A falta de chuva comprometeu não apenas o cultivo agrícola, mas também a formação de pastagens, essenciais para a alimentação dos animais. “Hoje, estamos passando por muitas dificuldades. Como a quantidade de chuva foi pequena, não houve condições de formar pastagens para os animais, que também passam por uma série de dificuldades relacionadas à fome. As lagoas do nosso município estão sem água, porque não houve chuva suficiente”, afirmou.

Adriana destacou que a situação afeta tanto a produção agrícola quanto a criação de animais e as condições de vida das famílias que dependem do trabalho no campo. Para ela, a ausência de chuva tem imposto uma série de dificuldades à convivência e à permanência das comunidades no meio rural.

Questionada sobre quais localidades apresentam o cenário mais preocupante, Adriana Lima afirmou que apenas o distrito de Humildes enfrenta uma condição relativamente menos grave, em razão de sua localização em uma região de transição com características do Recôncavo Baiano. “Se você me perguntar qual distrito está com a situação mais amenizada, eu digo que é apenas Humildes, por estar localizado em uma região do Recôncavo. Mas os outros sete distritos do município passam por grandes dificuldades em relação à longa estiagem que estamos vivenciando”, explicou.

O relato aponta para a abrangência do problema no território rural de Feira de Santana, com impactos sobre as famílias que dependem da agricultura familiar e da criação de animais para a subsistência e a geração de renda.

Em relação às medidas adotadas para amenizar os efeitos da estiagem, a presidente do sindicato informou que a Prefeitura de Feira de Santana tem realizado o abastecimento de água por meio de carros-pipa para algumas famílias que enfrentam dificuldades de acesso ao recurso. No entanto, segundo ela, a medida não consegue atender a todas as comunidades que necessitam de assistência. “Até o momento, o único paliativo que está acontecendo é a Prefeitura abastecendo algumas famílias que não têm água. Porém, isso ocorre de forma muito limitada, porque não há condições de abastecer uma grande extensão do nosso município. Continuamos passando por uma série de dificuldades e fazendo reivindicações, mas, até o momento, nada chegou, principalmente para os agricultores familiares”, declarou.

Adriana explicou que, embora exista abastecimento de água encanada em boa parte da zona rural, o fornecimento não ocorre em volume suficiente para atender às necessidades das famílias. Segundo ela, a situação varia conforme as condições de acesso e a capacidade de armazenamento de cada residência. “Água encanada existe em boa parte do município, porém não está chegando em grande quantidade. As pessoas que têm algum reservatório e conseguem ter acesso com mais facilidade ainda conseguem o abastecimento por carro-pipa. Entretanto, temos um número grande de famílias que não possui reservatório, principalmente reservatórios com maior capacidade de armazenamento”, disse.

Na avaliação da dirigente, a falta de estruturas adequadas para guardar água amplia os prejuízos e as dificuldades enfrentadas pelas comunidades rurais. Sem condições de armazenar o recurso quando ele chega, as famílias ficam ainda mais vulneráveis à irregularidade do abastecimento.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais informou que a entidade já realizou reuniões com representantes da Defesa Civil para discutir os efeitos da estiagem. Apesar disso, ela considera que as visitas às comunidades, por si só, não são suficientes para resolver os problemas enfrentados pelos moradores. “Já nos reunimos algumas vezes com a Defesa Civil, mas ela não tem muito o que fazer. A Defesa Civil realiza visitas, porém precisamos não apenas da presença, mas também de algum subsídio para conseguirmos conviver com essa longa estiagem no nosso município”, afirmou.

Segundo Adriana, as reivindicações apresentadas até o momento não resultaram na chegada dos recursos e das medidas que, na avaliação do sindicato, são necessários para atender os trabalhadores rurais. Ela também foi questionada sobre a existência de ações assistenciais específicas da Prefeitura para diminuir o sofrimento das famílias da zona rural. Em resposta, afirmou que, apesar da realização de reuniões, as medidas consideradas necessárias pela entidade ainda não foram efetivadas. “Até o momento, não. Já houve algumas reuniões, porém aquilo que é necessário ainda não chegou”, declarou.

Entre as principais preocupações do sindicato está a sobrevivência dos animais criados nas comunidades rurais. Com a ausência de chuvas, a formação de pastagens foi prejudicada, reduzindo a disponibilidade de alimento para os rebanhos. Adriana alertou que, em algumas localidades, animais já estão morrendo em decorrência da falta de alimentação. Diante desse quadro, uma das principais reivindicações da entidade é a compra e a distribuição de ração animal para auxiliar os produtores durante o período de estiagem. “Existe uma necessidade para ontem da compra de ração animal, porque, em algumas comunidades, os animais já estão morrendo devido à ausência de pastagem e de alimentação”, ressaltou.

A dirigente destacou que a situação exige medidas que atendam às necessidades mais imediatas dos agricultores familiares, especialmente daqueles que não dispõem de recursos para manter a alimentação dos animais durante um período prolongado sem chuva. Além da ração, o sindicato reivindica medidas para garantir o abastecimento de água às famílias e a distribuição de cisternas para as residências que não possuem reservatórios.

“Precisamos também do abastecimento das famílias e da distribuição de cisternas, porque muitas não têm nenhum tipo de reservatório. Precisamos desses reservatórios para que, quando a água chegar, seja pela Embasa ou pela Prefeitura, as famílias tenham onde armazená-la e possam manter a vida no campo”, explicou. De acordo com Adriana, a instalação de cisternas é uma medida importante para ampliar a capacidade de armazenamento de água e reduzir a vulnerabilidade das comunidades diante da irregularidade do abastecimento.

Apesar da expectativa gerada pelas previsões meteorológicas e da ocorrência de chuva em dias recentes, a presidente do sindicato afirmou que as precipitações registradas na zona rural foram muito fracas e não produziram mudanças significativas nas condições enfrentadas pelos agricultores. “A chuva chegou, mas em quantidade muito pequena, em forma de chuvisco. Não dá nem para molhar a terra; serve, no máximo, para diminuir a poeira”, relatou.

Segundo ela, a necessidade das comunidades é de chuvas mais intensas e em quantidade suficiente para recuperar a umidade do solo, favorecer o desenvolvimento das plantações e contribuir para a formação de pastagens destinadas aos animais.

Adriana também mencionou que estudos e informações divulgados pela climatologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e por outros setores indicavam um cenário pouco favorável à ocorrência de chuvas em grande volume naquele período. “Pelos estudos apresentados, principalmente pela climatologia da UEFS e por outros setores, a informação é de que, infelizmente, não haverá chuva em grande quantidade neste período. O que estamos precisando agora é justamente de uma chuva mais intensa”, afirmou.

A dirigente acrescentou que, mesmo diante de eventos recentes que geraram expectativa de precipitações mais expressivas, a chuva não chegou com a intensidade esperada. A perspectiva de continuidade da escassez aumenta a preocupação com os próximos dias, sobretudo pela dependência das famílias rurais em relação à água para consumo, produção agrícola e criação de animais.

Diante da continuidade da estiagem, Adriana Lima afirmou que o sindicato seguirá atuando na cobrança por medidas de assistência às comunidades rurais. Desde o início do ano, segundo ela, a entidade tem encaminhado documentos aos órgãos competentes, participado de reuniões e solicitado providências para enfrentar os efeitos da falta de chuva. “Desde o início do ano, temos feito documentos, enviado aos órgãos competentes, realizado reuniões e cobrado. Porém, nada tem chegado”, declarou.

A presidente ressaltou que o sindicato tem como atribuições organizar, representar e defender os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras rurais. Nesse sentido, a entidade procura estabelecer a interlocução entre as comunidades e o poder público, levando as reivindicações dos agricultores familiares e cobrando respostas para as necessidades identificadas. “O sindicato é um instrumento de luta, de organização e de representatividade. Nosso papel é fazer essa ponte, representando os trabalhadores, cobrando e exigindo condições humanas para que possamos manter a vida de pé na zona rural”, afirmou.

Para Adriana, a situação exige a participação das diferentes instâncias do poder público, com ações capazes de atender às necessidades imediatas das famílias e garantir condições de permanência no campo. “Esperamos que o poder público e as diferentes instâncias possam cooperar neste momento de muita dificuldade que o meio rural e as pessoas que vivem nele estão enfrentando”, concluiu.