Feira de Santana Estiagem
Estiagem exige atenção redobrada na zona rural de Feira de Santana, diz coordenador da Defesa Civil
Jaguara, Maria Quitéria e Bonfim de Feira estão entre as áreas que recebem monitoramento intensificado; município acompanha impactos das mudanças climáticas e prepara medidas para minimizar efeitos da seca.
28/10/2026 17h32
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News

A estiagem continua sendo uma das principais preocupações da Defesa Civil de Feira de Santana, especialmente nas comunidades da zona rural. Segundo o coordenador do órgão, Antônio José, o município vive os impactos das mudanças climáticas e do fenômeno El Niño, que têm agravado a redução das chuvas na região Nordeste. Embora descarte, neste momento, uma crise hídrica instalada, ele afirma que equipes municipais e estaduais intensificaram o monitoramento das áreas mais vulneráveis para planejar ações preventivas e mitigatórias.

De acordo com Antônio José, toda a zona rural exige atenção, mas alguns distritos apresentam maior vulnerabilidade devido às diferenças no regime de chuvas entre as localidades. "Quando a gente fala de estiagem, lembra principalmente que estamos com um sério problema das mudanças climáticas. Esse super El Niño já é uma realidade no mundo inteiro, e aqui a nossa região Nordeste está mais castigada com a estiagem", afirmou.

Ele explicou que Humildes costuma registrar maior volume de chuvas do que Jaguara, o que influencia diretamente na situação enfrentada pelas comunidades. "Os nossos pontos críticos são principalmente a zona rural como um todo. Porém, Feira de Santana tem características diferentes. Humildes tem mais precipitação pluviométrica do que a região de Jaguara. Frequentemente, localidades de Maria Quitéria, Bonfim de Feira e Jaguara requerem uma atenção diferenciada, mais preventiva e mitigatória, que é o que já estamos fazendo". 

O coordenador informou que o trabalho de acompanhamento começou ainda no fim de abril e foi intensificado em maio, quando equipes passaram a visitar povoados dos distritos para avaliar os efeitos da seca.

Na última segunda-feira, técnicos da Superintendência Estadual de Proteção e Defesa Civil estiveram em Jaguara, distrito que possui cerca de 64 localidades, realizando vistorias conjuntas. "Desde o final de abril e maio já começamos as visitas aos povoados dos distritos. Jaguara, por exemplo, tem em média 64 localidades. Estivemos lá com os técnicos da Superintendência Estadual para elaborar um relatório e verificar quais medidas mitigatórias podem ser trazidas para o município". 

Segundo Antônio José, o levantamento envolve registros fotográficos, relatórios técnicos, observações em campo e conversas com moradores. "Somente a partir das análises técnicas, das visitas nas localidades, dos relatórios fotográficos e escritos e das conversas com a população é que podemos criar projetos e desenvolver medidas para minimizar os impactos da estiagem". 

Durante a entrevista, Antônio José comentou sobre as previsões de chuva que indicavam precipitações para Feira de Santana, mas que acabaram não ocorrendo da forma esperada. Ele ressaltou que não atua como meteorologista, mas explicou que a Defesa Civil utiliza informações de três agências meteorológicas para acompanhar o cenário. "Feira de Santana está numa região de difícil captação de dados. Quando foi emitido o alerta amarelo havia potencial para chuva, mas as precipitações mais significativas ficaram concentradas no Recôncavo, Baixo Sul e também na região Oeste, próximo de Barreiras". 

Segundo o coordenador, as chuvas registradas no município foram insuficientes para a necessidade do período. "Estamos tendo chuva, mas muito pouca para o esperado. Em Humildes foi registrado um volume maior. Já em Jaguara choveu menos da metade".  Ele também explicou a diferença entre os dois últimos episódios de chuva. "Hoje a chuva foi mais bem distribuída em algumas regiões. Ontem ela caiu pontualmente mais ao sul da sede do município". 

Apesar do cenário preocupante, Antônio José afirma que ainda não considera que Feira de Santana esteja entrando em uma crise hídrica. "Eu não diria que estamos próximos de uma crise hídrica. O município está passando por um período de certa resiliência". 

Antônio José - Foto: Boca de Forno News

Segundo ele, o abastecimento continua atendendo às demandas da população, resultado de um trabalho conjunto entre diferentes órgãos públicos. "Nossas decisões são tomadas a partir de reuniões com diversas secretarias, instituições e representantes dos trabalhadores rurais. Estamos tentando fazer o possível para minimizar os impactos e melhorar a convivência com a estiagem". 

Além da seca, a Defesa Civil segue acompanhando áreas suscetíveis a deslizamentos e outros problemas provocados por chuvas concentradas em curto período. Antônio José explicou que o município já possui um mapeamento das áreas consideradas críticas e que diversas intervenções realizadas ao longo dos últimos anos reduziram significativamente esses riscos. "Já temos nossos mapas de áreas críticas. Com as inúmeras intervenções e obras realizadas dentro do município conseguimos reduzir significativamente essas áreas". 

Ele pondera, no entanto, que nenhuma cidade está totalmente preparada para precipitações muito intensas em pouco tempo. "Quando se trata de chuvas bem distribuídas, normalmente não temos problemas. Mas quando ocorre muita chuva em curto período, nenhuma cidade do mundo está completamente preparada". 

Entre os locais que receberam atenção recente da Defesa Civil estão áreas próximas ao bairro Gabriela, no final do Jardim Cruzeiro, na região do Contorno, área que também envolve domínio do DNIT,  e o fundo do Vila Olímpia. "Nessas áreas já foram feitos relatórios e encaminhados aos órgãos competentes. No Vila Olímpia devem ocorrer intervenções em breve, dentro das obras que vêm sendo realizadas na região do Campo Limpo e da Avenida de Canal". 

O coordenador destacou que detalhes sobre as futuras obras cabem à Secretaria de Infraestrutura, enquanto a Defesa Civil permanece responsável pelo monitoramento técnico das áreas. Como próximos passos, Antônio José afirma que a Defesa Civil manterá as visitas às localidades para acompanhar a evolução da estiagem e compreender as necessidades de cada comunidade. "Vamos continuar monitorando, visitando as comunidades e conversando com as pessoas, porque só assim conseguimos entender a dinâmica de cada localidade". 

Ele também orientou que a população utilize os canais oficiais para registrar demandas relacionadas tanto à estiagem quanto a outras ocorrências. "A população pode entrar em contato principalmente pelo Fala Feira 156 ou procurar diretamente a Defesa Civil. Temos satisfação em atender, porque em Feira de Santana todo dia chega trabalho para a Defesa Civil", conclui.