Cultura Crônica da semana
Ovnis: o que são e como estudá-los
Por Alberto Peixoto
24/10/2026 08h51
Por: Karoliny Dias Fonte: Alberto Peixoto

Imagem divulgada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos mostra um encontro em 2004 entre dois caças da marinha norte-americana e um objeto desconhecido perto de San Diego - Foto: Reprodução / National Geographic Brasil

Objetos voadores não identificados são fenômenos reais, mas os dados disponíveis não sustentam, no momento, a hipótese de que esses fenômenos sejam naves de outros mundos. A área é atraente e muitas vezes consumidora de tempo, embora o tempo gasto com a confirmação nem sempre gere evidências confiáveis. Por isso, é essencial considerar a observação e as evidências a partir do método científico. Para isso, é necessário apropriar-se de termos próprios da ciência; caracterizar a aparência, o comportamento, a mobilidade, a luminosidade e o tempo de observação dos Ovnis; registrar a distância, a altitude e a velocidade do objeto por meio de avaliação conservadora; e alertar sobre possíveis ameaças ao rigor nos quatro primeiros passos da investigação.

Estes objetos são observados no céu e não têm identidade confirmada. O primeiro passo é descrever o que se observa e registrar a data, a hora, o local, as condições climáticas e as testemunhas. A linguagem deve ser objetiva; Ovni não é uma nave alienígena, mas um objeto não identificado.

Testemunhas não são evidências, mas fonte de evidência, e dados não são uma prova, mas uma evidência. O Ovni identifica o objeto, não a origem. Testemunhas podem confirmar a identidade do objeto, descrevendo-o e comparando-o a outras coisas que conhecem. As possibilidades são inúmeras: fenômenos naturais (estrelas, planetas, balões, etc.), aeronáuticos (aviões, helicópteros, planadores, etc.), militares (drones, mísseis, satélites, etc.) e técnicas (reflexos de luz em objetos terrestres, imagens geradas por computador, etc.).

Há evidências da existência de objetos voadores não identificados (Ovnis) em várias partes do mundo. Eles diferem de fenômenos conhecidos e capturam a atenção pela aparência, comportamento, mobilidade, luminosidade, tempo de observação ou combinação dessas características. Ovnis também são objeto de interesse da história e da cultura. O simples fato de não serem reconhecidos não implica em um fenômeno extraordinário — a identificação pode ser posterior, e uma boa descrição inicial evita vieses.

Um Ovni é um objeto cujo aspecto, origem ou controle não foi confirmado. Para esses casos, uma lista conservadora possibilita a identificação não confirmada: possível objeto natural ou aeronáutico não identificado; possível artefato humano ainda não conhecida; possível fenômeno físico ainda não documentado.

O estudo de OVNIs, apesar de ser visto como exótico, não foge do método científico. Um protocolo geral pode ser definido: ao receber um relato, deve-se questionar a observação, registrar os dados relevantes e listá-los em ordem decrescente de probabilidade. A primeira pergunta é: quais fenômenos poderiam ter causado o avistamento? O pré-registro de hipóteses permite consultas futuras e indica a possibilidade de novos dados, como evidências testemunhais ou fotos, que possam confirmar ou refutar a hipótese original. Se a informação não for publicada, é como se não existisse.

As evidências aceitas incluem dados testemunhais e imagens, sonoras ou visuais, de baixa e alta sensibilidade, registradas por amadores e especialistas. A evidência direta é a observação do objeto, a indireta é a análise das condições que poderiam provocar o avistamento, a circunstancial é uma observação que poderia ser influenciada e a testemunhal é a de quem ouviu ou leu um relato. Todas devem ser analisadas criticamente, levando-se em conta o viés de confirmação, que faz com que uma pessoa atribua maior importância às informações que reforçam suas crenças. O tempo necessário para que um grupo de especialistas chegue a uma confirmação é outro fator limitante.

Ao longo da história, a evolução das narrativas sobre objetos voadores não identificados sempre acarretou um choque entre o ceticismo e a curiosidade. Diversos relatos que se tornaram famosos estão associados a momentos específicos da história da arte, da ciência ou da tecnologia. O uso do protocolo da ciência experimental, com a aplicação do método científico como teste, exige que as fases da observação, da coleta de dados e da análise sejam conduzidas de forma rigorosa — com abordagens, questionamentos e hipóteses que possam ser testadas e revisadas por outros.

Por Alberto Peixoto