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Feira de Santana recebe primeira carreta de cardiologia do Brasil para ampliar acesso a exames especializados pelo SUS
Unidade integra o programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, e tem capacidade para atender 60 pacientes por dia e realizar 1.500 procedimentos por mês. Atendimento é destinado a pacientes encaminhados pela Saúde da Família, e a previsão inicial é que a estrutura permaneça no município até 13 de novembro.
22/10/2026 19h39
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Boca de Forno News

Feira de Santana recebeu a primeira carreta de cardiologia do Brasil, uma iniciativa do Ministério da Saúde por meio do programa Agora Tem Especialistas, desenvolvida em parceria com o Governo da Bahia e os municípios. A unidade móvel iniciou os atendimentos no último sábado e oferece um circuito integrado de avaliação cardiológica, que inclui consulta com especialista e exames como radiografia de tórax, ecocardiograma, eletrocardiograma, MAPA e Holter. Com capacidade para acompanhar 60 pacientes por dia e realizar 1.500 procedimentos mensais, a iniciativa busca reduzir a fila de espera por atendimento especializado e fortalecer a integração entre a atenção primária e a especializada no Sistema Único de Saúde (SUS).

A estrutura foi apresentada pelo secretário-adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Jérzey Timóteo, como uma estratégia para apoiar o trabalho desenvolvido pelas equipes de Saúde da Família e ampliar a capacidade de atendimento aos pacientes que necessitam de avaliação cardiológica.

Segundo o representante do Ministério da Saúde, a carreta reúne, em um único serviço, diferentes etapas do cuidado, desde a consulta com o cardiologista até a realização dos exames necessários para avaliar as condições de saúde do paciente. “É uma carreta que tem um circuito completo de avaliação cardiológica. Ela faz desde uma consulta com o especialista, com um cardiologista, até a realização de exames, como radiografia de tórax, ultrassonografia do coração, que é o ecocardiograma, e eletrocardiograma. Também são realizados exames que o paciente leva para casa para uma avaliação mais cuidadosa, como o MAPA, que monitora a pressão arterial, e o Holter, que monitora o coração”, explicou.

Jérzey Timóteo afirmou que o Ministério da Saúde está satisfeito com os resultados das primeiras semanas de funcionamento da iniciativa. De acordo com ele, atualmente existem três carretas de cardiologia no Brasil, e a primeira foi instalada na Bahia. A expectativa é ampliar esse modelo de atendimento para outras localidades.

O secretário-adjunto destacou que as doenças cardiovasculares estão entre as que mais provocam mortes no país e ressaltou a importância de garantir o diagnóstico e o acompanhamento adequados aos pacientes.

Ele também chamou a atenção para o papel da atenção primária à saúde na organização do atendimento. Segundo o representante do Ministério da Saúde, aproximadamente 85% dos problemas de saúde podem ser resolvidos na Saúde da Família, serviço responsável pelo acompanhamento dos pacientes nos postos de saúde dos bairros e municípios. “Essa carreta vem apoiar a Saúde da Família, aquele médico, aquele enfermeiro que está no seu bairro, no posto de saúde, e que solicitou exames laboratoriais e exames do coração para poder cuidar melhor do paciente e, talvez, ajustar a medicação disponível na Farmácia Popular”, afirmou.

Para Jérzey, a unidade móvel não deve ser entendida como um mutirão isolado, mas como parte de uma estratégia de continuidade do cuidado dentro do SUS. “É uma carreta que não é um mutirão. Ela faz parte desse cuidado integrado que o paciente tem no Sistema Único de Saúde”, enfatizou.

Um dos pontos destacados pelo secretário-adjunto é que o atendimento na carreta não ocorre por procura espontânea. Os pacientes atendidos já estavam na fila do SUS e foram encaminhados por meio da regulação, a partir das demandas identificadas pelas equipes de Saúde da Família. “Todos os pacientes que vocês estão vendo aqui não vieram por conta própria. São pacientes que já estavam na fila do SUS, na fila da regulação, encaminhados pela Saúde da Família, que é aquela equipe do posto de saúde do seu bairro, da sua cidade, onde você vive”, esclareceu.

De acordo com Jérzey Timóteo, a atenção primária é responsável por solucionar grande parte das necessidades de saúde da população, mas algumas situações exigem exames, suporte técnico e acompanhamento de profissionais especializados.

Nesses casos, a carreta funciona como um reforço à estrutura de atendimento já existente, permitindo que pacientes encaminhados pelos profissionais da rede municipal tenham acesso à avaliação cardiológica e aos exames necessários.

O secretário-adjunto orientou as pessoas que precisam desse tipo de atendimento a procurarem a unidade de saúde do próprio bairro. A partir dessa avaliação, o médico ou enfermeiro poderá identificar a necessidade de exames e dar encaminhamento à solicitação junto à Secretaria Municipal de Saúde. “Nos 27 municípios aqui da região de Feira de Santana, a orientação é procurar o posto de saúde do seu bairro. Se a pessoa já pediu um exame, deve verificar como está a regulação para ser atendida na carreta. Se ainda não pediu, o profissional médico ou enfermeiro pode solicitar o exame, e a Secretaria de Saúde vai ajudar a fazer com que ela chegue até a carreta”, explicou.

A iniciativa, portanto, depende da articulação entre as equipes da atenção primária, as secretarias municipais de Saúde e os serviços especializados para organizar o fluxo de pacientes.

A carreta de cardiologia iniciou os atendimentos em Feira de Santana no último sábado, e a previsão inicial do Ministério da Saúde é que a estrutura permaneça no município até o dia 13 de novembro.

Conforme Jérzey Timóteo, a unidade tem capacidade para acompanhar 60 pacientes diariamente e realizar cerca de 1.500 procedimentos por mês. A permanência da carreta poderá ser ampliada caso haja necessidade de prolongar o atendimento para reduzir a demanda reprimida. “Temos capacidade de acompanhar 60 pacientes por dia e realizar 1.500 procedimentos por mês. Nossa previsão inicial é que ela fique até o dia 13 de novembro aqui em Feira de Santana, para reduzir o tempo de espera dessas pessoas que foram encaminhadas pela Saúde da Família”, informou.

O secretário-adjunto acrescentou que a possibilidade de extensão do período de funcionamento será avaliada em conjunto com os municípios e a Secretaria de Saúde, conforme a necessidade identificada durante a execução dos atendimentos. “Se for necessário ficar mais tempo, os municípios vão se reunir com a Secretaria de Saúde para avaliar a demanda. A permanência pode ser estendida um pouco, para, de fato, reduzir esse tempo de espera da população”, declarou.

Segundo ele, a iniciativa busca atender pessoas que podem estar aguardando há meses por uma avaliação especializada. “Pode haver pacientes com necessidade de avaliação cardiológica esperando mais de seis meses. Então, nossa meta é reduzir bastante essa fila”, ressaltou.

Apesar da ampliação da oferta de consultas e exames, Jérzey Timóteo reconheceu que o acesso à cardiologia especializada ainda representa um desafio no país, especialmente quando o paciente precisa de procedimentos diagnósticos que dependem de profissionais com formação específica.

O secretário-adjunto ressaltou que a assistência cardiológica começa na atenção primária, onde os pacientes são acompanhados pelas equipes de Saúde da Família. Segundo ele, atualmente o Brasil conta com 54 mil equipes dessa natureza, responsáveis pelo cuidado integral de idosos, adultos, homens, mulheres e crianças. “Não podemos esquecer do cuidado primário, que é feito na Saúde da Família. Hoje, temos 54 mil equipes de Saúde da Família realizando um cuidado integral do idoso, do adulto, do homem, da mulher e da criança”, afirmou.

Ele explicou que parte do acompanhamento cardiológico também pode ser realizada nos postos de saúde, mas os casos que exigem avaliação especializada precisam de uma estrutura complementar. “Quando há necessidade de uma questão especializada, eu concordo que ainda falta um pouco para alcançarmos a atenção especializada cardiológica”, reconheceu.

Como exemplo, Jérzey citou o ecocardiograma, exame que permite avaliar a estrutura e o funcionamento do coração. Segundo ele, a realização desse procedimento exige formação específica, além da atuação na área da cardiologia. “Existe um exame aqui que é o ecocardiograma. Não basta ser cardiologista: é necessário também ter uma especialidade própria para realizar esse exame. Por isso, precisamos formar mais profissionais”, explicou.

O representante do Ministério da Saúde destacou que o programa Agora Tem Especialistas não se limita à disponibilização de carretas. A iniciativa também envolve estratégias para ampliar a formação de médicos especialistas e fortalecer a capacidade de atendimento do SUS.

Ele citou a Bahia como exemplo de avanço nesse processo, afirmando que o número de médicos em formação no estado praticamente dobrou. Segundo Jérzey, anteriormente muitos profissionais precisavam buscar oportunidades de especialização em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto atualmente a Bahia dispõe de hospitais com capacidade para formar esses profissionais. “Uma das estratégias do Agora Tem Especialistas não é só a carreta, mas também formar mais especialistas. A Bahia tem demonstrado empenho nisso. Praticamente dobramos o número de médicos em formação aqui no estado. Antigamente, os médicos que queriam se especializar iam para São Paulo e para o Rio de Janeiro. Hoje, esses médicos têm ficado na Bahia, porque o estado conta com hospitais com capacidade de formação”, declarou.

Para o secretário-adjunto, a ampliação do acesso precisa ocorrer simultaneamente em diferentes frentes: no atendimento imediato à população, no fortalecimento dos serviços especializados e na formação de novos profissionais. “Temos que atuar no curto prazo, e a carreta faz isso, assim como as policlínicas regionais. Mas também precisamos formar mais especialistas, porque o SUS precisa e a população precisa, principalmente no nosso estado, a Bahia, onde temos uma população importante que depende do SUS”, concluiu.

Bahia já tem dez carretas do programa Agora Tem Especialistas

O subsecretário da Saúde do Estado da Bahia, Paulo Barbosa, também destacou a importância da chegada da unidade de cardiologia a Feira de Santana. Segundo ele, qualquer iniciativa que contribua para ampliar o acesso da população aos serviços especializados é bem-vinda, sobretudo diante da demanda existente na rede pública. “Tudo que venha no sentido de ampliar o acesso, principalmente na atenção especializada, é bem-vindo. O programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, tem permitido expandir muito a oferta da atenção especializada por meio de diferentes iniciativas”, afirmou.

Paulo Barbosa explicou que as carretas representam apenas uma das linhas de atuação do programa. De acordo com ele, a Bahia já conta com dez unidades móveis distribuídas pelo território estadual, que são direcionadas às sedes das regiões de saúde.

Além da unidade de cardiologia instalada em Feira de Santana, o estado recebe carretas voltadas à oftalmologia, à saúde da mulher e à realização de exames de imagem. “As carretas são apenas uma das linhas de ação do programa. Hoje, já temos dez carretas no território baiano. Essas unidades vão para as sedes das regiões de saúde, como é o caso de Feira de Santana. Temos carretas de oftalmologia, de saúde da mulher, de exames de imagem, e esta é a primeira carreta de cardiologia que estamos recebendo, a primeira do Brasil, que veio justamente para a Bahia”, destacou.

Cardiologista, o subsecretário também reconheceu que o acesso aos serviços especializados da área ainda enfrenta dificuldades, principalmente pela disponibilidade limitada de determinados exames e pela carência de profissionais habilitados para realizá-los na rede pública. “Em relação à atenção especializada em cardiologia, posso falar até com um pouco mais de propriedade, porque sou cardiologista. De fato, ainda temos dificuldade de acesso, principalmente a alguns exames complementares, que são menos disponíveis, sobretudo pela carência de profissionais. Precisaríamos ter um número maior de profissionais na rede pública dedicados à realização desses exames”, avaliou.

Para Paulo Barbosa, um dos principais diferenciais da carreta é a possibilidade de concentrar diversas etapas do atendimento em um mesmo serviço. No modelo tradicional, explicou, o paciente passa pela consulta com o cardiologista, recebe a solicitação de exames e precisa aguardar o agendamento. Depois da realização dos procedimentos, ainda pode enfrentar uma nova espera para retornar ao especialista e apresentar os resultados. Esse intervalo entre as etapas pode prolongar o tempo necessário para concluir a avaliação e definir a conduta adequada para cada paciente.

Na carreta, a proposta é organizar o atendimento de maneira integrada, permitindo que a consulta, os exames necessários e a avaliação final sejam realizados dentro de um mesmo fluxo assistencial. “No modelo tradicional, o paciente vai ao cardiologista, que solicita um exame, e ele pode demorar seis meses para conseguir agendá-lo. Depois, ainda demora mais alguns meses para retornar com o resultado. Aqui, não. O paciente vem, marca a consulta, faz os exames necessários e, ao final, o profissional avalia os resultados e dá as orientações para que ele mantenha o seu cuidado na atenção primária à saúde”, explicou o subsecretário.

Segundo ele, essa organização contribui para aproximar os diferentes níveis de atendimento do SUS e evitar que o paciente enfrente dificuldades para concluir as etapas necessárias ao diagnóstico e ao acompanhamento.

Paulo ressaltou que a atenção primária continua sendo a porta de entrada para grande parte das necessidades de saúde da população. É nesse nível que ocorre, por exemplo, o acompanhamento de pacientes com hipertensão e diabetes, condições que exigem monitoramento contínuo e, em algumas situações, avaliação especializada. “O programa tem permitido atrelar a atenção primária, que é o primeiro nível de atenção e vai resolver a maioria dos problemas, à atenção especializada. É na atenção primária que o hipertenso vai ser tratado, que o diabético vai ser tratado. Mas alguns casos vão precisar do apoio do especialista”, afirmou.

O subsecretário explicou que o fluxo de atendimento começa com a identificação da necessidade pela equipe de Saúde da Família, responsável pelo agendamento e pelo encaminhamento do paciente à atenção especializada. Após a realização da avaliação e dos exames, a proposta é que ele retorne à atenção primária para dar continuidade ao acompanhamento. “Então, o paciente vai ter a oportunidade de estabelecer essa ligação entre a atenção primária, que agenda os pacientes, e a atenção especializada. Depois, ele retorna à atenção primária. Isso é muito importante”, acrescentou.

De acordo com Paulo Barbosa, o modelo reforça dois princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde: a garantia de acesso e a integralidade do cuidado. A proposta é evitar que o paciente consiga uma consulta, mas tenha dificuldades para realizar os exames solicitados ou para retornar ao profissional com os resultados. “Esse é outro princípio do SUS, além da garantia de acesso: a integralidade do cuidado. É para não haver essa dificuldade na realização das diferentes etapas do atendimento, como costuma ocorrer frequentemente”, destacou.

A instalação da primeira carreta de cardiologia do país na Bahia e, especificamente, em Feira de Santana, também está relacionada à importância regional do município para a organização dos serviços de saúde.

Questionado sobre os critérios para a escolha da cidade, Paulo Barbosa explicou que Feira de Santana é sede da macrorregião de saúde Centro-Leste do estado.  Segundo o subsecretário, a região concentra uma população expressiva e um número elevado de municípios, o que exige atenção diferenciada por parte da gestão estadual. A demanda por atendimento especializado é significativa, e a oferta de serviços ainda precisa ser ampliada para responder às necessidades da população. “Feira de Santana é sede de uma macrorregião muito importante, uma das maiores em termos populacionais e de número de municípios. Por isso, sempre temos um olhar diferenciado para essa região, em razão da demanda existente, que é muito grande”, afirmou.

Paulo Barbosa lembrou que o governo estadual já ampliou a oferta de serviços por meio das policlínicas regionais, incluindo unidades em Feira de Santana, Seabra e Itaberaba, além de outras cidades que funcionam como sedes de regiões de saúde.

Apesar desses investimentos, ele ressaltou que a estrutura disponível ainda não é suficiente para eliminar toda a demanda reprimida por consultas e procedimentos especializados. “Mesmo que tenhamos conseguido implantar policlínicas aqui, em Seabra, Itaberaba e em outras sedes de regiões que compõem essa macrorregião, ainda vamos precisar de reforços adicionais”, declarou.

O subsecretário explicou que, historicamente, a procura por atendimento especializado tem sido superior à capacidade de oferta dos serviços. Segundo ele, esse cenário foi agravado pela pandemia, que contribuiu para ampliar a demanda acumulada por consultas, exames e outros procedimentos. “Historicamente, a atenção especializada sempre teve uma demanda maior do que a nossa capacidade de oferta. Isso foi agravado em muito pela pandemia. Ainda temos uma demanda reprimida que precisamos vencer, para que as pessoas tenham acesso aos cuidados de que necessitam nessa área”, afirmou.

Ao avaliar a chegada da carreta de cardiologia à Bahia, Paulo Barbosa destacou a importância da parceria entre o Ministério da Saúde e o Governo do Estado para fortalecer a assistência oferecida à população. Segundo ele, a atuação conjunta permite ampliar a oferta de serviços e aproximar o atendimento especializado das pessoas que aguardam na rede pública. “Estamos em uma nova agenda no SUS, e acho que a Bahia tem sido privilegiada nesse aspecto, porque tem contado com a parceria do Ministério da Saúde. Isso é muito importante para que possamos chegar cada vez mais perto das necessidades de saúde da população”, concluiu.

A carreta de cardiologia integra, portanto, um conjunto de medidas destinadas a ampliar a capacidade de atendimento especializado, reduzir o tempo de espera e garantir a continuidade do cuidado no SUS. Em Feira de Santana, a expectativa é que a unidade contribua para atender pacientes já encaminhados pela rede pública, ao mesmo tempo que fortaleça a articulação entre as equipes de Saúde da Família, as secretarias municipais, a gestão estadual e o Ministério da Saúde.