O ex-candidato a deputado federal Deyvid Bacelar, que obteve 54.793 votos nas eleições de 2022, mas não conseguiu se eleger, rebateu informações relacionadas a supostas negociações de apoio político envolvendo vereadores de Feira de Santana. Em entrevista, ele afirmou que as conversas ocorreram em torno de propostas de apoio eleitoral, e não de compra de votos, como teria sido divulgado por veículos de comunicação. Bacelar também criticou o presidente da Câmara Municipal, vereador Marcos Lima, após a sinalização de que a Casa poderia abrir uma sindicância para apurar as denúncias.
Ao esclarecer o episódio, em entrevista ao Portal Boca de Forno News, Bacelar afirmou que os custos relacionados a carro, combustível e material de campanha do deputado federal Dal Barreto estariam registrados na prestação de contas da campanha. Ele explicou que as conversas mencionadas envolveram dois políticos que, à época, exerciam mandato de vereador em Feira de Santana, mas não conseguiram a reeleição em 2024. O ex-candidato preferiu não divulgar os nomes dos dois. “Não se trata de compra de voto, até porque é ilegal. Trata-se de apoio político. Às vezes, aquele vereador ou ex-vereador garantia que tinha uma base eleitoral de 1.500 votos, enquanto outro dizia ter 2 mil votos”, declarou.
Segundo Bacelar, a informação teria sido divulgada de maneira equivocada e repercutido em diferentes sites e veículos de comunicação. Ele afirmou que não concordou com a forma como as propostas dos vereadores foram apresentadas e disse que defendeu uma atuação política baseada no contato direto com os eleitores. “Eu quero ir ao seu bairro, conhecer as pessoas, bater de porta em porta, conversar, fazer uma reunião, me apresentar e apresentar minhas propostas. Não consigo trabalhar desse jeito, como a velha política infelizmente está acostumada a fazer”, afirmou.
O ex-candidato acrescentou que um dos interlocutores teria insistido para que as conversas continuassem, mas ele manteve sua posição. Para Bacelar, práticas de negociação de apoio eleitoral com base em estimativas de votos fazem parte de uma dinâmica política que precisa ser modificada.
Durante a entrevista, Bacelar defendeu uma reforma política no Brasil para alterar o calendário eleitoral e reduzir a influência do poder econômico nas disputas. Ele criticou a realização de eleições a cada dois anos e afirmou que o modelo atual favorece a repetição de negociações entre candidatos e lideranças políticas. “Ninguém aguenta mais eleição de dois em dois anos. Acaba uma campanha para deputado e, dois anos depois, começa outra disputa. Isso cria um ciclo vicioso, tanto para os políticos quanto para a população”, avaliou.
Entre as mudanças defendidas por ele estão eleições a cada cinco anos, o fim da reeleição para cargos do Executivo e a adoção do voto em lista, modelo que, segundo sua avaliação, fortaleceria os partidos políticos. Bacelar também mencionou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao defender a necessidade de mudanças no sistema eleitoral. Para o ex-candidato, a adoção dessas medidas poderia contribuir para o fortalecimento da democracia e diminuir a influência dos recursos financeiros nas campanhas.
Críticas a Marcos Lima e à Procuradoria da Câmara
Ao comentar a possibilidade de abertura de uma sindicância na Câmara Municipal de Feira de Santana para apurar suas declarações, Bacelar afirmou que acompanha o assunto e demonstrou surpresa com a manifestação de Marcos Lima. O presidente da Casa havia sinalizado que buscaria apurar as denúncias e cobrou provas das informações apresentadas.
Bacelar disse que mantinha uma relação respeitosa com o vereador e atribuiu parte dessa aproximação à amizade com o vereador Albino Brandão. Apesar disso, questionou a possibilidade de a Procuradoria da Câmara ser utilizada para investigar suas declarações. “Eu acredito que a Procuradoria da Câmara de Vereadores e Vereadoras de Feira de Santana não tenha esse papel. Ela deveria servir como instrumento de referência para os vereadores e vereadoras realizarem seu trabalho de fiscalização do Poder Executivo”, declarou.
O ex-candidato também cobrou explicações sobre a demora na conclusão das obras do anexo da Câmara Municipal e questionou o destino dos recursos investidos no empreendimento. Para ele, a Procuradoria deveria contribuir para que os parlamentares exercessem suas atribuições de fiscalização. Bacelar acusou Marcos Lima de perseguição política e sugeriu que o presidente da Câmara recorresse a um advogado particular caso pretendesse levar o caso adiante. “Se o senhor abrir o processo, estaremos dispostos a responder nos autos, apresentar nossa defesa e esclarecer tudo o que for necessário. Mas é muito estranho que haja essa perseguição contra Deyvid Bacelar”, afirmou.
Ele também questionou o apoio político de vereadores de Feira de Santana ao deputado federal Dal Barreto, em vez de candidatos com vínculos com o município. Na avaliação de Bacelar, os parlamentares deveriam priorizar nomes da própria cidade. “Por que o líder do governo e vereador não apoiou Zé Chico? Por que não apoiou Zé Neto? Por que não apoiou Deyvid Bacelar?”, questionou, ao criticar as escolhas políticas de lideranças locais.
Bacelar afirmou que, caso os vereadores tivessem apoiado candidatos da cidade, Feira de Santana poderia ter ampliado sua representação na Câmara dos Deputados. Ele citou os nomes de Zé Chico, Zé Neto e o próprio como possíveis representantes do município em Brasília.
O ex-candidato também mencionou as investigações envolvendo Dal Barreto e fez referência à Operação Carbono Oculto, relacionada a suspeitas de irregularidades no setor de combustíveis e lavagem de dinheiro. As referências foram apresentadas por Bacelar ao justificar seus questionamentos sobre o apoio político ao parlamentar. As suspeitas citadas devem ser tratadas no âmbito das investigações, sem que isso represente, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.
Projeto de Edvaldo
Bacelar também comentou a atuação do vereador Edvaldo Lima, com quem afirmou ter divergências políticas e ideológicas. Ele criticou posicionamentos do parlamentar em relação às religiões de matriz africana e à comunidade LGBTQIAPN+, mas reconheceu uma iniciativa legislativa apresentada por ele. O ex-candidato elogiou um projeto de lei que prevê a utilização de mangueiras transparentes nos postos de combustíveis, permitindo que os consumidores observem a coloração do produto durante o abastecimento. “Parabenizo o vereador Edvaldo pela iniciativa. Aqui temos muitos casos de adulteração de combustível, e a proposta de utilizar mangueiras transparentes pode ajudar o consumidor a identificar alterações na coloração do produto”, declarou.
Bacelar defendeu que representantes de diferentes campos políticos dialoguem em torno de questões de interesse público para Feira de Santana. Segundo ele, o objetivo deve ser fortalecer o município, independentemente das diferenças partidárias. Ao concluir suas críticas, reiterou que está disposto a prestar esclarecimentos caso seja formalizado algum procedimento contra ele. “Estamos aqui para responder, para nos defender e para trazer as verdades ao povo de Feira de Santana, porque a verdade é o que nos liberta”, afirmou.
Planos após a eleição
Questionado sobre os próximos passos depois de não conseguir a eleição para deputado federal, Bacelar afirmou que pretende concentrar esforços na campanha pela reeleição do presidente Lula. Segundo ele, tem participado de atividades em portas de fábricas em Feira de Santana e em outras cidades baianas, conversando com trabalhadores sobre as diferenças entre os governos Lula e Jair Bolsonaro.
O ex-candidato disse que acorda por volta das 5h30 para participar dessas ações e que pretende manter a mobilização até 25 de outubro, data mencionada por ele durante a entrevista. “Estou acordando todos os dias às 5h30 da manhã para ir às portas de fábricas, aqui em Feira de Santana e na Bahia, conversando com os trabalhadores e trabalhadoras e comparando o que foi o governo Bolsonaro com o governo do presidente Lula para a classe trabalhadora brasileira”, relatou.
Bacelar afirmou acreditar que o diálogo direto pode contribuir para a mudança de posicionamento de eleitores. Ele também demonstrou preocupação com a circulação de notícias falsas nas redes sociais, especialmente em mensagens compartilhadas pelo WhatsApp. “Às vezes, as pessoas recebem uma fake news pelo WhatsApp e nem consultam a fonte. Não vão ao Google para verificar se aquilo é verdade. É preciso conferir a informação antes de acreditar nela”, disse.
O ex-candidato afirmou que, após o resultado da eleição presidencial e a definição do governo estadual, pretende apresentar novidades relacionadas à sua atuação política em Feira de Santana e na Bahia. Ao final da entrevista, Bacelar agradeceu a oportunidade e destacou a importância da imprensa livre para a democracia. “A imprensa livre é importante para que a nossa democracia seja preservada”, concluiu.