A eleição de 2026 redesenhou a representação da Bahia em Brasília e na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Nomes que há anos ocupavam espaço na política baiana ficaram pelo caminho, enquanto uma nova leva de parlamentares se prepara para assumir as cadeiras. Na Câmara dos Deputados, 10 das 39 vagas mudaram de mãos. Na Alba, foram 21 de um total de 63.
A renovação levou embora da Câmara nomes que já tinham cadeira cativa na política baiana. Ex-senadora e ex-prefeita de Salvador, Lídice da Mata (PSB) recebeu 89 mil votos e não conseguiu se reeleger deputada federal, em meio à perda de espaço do partido no estado. De quebra, a sigla só conseguiu emplacar um deputado federal, Mario Negromonte Júnior, e não conquistou vaga na Alba este ano.
Adeus, Brasília!
Outro medalhão da política baiana, o deputado federal Arthur Maia (União Brasil) também ficou fora da próxima legislatura após 16 anos de mandato parlamentar no Congresso e apesar de ter obtido 103 mil votos. Já o ex-presidente da Alba por cinco mandatos consecutivos, Marcelo Nilo (Republicanos), com somente 18 mil votos, também não conseguiu renovar o mandato que exercia como suplente.
O resultado ainda mexeu com duas importantes bases eleitorais do PT no interior. Representante de Feira de Santana, Zé Neto teve 104 mil votos, mas o número foi insuficiente para garantir espaço na Câmara Federal. No mesmo movimento, Waldenor Pereira, nome de peso na política de Vitória da Conquista, recebeu 96 mil votos, e ficou fora da lista.
Bota-fora no Congresso
O rodo eleitoral arrastou ainda uma dupla com larga tradição de mandatos parlamentares: Bacelar (PV) e Paulo Magalhães (PSD), que obtiveram 102 mil e 82 mil votos, respectivamente. Jorge Araújo (PP) e Rogéria Santos (Republicanos) completam a relação dos deputados federais que não conseguiram permanecer no cargo. Contudo, Araújo deve retornar à Câmara de Vereadores de Salvador, de onde estava licenciado para assumir o mandato de suplente do PP da Bahia.
No Senado, a mudança foi mais simples de contar — e maior de sentir. Angelo Coronel (Republicanos), após quase 32 anos de atividade parlamentar, não conseguiu se reeleger e vai deixar o Congresso em fevereiro de 2027. Otto Alencar (PSD) e os petistas Rui Costa e Jaques Wagner serão os três senadores da Bahia na próxima legislatura.
Apostas que não vingaram
Para alguns deputados estaduais, a eleição foi uma tentativa de mudar de endereço. A aposta em Brasília, no entanto, não deu certo para Leandro de Jesus (PL), Robinho (União) e Vitor Bonfim (PSB), que deixaram a disputa pela Alba para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados. Olívia Santana (PCdoB) foi a exceção. A deputada conseguiu fazer o caminho de ida para Planalto Central e garantiu uma cadeira na bancada baiana.
Também ficaram pelo caminho candidaturas que chamaram atenção durante a disputa, como o vereador Duda de Alan Sanches (PSDB) e Cacá Leão (PP), ex-deputado federal e ex-secretário de Governo de Salvador. Tido em todas as bolsas de aposta como nome certo para a bancada baiana em Brasília, Jayminho Vieira Lima (MDB), embora contasse com o apoio dos primos Geddel e Lúcio Vieira Lima e recebesse nada menos que 115 mil votos, perdeu a chance de entrar.
Dança de cadeiras na Alba
Na Alba, 18 deputados foram derrotados nas urnas e outros três decidiram não disputar a eleição. Entre os que tentaram, mas não conseguiram renovar o mandato estão Antônio Henrique Jr. (PV), Cafu Barreto (União), Felipe Duarte (Avante), Hilton Coelho (Psol), Kátia Oliveira (União Brasil), Laerte do Vando (Avante), Luciano Araújo (Avante), Marcelinho Veiga (PP), Matheus de Geraldinho (MDB), Pancadinha (PDT) e Patrick Lopes (Avante)
A composição final da Assembleia, no entanto, ainda pode mexer na composição final da Alba. A razão é o deputado estadual Binho Galinha (Avante), que disputou com a candidatura indeferida pelo TRE da Bahia, Binho Galinha (Avante) e está com os 23.469 votos que recebeu sub judice. Como a decisão ainda é alvo de recurso no TSE, os votos não entram no cálculo do quociente eleitoral.
Caso sejam validados, votos de Binho Galinha, atualmente preso e condenado sob a acusação de liderar a milícia investigada pela Operação El Patrón, a conta do quociente e da sobra eleitoral muda. No caso, Zó do Sertão (PCdoB) perderia o espaço que ganhou para Patrick Lopes.