Cultura Crônica da semana
Os impactos das Bets na família brasileira
Por Alberto Peixoto
03/10/2026 09h03 Atualizada há 1 hora atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Alberto Peixoto

Foto: Freepik

Apostar envolve gastar dinheiro com o objetivo de ganhar mais em troca, no entanto, não são muitos os que conseguem. As apostas estão presentes nas redes sociais e em promoções de empresas. Com a chegada de competições esportivas, o número de aposta aumenta ainda mais, bem como os produtos de aposta oferecidos pelas empresas.

Um dos principais impactos das apostas na família é financeiro, já que o gasto com apostas pode levar ao endividamento. Muitas pessoas que apostam gastam mais do que podem, rompendo o próprio orçamento. Em alguns casos, as apostas se tornam uma prioridade, fazendo com que os apostadores deixem de lado despesas essenciais, trazendo como consequências contas atrasadas e a necessidade de pedir dinheiro emprestado. Para cobrir os gastos, alguns apostadores são obrigados a vender bens ou a fazer novos empréstimos com juros altos, podendo entrar em um ciclo de dívidas. Essa situação pode gerar ainda mais tensões no dia a dia e até levar ao suicídio.

Apostar é uma atividade que costuma despertar emoções intensas: euforia e alegria durante o jogo e frustração, tristeza ou raiva em caso de derrota. Além da perda, sentimentos como culpa e vergonha são comuns, especialmente quando as apostas envolvem dinheiro que não deveria ser gasto nessa atividade.

Quando há dependência, além da perda, o impulso de apostar gera tensão e ansiedade, que são aliviadas apenas com uma nova aposta. Essas emoções negativas podem seguir um ciclo de vida: aumentam à medida que a pessoa perde e diminuem com uma vitória, mas logo voltam a crescer com novas perdas. O apoio de pessoas próximas e um ambiente social saudável pode ajudar a suavizar essa curva.

Estudos mostram que pessoas que apostam são vistas de forma negativa e, por isso, tendem a se isolar. O estigma associado a comportamentos de risco é uma barreira à busca de ajuda e ao diálogo sobre o problema e os sentimentos que o acompanham. Normalmente, a mudança é lenta e gradual, e cada situação é única. Por isso, é importante estar atento a sinais de alerta e, quando necessário, buscar apoio. O estresse é uma resposta normal e pode até ajudar temporariamente, mas a mudança para um estado de estresse maior, que atrapalha a vida diária, é um sinal de atenção.

Os principais impactos das apostas na família brasileira são de ordem financeira, emocional, social e de saúde. Os problemas financeiros se manifestam por dificuldades em poupar, queda na qualidade da moradia e falta de dinheiro para a educação das crianças. Além desses aspectos, outros geralmente associados ao jogo, principalmente com o jogo patológico, afetam a saúde mental dos apostadores e dos familiares, como ansiedade, depressão e estresse. O clima familiar torna-se tenso e carregado devido a discussões sobre o assunto e a família pode entrar em um ciclo vicioso no qual a culpa pelo fracasso nas apostas leva à uma nova aposta, que, como sempre, é feita com a esperança de reverter a situação.

As emoções geradas pela aposta e pela possibilidade de ganhar um valor elevado com um baixo custo são contagiosas.

 Por Alberto Peixoto