A Prefeitura de Feira de Santana anunciou, nesta segunda-feira (28), a criação de uma Clínica Pet destinada ao atendimento veterinário de cães e gatos de famílias que não têm condições de arcar com os custos de serviços particulares. A unidade será instalada em um imóvel adquirido pela Prefeitura na Rua Barão de Cotegipe, nº 802, próximo ao Centro de Atendimento ao Feirense (Ceaf). O espaço possui área de 741 metros quadrados e será adaptado para oferecer serviços voltados à saúde e ao bem-estar dos animais.
Durante o anúncio, o prefeito José Ronaldo de Carvalho afirmou que o imóvel está em bom estado de conservação e possui localização estratégica. Segundo ele, a prioridade agora é concluir os projetos arquitetônico e de engenharia para que sejam iniciadas as adequações necessárias. “Estou, confesso a vocês, emocionado. Deus me permitiu fazer aqui este momento. Em breves dias, com fé em Deus, logo após a conclusão do projeto arquitetônico e de engenharia, iniciaremos a obra”, declarou o prefeito.
De acordo com José Ronaldo, a manutenção e as adequações do espaço serão realizadas pela própria Prefeitura, por meio da área responsável pelas obras. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Saúde deverá iniciar o processo licitatório para aquisição dos equipamentos necessários ao funcionamento da clínica.
A proposta é que a Clínica Pet funcione em horário comercial e tenha atendimento voltado principalmente para pessoas que não podem pagar por serviços veterinários particulares.
José Ronaldo explicou que o funcionamento deverá seguir uma lógica semelhante à de uma unidade de saúde, com cadastramento dos animais e agendamento dos atendimentos. “Você vai cadastrar os seus animais, terá o atendimento marcado, com horário definido. Será feito o atendimento clínico e também vacinações, tratamentos de cães de rua que tenham problemas de saúde e precisem ser tratados”, explicou.
A unidade também deverá realizar castrações de animais pertencentes a pessoas que não tenham condições financeiras de pagar pelo procedimento em clínicas particulares. “Aqueles que podem pagar continuarão fazendo seu atendimento nas clínicas particulares. Aqueles que não podem, nós vamos fazer as castrações”, afirmou o prefeito.
A Prefeitura também pretende atuar em parceria com entidades e protetores da causa animal para atender animais em situação de rua. Entre as ações previstas está a identificação e encaminhamento desses animais para castração. “Junto com as entidades, como a Patinhas, a APA e outras que trabalham dentro desse processo, nós vamos trabalhar em sintonia para atender também os animais de rua e fazer a castração”, disse José Ronaldo.
O prefeito destacou ainda que o projeto será direcionado a animais de pequeno porte, principalmente cães e gatos.
Clínica será diferente do Centro de Zoonoses
José Ronaldo ressaltou que a criação da Clínica Pet não significa a substituição ou encerramento das atividades do Centro de Controle de Zoonoses de Feira de Santana. “O Centro de Zoonoses é uma outra questão. Ele vai continuar fazendo o seu trabalho, vai continuar agindo normalmente. A clínica será totalmente à parte”, explicou.
Segundo o prefeito, ainda não há uma definição sobre o número de profissionais que atuarão na unidade nem sobre o valor total que será investido na compra dos equipamentos. Essas informações deverão ser estabelecidas durante o processo de estruturação do serviço pela Secretaria Municipal de Saúde.
Imóvel custou R$ 1,5 milhão
O imóvel destinado à Clínica Pet foi adquirido pelo município por R$ 1,5 milhão. De acordo com José Ronaldo, a Secretaria Municipal da Fazenda realizou uma avaliação do espaço antes da negociação. “O imóvel foi adquirido por um milhão e meio de reais. Foi feita uma avaliação pela Secretaria da Fazenda do município. Era um valor bem maior do que o que os proprietários estavam pedindo. Eles chegaram a pedir dois milhões, dois milhões e meio, um milhão e oitocentos, mas nós conseguimos adquirir por um milhão e meio”, afirmou.
O prefeito informou ainda que a escritura do imóvel já foi realizada e que o pagamento será efetuado nesta semana.
Hospital Municipal continua como prioridade
Questionado sobre a criação da Clínica Pet e a possibilidade de a iniciativa representar uma mudança na prioridade anteriormente anunciada pela Prefeitura, que era a construção do Hospital Municipal, José Ronaldo afirmou que os dois projetos estão em andamento. “Não mudamos de ideia. Nós temos tudo aquilo que dissemos. O Hospital Municipal está resolvido. A licitação foi feita, a empresa já está devidamente contratada, já temos o imóvel e já fizemos a demolição de tudo que existia lá”, explicou.
Segundo o prefeito, o espaço onde funcionará o hospital está sendo preparado para receber o canteiro de obras, enquanto o projeto executivo também está em elaboração. “Já está sendo feita a arrumação do imóvel onde vai funcionar a empresa, ou seja, o canteiro de obras. Também está sendo feito todo o projeto executivo do hospital”, afirmou.
José Ronaldo acrescentou que reuniões estão sendo realizadas entre a equipe da Prefeitura e o consórcio vencedor da licitação para avançar na execução do projeto. “Já estamos nos comunicando com frequência e, acredito, até o final de novembro e dezembro tudo isso estará avançado. Como já resolvemos a questão do Hospital Municipal, estamos agora resolvendo a Clínica Pet na sua fase”, disse.
Secretaria de Saúde promete diálogo com protetores
O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, destacou que a criação da Clínica Pet representa, segundo ele, uma ação concreta voltada à causa animal e afirmou que a definição do funcionamento do serviço será construída com participação de entidades e protetores. “É uma alegria muito grande fazer parte de um governo que entrega. Entrega algo que não é improvisado. Se vocês observarem, nós temos aqui a apresentação de um imóvel, foi feita a assinatura do contrato. Ou seja, é algo palpável, não é discurso”, afirmou.
Rodrigo Matos também destacou a localização do imóvel, no centro da cidade, como um fator de acessibilidade para moradores de diferentes bairros. “É no centro da cidade porque representa que a causa animal é centralidade também do nosso processo de gestão. É para dar acessibilidade às pessoas que moram em bairros periféricos, que têm dificuldades de locomoção, são pessoas simples que têm seus animais, amam seus animais e precisam, obviamente, de assistência veterinária para seus pets”, declarou.
O secretário afirmou que a Prefeitura já realizou reuniões com associações e protetores e que o diálogo deverá ser ampliado durante a elaboração do projeto. “Nós fizemos várias reuniões com associações e protetores dos animais. Ninguém tem a capacidade de, na sua cabeça, simplesmente dizer o que é melhor. A gente ouve as pessoas, dialoga com as pessoas”, disse.
De acordo com Rodrigo, a intenção é criar um cadastro voltado às pessoas que possuem animais e estejam em situação de vulnerabilidade socioeconômica. “A ideia é que a gente faça um cadastro dessas pessoas que tenham animais e estejam em uma situação de vulnerabilidade socioeconômica para que possam ter acesso”, explicou.
O secretário também citou a possibilidade de participação dos agentes comunitários de saúde e das Unidades Básicas de Saúde na identificação e encaminhamento das demandas. “Os agentes comunitários de saúde vão ser importantes nesse processo. As Unidades Básicas de Saúde são pontes que vão fazer o elo para que possamos fazer o agendamento de consultas, exames, castrações, cirurgias, exames e todo o processo de orientação”, afirmou.
Rodrigo Matos, no entanto, ressaltou que os detalhes sobre o funcionamento da unidade ainda serão apresentados posteriormente. “A gente não vai antecipar os detalhes do funcionamento. Estamos com as associações de protetores e vamos intensificar esse diálogo também com os protetores independentes”, declarou.
Para protetores, anúncio representa avanço
Representante da Associação de Proteção aos Animais (APA), Sandra Lima avaliou o anúncio como um avanço para a causa animal em Feira de Santana. Para ela, a criação da clínica representa um primeiro passo para ampliar a assistência aos animais e também contribuir para a redução do abandono. “Eu acho que a causa animal não tinha visibilidade. Então, isso aqui é um grande passo. É só o começo de tudo isso”, afirmou.
Sandra acredita que a existência de um espaço público para atendimento veterinário poderá incentivar a adoção e ajudar famílias que atualmente não conseguem custear procedimentos para seus animais. “Muitas pessoas vão adotar, porque vai ter um local onde levar quando o animal estiver doente ou precisar de alguma coisa. Isso faz com que aumentem as adoções e diminuam os abandonos, por conta também das castrações”, disse.
Para a representante da APA, a implantação do serviço precisa ser vista como um processo gradual, que dependerá também da participação dos protetores e das entidades. “Não é uma coisa que vai ser resolvida amanhã. Nós temos que ter paciência. Os protetores têm que ter paciência. Mas, depois de todos esses anos, esse é o primeiro passo. Já foi assinado e, daqui a uns dias, vai começar a ser colocado em prática”, afirmou.
Sandra também defendeu a união entre as entidades e os protetores independentes para contribuir com o funcionamento da iniciativa. “Vai depender também da gente, dos protetores, para poder ajudar junto com eles. É uma coisa que, com todo mundo unido, vai dar certo”, declarou.
Questionada sobre a criação de uma clínica em vez de um hospital veterinário, Sandra afirmou considerar a proposta adequada para o momento e não descartou que, futuramente, o município possa avaliar a necessidade de ampliar a estrutura. “Eu acho que o hospital é mais complexo. Pode ter um hospital futuramente, mas, no momento, uma clínica eu acho que atende. Uma clínica bem estruturada, onde você vai ter atendimento veterinário, a parte básica, eu acho que vai atender”, afirmou.
Segundo ela, além das demandas dos animais mantidos por abrigos e entidades, os protetores também recebem diariamente pedidos de ajuda de famílias que não têm condições de pagar por atendimento veterinário. “Além dos animais dos abrigos, a gente tem todas as pessoas que nos procuram para fazer atendimento mais barato. Muitas vezes elas não têm orientação. Então, isso vai ajudar demais a gente em todos os sentidos”, explicou.
Sandra Lima também destacou que os protetores enfrentam dificuldades relacionadas aos custos para manter os animais e ao abandono, além dos casos de maus-tratos e atropelamentos. “Cada protetor tem dificuldade para pagar as contas. Isso é notório para todos os protetores. E as pessoas precisam parar de maltratar os animais”, afirmou.
Ela também chamou atenção para os atropelamentos de animais nas ruas e defendeu ações permanentes de conscientização da população. “As pessoas não freiam para os animais. A gente precisa fazer realmente essa conscientização. As pessoas precisam ter mais cuidado, assim como têm quando uma pessoa está atravessando. É preciso ter essa consciência”, declarou.
Para a representante da APAS, a educação e a conscientização são fundamentais para enfrentar os problemas relacionados à causa animal. “Eu acho que é um trabalho total. É conscientização e educação”, concluiu.