Em meio à crise que paira sobre o futebol brasileiro, casas de apostas que patrocinam clubes das Séries A e B do Brasileirão já comunicaram às equipes que os contratos podem ser encerrados de forma imediata. A medida pode ser tomada caso o governo federal avance na proibição das bets no Brasil. Enquanto aguardam a definição de Brasília, alguns clubes já se movimentaram e começaram a procurar novos parceiros comerciais.
Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, quatro empresas já comunicaram aos clubes em relação aos contratos: Betano, patrocinadora do Flamengo; Novibet, do Santos; Superbet, de São Paulo e Fluminense; e Esportes da Sorte, do Corinthians. As empresas também já comunicaram aos veículos de comunicação que recebem patrocínio das bets.
As empresas começaram a comunicar os clubes após ser anunciada pelo governo a Medida Provisória (MP) que poderia proibir as bets no Brasil. No cenário de proibição total, os contratos de patrocínio seriam encerrados. Caso sejam adotadas restrições parciais, os acordos podem ser renegociados.
Clubes procuram alternativas
Algumas equipes da Série A começaram a fazer sondagens no mercado em busca de novos patrocinadores. O Flamengo, que possui o maior contrato de patrocínio — o clube carioca recebe R$ 268,5 milhões por ano da Betano, em um vínculo com duração de três anos e quatro meses, já procura opções no mercado como alternativa à perda do patrocínio.
O impacto financeiro para o futebol brasileiro pode ser grande. Em 2025, as empresas de apostas investiram aproximadamente R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos clubes da Série A.
Apesar do volume, os patrocínios das bets representaram 7,2% das receitas totais dos clubes da elite nacional, que somaram R$ 14,3 bilhões em 2025.
Clubes se manifestaram contra proibição
Os clubes divulgaram um manifesto conjunto após surgirem informações sobre a possibilidade de uma medida do governo restringir o setor, na semana passada.
O tema voltou na quarta-feira (23), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante um evento no Rio de Janeiro, que havia decidido acabar com as bets.
De acordo com o presidente, o governo realizou reuniões com integrantes da Presidência, Casa Civil, Ministério da Fazenda e Ministério da Justiça para discutir a medida.